22/02/2015

SAGA - Volume 4 (#19-24)

(info, sinopse, etc.)











Gostei, mas (sempre o mas, o amigo-inimigo) achei que deixou um gostinho de "segundo livro de trilogia"; apenas fazendo uma ponte para o que está por vir e que, a julgar pelo cliffhanger, parece que vai ser legal.



Curiosamente, aprendi um pouco mais sobre os reflexos da hierarquia social no fenótipo da população do Robot Kingdom:
























                         ()

19/02/2015

The Bluest Eye - Toni Morrison

(info, sinopse, etc.)
Ok, a primeira impressão da leitura foi de surpresa, pois não encontrei em The Bluest Eye - primeiro livro publicado pela autora e primeiro dela que leio - a prosa super hermética que os comentários alheios sobre a Morrison me fizeram antecipar. Nessa obra, pelo menos, encarei uma escrita simples e enxuta, e a leitura foi bastante fluida (li em duas tacadas).

Usando termos chulos próprios da leitora ordinária que sou, diria que o livro traz uma prosa "sangue nos olhos"; que "mata o leitor na unha" logo nas primeiras páginas, quando uma bomba é casualmente lançada na nossa cara. Toni Morrison destrói geral sem descer do salto.  

A autora recorre à construção de uma ficção narrada como uma colcha de retalhos - há mudanças de narrador e do foco narrativo; recuos e avanços na linha temporal - para tentar encontrar alguma lógica por trás de uma situação real que lhe ocorrera durante a infância: uma amiga negra havia lhe confessado querer ter os olhos azuis. 

"You looked at them and wondered why they were so ugly ... then you realized that it came from conviction, their conviction. It was as though some ... master had given each one a cloak of ugliness to wear ... They had looked about themselves and saw nothing to contradict ..."
"...if those eyes of hers were different, that is to say, beautiful, she herself would be different. ... she would never know her beauty. She would see only what there was to see: the eyes of other people."
O que achei interessante no livro, e para o qual tiro o chapéu, foi o fato de que o texto da autora não reserva espaço para qualquer tipo de condescendência ou de maniqueísmo, seja com brancos ou com negros (exceto pela criança protagonista da história; completamente imaculada). Não adianta querer simplificar as coisas, porque nesse livro (e na vida, afinal) não rola. 
"There is really nothing more to say - except why. But since why is difficult to handle, one must take refuge in how."
A maneira recorrente com que ela aborda a religião, explorando sua onipresença invariavelmente nefasta na vida e na condução do comportamento das personagens, também me agradou muito. A menos que eu tenha entendido errado, suponho que nossas opiniões sobre o tema se relacionam amigavelmente.

Achei um bom livro e gostei da leitura, mas confesso que minhas altas expectativas esperavam mais. De qualquer modo, não desanimei em nada e ainda pretendo ler Beloved e Song of Solomon.
“All of our waste which we dumped on her and which she absorbed. And all of our beauty, which was hers first and which she gave to us. All of us--all who knew her--felt so wholesome after we cleaned ourselves on her. We were so beautiful when we stood astride her ugliness. Her simplicity decorated us, her guilt sanctified us, her pain made us glow with health, her awkwardness made us think we has a sense of humor. Her inarticulateness made us believe we were eloquent. Her poverty kept us generous. Even her waking dreams we used--to silence our own nightmares. And she let us, and thereby deserved our contempt. We honed our egos on her, padded our characters with her frailty, and yawned in the fantasy of our strength."

14/02/2015

A room with a view - E. M. Forster

Sobre o livro: clicar aqui

Para um livro tão curtinho, confesso que precisei de um tempo considerável para me sentir confortável com a prosa particular de Forster. Trata-se de um texto que segue à risca a premissa "show, don't tell", trazendo descrições bastante engenhosas e sofisticadas; constantemente recorrendo a uma ironia mordaz e tão sutil que, em uma leitura desatenta, pode passar despercebida.

Também demorou um pouco até que eu embarcasse na história, porém o arrebatamento aconteceu e, nas últimas páginas, eu já estava inclusive cedendo à tentação da leitura em voz alta, o que costuma ser um ótimo sinal.

Resenha do 3 Panel Book Review

Forster expõe e, por consequência, critica diversas idiossincrasias da sociedade inglesa do início do século XX; dentre as quais inevitavelmente destaca-se a dinâmica dos gêneros e a posição ingrata reservada ao sexo feminino (inúmeras vezes, infligida pelas próprias mulheres). Algumas passagens interessantes:
"Conversation was tedious; she wanted something big, and she believed that it would have come to her on the wind-swept platform of an electric tram. This she might not attempt. It was unladylike. Why? Why were most big things unladylike? Charlotte had once explained to her why. It was not that ladies were inferior to men; it was that they were different. Their mission was to inspire others to achievement rather than to achieve themselves."
 
"Mrs. Honeychurch exclaimed: "Beware of women altogether. Only let to a man. (...) Men don't gossip over tea-cups. If they get drunk, there's an end of them--they lie down comfortably and sleep it off. If they're vulgar, they somehow keep it to themselves. It doesn't spread so."
 
"...nothing roused Mrs. Honeychurch so much as literature in the hands of females. She would abandon every topic to inveigh against those women who (instead of minding their houses and their children) seek notoriety by print. Her attitude was: "If books must be written, let them be written by men..."

E a minha favorita (que, aliás, dedico ao Sr. Balzac):
"Why will men have theories about women? I haven't any about men."

O comportamento do inglês ~turistando~ pela Europa - Florença, especificamente - também foi comicamente explorado pelo autor, rendendo trechos capazes de acalentar o turista brasileiro já tão espinafrado por sua conduta quando em terras gringas.

De  forma simplista, suponho que seja justo considerar o livro uma história de amor (comédia romântica?); porém acho que a obra vai além, pois não trata-se apenas da mocinha envolta em uma aventura amorosa. Aqui, temos uma mocinha lutando de modo exasperado, consciente e inconscientemente, contra as forças antagônicas exercidas pelas imposições sociais e pelas escolhas que ela intimamente desejava consumar na vida.

 Nas palavras de Lucy:
"The world is certainly full of beautiful things, if only I could come across them." 
Um quartinho com uma bela vista, e não apenas uma acomodação confortável olhando para um terreno baldio, é realmente pedir demais da vida?

(via)
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Lido o livro, fui ver a adaptação cinematográfica de 1985. Com um elenco daqueles, não tinha como dar errado: o filme é sensacional. Parabenizo imensamente o culhão (no pun intended) de transpor para a tela a cena do lago tal qual descrita no livro.

E, para mim, o melhor: DANIEL DAY-LEWIS!

Primeiro, a genial descrição da personagem - Mr. Cecil Vyse:

"He was medieval. Like a Gothic statue. Tall and refined, with shoulders that seemed braced square by an effort of the will, and a head that was tilted a little higher than the usual level of vision, he resembled those fastidious saints who guard the portals of a French cathedral. Well educated, well endowed, and not deficient physically, he remained in the grip of a certain devil whom the modern world knows as self-consciousness ...A Gothic statue implies celibacy, just as a Greek statues implies fruition..." (eu acho que vi um gatinho... Mr. Forster, you're sassy.)


e Daniel Day-Lewis acertando na mosca:
(via)

05/02/2015

Era uma vez um corredor - John L. Parker Jr.

Info, sinopse, etc.

Livro de ficção que narra  a  jornada  de  treinos  e  competições  de  um corredor   universitário americano na batalha para "destruir cronômetros" e tornar-se um grande atleta. Aqui, não há uma abordagem, digamos, poética ou metafórica da corrida; pois como diz nosso narrador: 
"(...) (Cassidy) sabia do que os corredores místicos, os joggers, os corredores poetas, zen e outros da mesma espécie estavam falando. Mas também sabia que seus egos eufóricos geralmente não eram vistos nas manhãs sombrias e chuvosas. Basicamente, queriam falar daquilo, não fazer. (...) (Ele) Não corria por motivos criptorreligiosos, mas para vencer corridas, percorrer distâncias com rapidez. Não apenas para ser melhor que seus pares, mas melhor que ele mesmo."
(xii, acho que a carapuça serviu aqui. ¯\_(ツ)_/¯ )
Enquanto obra literária, na minha humilde opinião, o livro é bem ruinzinho. As páginas gritam na cara do leitor que o autor é apenas um cara apaixonado por corrida que, um belo dia, julgou por bem escrever um livro de ficção sobre o tema. 
Apesar disso, acredito que admiradores e corredores conseguem ter uma experiência prazerosa com a leitura, pois há realmente muitas passagens interessantes envolvendo as peculiaridades do esporte; com destaque para uma ótima descrição de uma prova de uma milha, sob a perspectiva do corredor em cada uma das voltas. 
Arquivando e comentando alguns trechos:

(1) "Como eu sabia que você tinha corrido uma milha em quatro minutos e meio na escola? Fácil, todo mundo corre uma milha em quatro minutos e meio na escola. - Frank Shorter, CORRENDO POR AÍ, por volta de 1969."
Morrendo de vergonha, pois meu tempo é...er, deixa pra lá.





(2) Corredores de longas distâncias x Velocistas:

"Os corredores de longa distância eram mensageiros serenos (...) seus antepassados espirituais mantinham as próprias deliberações solitárias durante longas horas, enquanto carregavam alguma mensagem (...) Viviam dentro de si mesmos, eram assim há muito tempo, e são assim hoje. (...) obsessivo-compulsivo (...) provavelmente era um dos requisitos de um verdadeiro corredor de longa distância."  

"Com os velocistas a história era bastante diferente. Sua arte girava em torno de um único instante explosivo (...) talvez fossem descendentes espirituais das tropas de assalto, que pulavam sobre trincheiras (...) eram nervosos, irritáveis (...) eram os maníacos-depressivos do mundo do atletismo."
(3) Devaneios típicos durante uma corrida:
Com grande angústia, Cassidy se exauria atrás dele. "Não é tão ruim assim", pensou, "estou morrendo, só isso. Mas aguente firme, seu idiota, e talvez você possa ser o herói no fim."
(4) Como corredora noturna e já vítima de alguns insultos, consigo me identificar:
"A noite tornava ainda mais agudos os sentidos do corredor, mais tocante sua solidão, fazia o ritmo rápido parecer ainda mais rápido, criava urgência, um suave entusiasmo no ato de se deslocar sozinho. A atmosfera imaculada de seu devaneio de vez em quando era estragada por algum idiota num Chevrolet que gritava "corre, corre!". Cassidy costumava exibir automaticamente um dedo em riste ou ... algum palavrão."
(5) "Ainda não tive aquela sensação de euforia de que os corredores tanto falam."
Poxa, eu sim. Defendo categoricamente que a endorfina do esporte não é lenda urbana ou mito científico, embora seja verdade que não dura muito tempo.

(6) E a essência do livro; que acredito aplicar-se não apenas à corrida:
"Qual era o segredo, eles queriam saber (...). E nenhum deles estava preparado, de verdade, para acreditar que não tinha tanto a ver com química ou truquezinhos mentais, e sim com esse mais superficial e às vezes excruciante processo de gastar, molécula por molécula, a borracha dura de que era feita as solas dos seus tênis de treino. O Sacrifício dos Quilômetros; Quilômetros de Sacrifício. Como poderia esperar que entendessem isso?"

02/02/2015

O Lírio do Vale - Balzac

Sobre o livro: clique aqui
Tradução: Rosa Freire d'Aguiar
Tópicos breves do diário de leitura:
(1)  E não é que o livro ganhou, em 1970, uma adaptação televisiva na França?!
 
(* Pausa para apreciar o cabelo e o bigodinho do nosso herói*)
Gaaaaaato!

Bendita seja, pois eu bem que merecia ver o Sr. Félix de Vandenesse em cena, no ápice de sua sedução. Aprendam, pois é assim que não se aborda uma donzela na balada:

                                

(2)  "Aqui, Natalie, nada é romanesco: para se descobrir o infinito dos sentimentos profundos, é preciso ter jogado, na juventude, a sonda nesses grandes lagos à beira dos quais vivemos. Se para muitos seres as paixões foram torrentes de lava escoadas entre margens ressequidas, não existem almas em que a paixão contida por dificuldades intransponíveis encheu com uma água pura a cratera do vulcão?"

-  Nesse caso, Sr. Félix de Vandenesse, sou obrigada a afirmar que não lancei sonda nenhuma na juventude e que minhas torrentes de amor escoaram por margens ressequidas mesmo.
Sério; esse jovem apaixonado passou, sei lá, umas quatro fucking páginas descrevendo em detalhes toda a felicidade e os pormenores do processo de coleta de flores no campo e composição de um buquê para oferecer à amada. Oi? 
A linguagem dele é tão ridiculamente dramática e grandiloquente, que, felizmente, acabou não sendo difícil levar tudo na piada e conseguir me divertir com a estupidez da narrativa e do romance insano.
Chegando agora na reta final do livro, minha incredulidade com a história está atingindo níveis alarmantes. 

(3) Estou pas-sa-da com a carta final desse livro.
A resposta que Natalie de Manerville dá a Félix de Vandenesse é, muito provavelmente, o que a quase totalidade dos leitores também gostaria de dizer ao sujeito:
"(...) não imite as viúvas que falam sempre de seu primeiro marido, que sempre jogam na cara do segundo as virtudes do defunto. (...) Sabe por quem me enchi de pena? Pela quarta mulher que você amará. Esta será necessariamente obrigada a lutar contra três pessoas (...) Renuncio à gloria laboriosa de amá-lo: precisaria de demasiadas qualidades católicas ou anglicanas, e não me agrada combater fantasmas. (...) Por mais que faça, uma mulher jamais poderá proporcionar-lhe alegrias iguais à sua ambição. (...) Às vezes você é entediante e entedia, dá à sua tristeza o nome de melancolia: que seja. Mas é insuportável (...) então não conhece as mulheres? Elas são o que são, devem ter os defeitos de suas qualidades. Você encontrou Lady Dudley cedo demais para poder apreciá-la, e o mal que diz dela parece-me uma vingança de sua vaidade ferida; você compreendeu a Sra. de Mortsauf tarde demais, puniu uma por não ser a outra (...) você precisa se casar  com uma Sra. Shandy, que nada saberá do amor...indiferente a esses momentos de tédio que você chama melancolia (...)"
Na minha modesta opinião, devo dizer que esse livro parece tratar mesmo é de traumas psicológicos relacionados à figura materna, o vulgo inglês "mommy issues". O rapaz claramente espera encontrar na mulher amada a figura materna idealizada que ele afirma não ter tido quando criança. E o comportamento da Sra. de Mortsauf, por sua vez, sugere ser consequência da má relação que ela diz ter tido com a mãe; obrigando-a a dar aos filhos o tratamento materno exemplar que fora-lhe negado. É um romance bem doentio.

Considerando-se o destino final que Monsieur Balzac reserva a Henriette, e que o Sr. Félix tem os ~olhos cheios de lágrimas~ página sim e outra também, dedico-lhes esta trilha sonora:

                    


[DROPS] Borges x Saramago

Lendo o conto de Borges O milagre secreto (tradução: Davi Arrigucci Jr./Companhia das Letras)em especial esta passagem:
"Se de algum modo eu existo, se não sou uma de suas repetições e erratas, existo como autor d'Os inimigos. Para pôr termo a este drama, que pode me justificar e te justificar, necessito um ano mais. Concede-me esses dias, Tu, a Quem pertencem os séculos e o tempo.",
inevitavelmente lembrei de alguns trechos do filme "José e Pilar (2010)", nos quais Saramago declara isto aqui - referindo-se ao livro A viagem do elefante: (26:57 + 1:59:40)

Seconds - Bryan Lee O’Malley

Sobre o livro: clique aqui

A arte foi o que mais se destacou nessa graphic novel. Há uma boa atenção aos detalhes, visualmente é tudo super lindo e o trabalho do colorista Nathan Fairbairn enriqueceu demais o traço do Bryan O'Malley.
Permitindo-me um pouco de futilidade (ah, quer saber? nem é), preciso admitir que adorei as roupas, sapatos e cabelos das personagens. Olha só a Hazel:
O tema explorado é bem clichê, mas pelo menos o Bryan O'Malley mostra-se disposto a fazer piada em relação a isso no próprio quadrinho (risco de spoiler):

Miss Pettigrew lives for a day - Winifred Watson

Sobre o livro: 
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Fiquei com a impressão de que uma possível versão cinderela chick lit de My Man Jeeves resultasse em algo parecido a esse livro.

O livro de Winifred Watson é até ~fofinho~, porém a Senhorita Pettigrew torna-se gradativamente tediosa ao longo da narrativa; particularmente quando, inesperadamente, ela manda isto:
"I wouldn’t advise marrying him. I don’t like to jump to conclusions, but I think there was a little Jew in him. He wasn’t quite English."
(⊙︿⊙) Complicado. Se bem que a obra foi originalmente publicada em 1938, então talvez não caiba surpresa? Sei lá.

Incluo abaixo uma das ilustrações de Mary Thomson incluída na edição da Persephone Books - essas imagens típicas da década de 30 complementam super bem a experiência da leitura -, acompanhada da respectiva cena na adaptação cinematográfica de 2008; estrelada por Amy Adams e, no papel de Miss Pettigrew, Francis McDormand.    

                                

Vincent - Barbara Stok

Aqui: info, sinopse, etc. 
Tradução: Camila Werner 
(LePM) 
Tendo como ponto de partida a mudança de Van Gogh para Arles, Barbara Stok narra com texto e traço simples, porém muito sensíveis e encantadores, a vida do pintor. Algumas das cartas trocadas entre Van Gogh e seu irmão Theo foram incluídas no quadrinho e também ajudam a contar a história.

Como esperado, vários cenários e figuras que inspiraram os quadros mais famosos de Van Gogh aparecem representados nas ilustrações da quadrinhista; sempre provocando mudança correspondente da paleta de cores utilizada por Stok.

Gostei muito.



Uma, duas - Eliane Brum

Sobre o livro:
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"Eu a salvei, mas a salvei de mim mesma. Fui ao mesmo tempo sua assassina e sua heroína. E acredito que é isso que todas as mães são em alguma medida. (...) Eu sei que sabia o que fazia. O que eu não sabia e não sei até hoje é como fazer diferente. Como a gente cria uma vida que não seja um grande mal-entendido."

Exceto por uma crônica linkada no twitter e da qual não havia gostado nada, não conhecia o trabalho da Eliane Brum. Entretanto, como não resisto ao tema "mãe e filha", fui conferir esse livro de ficção dela e tive uma boa surpresa. A leitura é ágil e a narrativa desenvolve uma história realmente intensa e impactante; tendo ocorrido alguns momentos de nó na garganta.

A relação que tenho com minha mãe não é digna exatamente de um comercial de margarina, mas, olha, passa bem longe daquela retratada nesse livro. É, acho que posso dizer que saí da leitura com um pouco mais de perspectiva. 

Deixo aqui a seguinte reflexão que a personagem Laura fez na ocasião em que levava sua mãe com câncer terminal ao hospital:
"E nem naquele momento o cachorro deixa de fazer cocô. É isso afinal a vida. Só ao morrer descobrimos que essas cenas e esses dias patéticos são grandiosos. E que há poesia no cachorro que caga."