05/02/2015

Era uma vez um corredor - John L. Parker Jr.

Info, sinopse, etc.

Livro de ficção que narra  a  jornada  de  treinos  e  competições  de  um corredor   universitário americano na batalha para "destruir cronômetros" e tornar-se um grande atleta. Aqui, não há uma abordagem, digamos, poética ou metafórica da corrida; pois como diz nosso narrador: 
"(...) (Cassidy) sabia do que os corredores místicos, os joggers, os corredores poetas, zen e outros da mesma espécie estavam falando. Mas também sabia que seus egos eufóricos geralmente não eram vistos nas manhãs sombrias e chuvosas. Basicamente, queriam falar daquilo, não fazer. (...) (Ele) Não corria por motivos criptorreligiosos, mas para vencer corridas, percorrer distâncias com rapidez. Não apenas para ser melhor que seus pares, mas melhor que ele mesmo."
(xii, acho que a carapuça serviu aqui. ¯\_(ツ)_/¯ )
Enquanto obra literária, na minha humilde opinião, o livro é bem ruinzinho. As páginas gritam na cara do leitor que o autor é apenas um cara apaixonado por corrida que, um belo dia, julgou por bem escrever um livro de ficção sobre o tema. 
Apesar disso, acredito que admiradores e corredores conseguem ter uma experiência prazerosa com a leitura, pois há realmente muitas passagens interessantes envolvendo as peculiaridades do esporte; com destaque para uma ótima descrição de uma prova de uma milha, sob a perspectiva do corredor em cada uma das voltas. 
Arquivando e comentando alguns trechos:

(1) "Como eu sabia que você tinha corrido uma milha em quatro minutos e meio na escola? Fácil, todo mundo corre uma milha em quatro minutos e meio na escola. - Frank Shorter, CORRENDO POR AÍ, por volta de 1969."
Morrendo de vergonha, pois meu tempo é...er, deixa pra lá.





(2) Corredores de longas distâncias x Velocistas:

"Os corredores de longa distância eram mensageiros serenos (...) seus antepassados espirituais mantinham as próprias deliberações solitárias durante longas horas, enquanto carregavam alguma mensagem (...) Viviam dentro de si mesmos, eram assim há muito tempo, e são assim hoje. (...) obsessivo-compulsivo (...) provavelmente era um dos requisitos de um verdadeiro corredor de longa distância."  

"Com os velocistas a história era bastante diferente. Sua arte girava em torno de um único instante explosivo (...) talvez fossem descendentes espirituais das tropas de assalto, que pulavam sobre trincheiras (...) eram nervosos, irritáveis (...) eram os maníacos-depressivos do mundo do atletismo."
(3) Devaneios típicos durante uma corrida:
Com grande angústia, Cassidy se exauria atrás dele. "Não é tão ruim assim", pensou, "estou morrendo, só isso. Mas aguente firme, seu idiota, e talvez você possa ser o herói no fim."
(4) Como corredora noturna e já vítima de alguns insultos, consigo me identificar:
"A noite tornava ainda mais agudos os sentidos do corredor, mais tocante sua solidão, fazia o ritmo rápido parecer ainda mais rápido, criava urgência, um suave entusiasmo no ato de se deslocar sozinho. A atmosfera imaculada de seu devaneio de vez em quando era estragada por algum idiota num Chevrolet que gritava "corre, corre!". Cassidy costumava exibir automaticamente um dedo em riste ou ... algum palavrão."
(5) "Ainda não tive aquela sensação de euforia de que os corredores tanto falam."
Poxa, eu sim. Defendo categoricamente que a endorfina do esporte não é lenda urbana ou mito científico, embora seja verdade que não dura muito tempo.

(6) E a essência do livro; que acredito aplicar-se não apenas à corrida:
"Qual era o segredo, eles queriam saber (...). E nenhum deles estava preparado, de verdade, para acreditar que não tinha tanto a ver com química ou truquezinhos mentais, e sim com esse mais superficial e às vezes excruciante processo de gastar, molécula por molécula, a borracha dura de que era feita as solas dos seus tênis de treino. O Sacrifício dos Quilômetros; Quilômetros de Sacrifício. Como poderia esperar que entendessem isso?"

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