02/02/2015

O Lírio do Vale - Balzac

Sobre o livro: clique aqui
Tradução: Rosa Freire d'Aguiar
Tópicos breves do diário de leitura:
(1)  E não é que o livro ganhou, em 1970, uma adaptação televisiva na França?!
 
(* Pausa para apreciar o cabelo e o bigodinho do nosso herói*)
Gaaaaaato!

Bendita seja, pois eu bem que merecia ver o Sr. Félix de Vandenesse em cena, no ápice de sua sedução. Aprendam, pois é assim que não se aborda uma donzela na balada:

                                

(2)  "Aqui, Natalie, nada é romanesco: para se descobrir o infinito dos sentimentos profundos, é preciso ter jogado, na juventude, a sonda nesses grandes lagos à beira dos quais vivemos. Se para muitos seres as paixões foram torrentes de lava escoadas entre margens ressequidas, não existem almas em que a paixão contida por dificuldades intransponíveis encheu com uma água pura a cratera do vulcão?"

-  Nesse caso, Sr. Félix de Vandenesse, sou obrigada a afirmar que não lancei sonda nenhuma na juventude e que minhas torrentes de amor escoaram por margens ressequidas mesmo.
Sério; esse jovem apaixonado passou, sei lá, umas quatro fucking páginas descrevendo em detalhes toda a felicidade e os pormenores do processo de coleta de flores no campo e composição de um buquê para oferecer à amada. Oi? 
A linguagem dele é tão ridiculamente dramática e grandiloquente, que, felizmente, acabou não sendo difícil levar tudo na piada e conseguir me divertir com a estupidez da narrativa e do romance insano.
Chegando agora na reta final do livro, minha incredulidade com a história está atingindo níveis alarmantes. 

(3) Estou pas-sa-da com a carta final desse livro.
A resposta que Natalie de Manerville dá a Félix de Vandenesse é, muito provavelmente, o que a quase totalidade dos leitores também gostaria de dizer ao sujeito:
"(...) não imite as viúvas que falam sempre de seu primeiro marido, que sempre jogam na cara do segundo as virtudes do defunto. (...) Sabe por quem me enchi de pena? Pela quarta mulher que você amará. Esta será necessariamente obrigada a lutar contra três pessoas (...) Renuncio à gloria laboriosa de amá-lo: precisaria de demasiadas qualidades católicas ou anglicanas, e não me agrada combater fantasmas. (...) Por mais que faça, uma mulher jamais poderá proporcionar-lhe alegrias iguais à sua ambição. (...) Às vezes você é entediante e entedia, dá à sua tristeza o nome de melancolia: que seja. Mas é insuportável (...) então não conhece as mulheres? Elas são o que são, devem ter os defeitos de suas qualidades. Você encontrou Lady Dudley cedo demais para poder apreciá-la, e o mal que diz dela parece-me uma vingança de sua vaidade ferida; você compreendeu a Sra. de Mortsauf tarde demais, puniu uma por não ser a outra (...) você precisa se casar  com uma Sra. Shandy, que nada saberá do amor...indiferente a esses momentos de tédio que você chama melancolia (...)"
Na minha modesta opinião, devo dizer que esse livro parece tratar mesmo é de traumas psicológicos relacionados à figura materna, o vulgo inglês "mommy issues". O rapaz claramente espera encontrar na mulher amada a figura materna idealizada que ele afirma não ter tido quando criança. E o comportamento da Sra. de Mortsauf, por sua vez, sugere ser consequência da má relação que ela diz ter tido com a mãe; obrigando-a a dar aos filhos o tratamento materno exemplar que fora-lhe negado. É um romance bem doentio.

Considerando-se o destino final que Monsieur Balzac reserva a Henriette, e que o Sr. Félix tem os ~olhos cheios de lágrimas~ página sim e outra também, dedico-lhes esta trilha sonora:

                    


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