19/02/2015

The Bluest Eye - Toni Morrison

(info, sinopse, etc.)
Ok, a primeira impressão da leitura foi de surpresa, pois não encontrei em The Bluest Eye - primeiro livro publicado pela autora e primeiro dela que leio - a prosa super hermética que os comentários alheios sobre a Morrison me fizeram antecipar. Nessa obra, pelo menos, encarei uma escrita simples e enxuta, e a leitura foi bastante fluida (li em duas tacadas).

Usando termos chulos próprios da leitora ordinária que sou, diria que o livro traz uma prosa "sangue nos olhos"; que "mata o leitor na unha" logo nas primeiras páginas, quando uma bomba é casualmente lançada na nossa cara. Toni Morrison destrói geral sem descer do salto.  

A autora recorre à construção de uma ficção narrada como uma colcha de retalhos - há mudanças de narrador e do foco narrativo; recuos e avanços na linha temporal - para tentar encontrar alguma lógica por trás de uma situação real que lhe ocorrera durante a infância: uma amiga negra havia lhe confessado querer ter os olhos azuis. 

"You looked at them and wondered why they were so ugly ... then you realized that it came from conviction, their conviction. It was as though some ... master had given each one a cloak of ugliness to wear ... They had looked about themselves and saw nothing to contradict ..."
"...if those eyes of hers were different, that is to say, beautiful, she herself would be different. ... she would never know her beauty. She would see only what there was to see: the eyes of other people."
O que achei interessante no livro, e para o qual tiro o chapéu, foi o fato de que o texto da autora não reserva espaço para qualquer tipo de condescendência ou de maniqueísmo, seja com brancos ou com negros (exceto pela criança protagonista da história; completamente imaculada). Não adianta querer simplificar as coisas, porque nesse livro (e na vida, afinal) não rola. 
"There is really nothing more to say - except why. But since why is difficult to handle, one must take refuge in how."
A maneira recorrente com que ela aborda a religião, explorando sua onipresença invariavelmente nefasta na vida e na condução do comportamento das personagens, também me agradou muito. A menos que eu tenha entendido errado, suponho que nossas opiniões sobre o tema se relacionam amigavelmente.

Achei um bom livro e gostei da leitura, mas confesso que minhas altas expectativas esperavam mais. De qualquer modo, não desanimei em nada e ainda pretendo ler Beloved e Song of Solomon.
“All of our waste which we dumped on her and which she absorbed. And all of our beauty, which was hers first and which she gave to us. All of us--all who knew her--felt so wholesome after we cleaned ourselves on her. We were so beautiful when we stood astride her ugliness. Her simplicity decorated us, her guilt sanctified us, her pain made us glow with health, her awkwardness made us think we has a sense of humor. Her inarticulateness made us believe we were eloquent. Her poverty kept us generous. Even her waking dreams we used--to silence our own nightmares. And she let us, and thereby deserved our contempt. We honed our egos on her, padded our characters with her frailty, and yawned in the fantasy of our strength."

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