13/09/2015

You get so alone at times that it just makes sense - Charles Bukowski

(info, sinopse, etc.)

Já faz um tempinho que terminei essa leitura, portanto as impressões não estão mais tão frescas. De qualquer modo, gostaria de deixar algo registrado sobre o livro.

O interesse por essa coletânea de poesias foi despertado, de modo facilmente dedutível, pelo seu título espetacular. Como sócia emérita dos clubes "Forever Alone" e "Stay Home Club", não pude deixar passar um livro com tal título quando o vi na matéria do The Millions - A brief history of the colloquial title. 

Confesso que tenho pouquíssima experiência na leitura de poesias - invariavelmente ou não me tocam/dizem nada, ou parecem-me piegas/torpes -, porém gostei muito da poesia do Buk, que pode ser lida quase como um micro conto.

Essa leitura permitiu, inclusive, que eu compreendesse melhor o conflito de sentimentos que o autor me desperta, pois restou claro que os elementos de identificação com a personalidade dele superam em larga escala alguns de seus traços que me afugentam. E considerando que leio/ouço muitos comentários afirmando que Bukowski é coisa de adolescente, chega a ser um pouco cômico e desconcertante. O fato é que gosto, sim, bastante do humor, ironia e melancolia que permeiam o texto dele.

Dentre os vários temas explorados de forma recorrente pelo autor, marcaram-me especialmente:

1. Fofoca e treta literárias! E não é que o Buk tinha vários desafetos literários (não, eu não sabia)?!
I'm looking at you, Fitzgerald. And you too, Tolstoy, Shakespeare, Mann, ....

Gosto disso, pois é libertador e democrático. Mas, ó, o Fitz eu ~até que super entendo~ (e talvez até concorde?), mas o Bardo e o Tolstoy, Bukowski? Não faz isso.

...

2. Trânsito como metáfora para vida? Lógico que sim. (abaixo, os grifos são meus)

drive through hell

the people are weary, unhappy and frustrated, the people are

bitter and vengeful, the people are deluded and fearful, the

people are angry and uninventive

and I drive among them on the freeway and they project

what is left of themselves in their manner of driving—

some more hateful, more thwarted than others—

some don’t like to be passed, some attempt to keep others

from passing

—some attempt to block lane changes

—some hate cars of a newer, more expensive model

—others in these cars hate the older cars.

the freeway is a circus of cheap and petty emotions, it’s

humanity on the move, most of them coming from some place they

hated and going to another they hate just as much or


more.

the freeways are a lesson in what we have become and

most of the crashes and deaths are the collision

of incomplete beings, of pitiful and demented

lives.

when I drive the freeways I see the soul of humanity of

my city and it’s ugly, ugly, ugly: the living have choked the

heart

away.
                                                  ...

3. E gostei também muito deste, citando famosos artistas como referência na abordagem do tema.

beasts bounding through time

Van Gogh writing his brother for paints

Hemingway testing his shotgun

Celine going broke as a doctor of medicine

the impossibility of being human

Villon expelled from Paris for being a thief

Faulkner drunk in the gutters of his town

the impossibility of being human

Burroughs killing his wife with a gun

Mailer stabbing his

the impossibility of being human

Maupassant going mad in a rowboat

Dostoevsky lined up against a wall to be shot

Crane off the back of a boat into the propeller

the impossibility

Sylvia with her head in the oven like a baked potato

Harry Crosby leaping into that Black Sun

Lorca murdered in the road by the Spanish troops

the impossibility

Artaud sitting on a madhouse bench

Chatterton drinking rat poison

Shakespeare a plagiarist

Beethoven with a horn stuck into his head against deafness

the impossibility the impossibility

Nietzsche gone totally mad

the impossibility of being human

all too human

this breathing

in and out

out and in

these punks

these cowards

these champions

these mad dogs of glory

moving this little bit of light toward

us

impossibly.
....
* Preciso mesmo dizer que passei o resto do dia cantarolando Get along Gang?  Não, né?  Ok, então.

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