13/09/2015

My Uncle Napoleon - Iraj Pezeshkzad

(info, sinopse, etc.)

Encarei a leitura desse livro sob a influência da epifania avassaladora promovida pelo discurso da Chimamanda Adichie no Ted Talks - The danger of a single story.

Especificamente, foi assim: 1. uma moça inglesa apresenta o livro em um daqueles vídeos de Book Haul do You Tube (YT)  -  eu: "- hum, capa bem legal." - , 2. ela diz que o autor é iraniano  -  eu: "- say what?"  -  e 3. diz também que é uma popular comédia naquele  país -  eu: "- say whaaat?".  Ou seja: a lição da Chimamanda me deu um tapa na cara (- Pois é, os iranianos têm, sim, senso de humor, veja só. Dá para largar mão dos estereótipos e preconceitos, faz favor?) A vergonha e constrangimento foram tamanhos, que na mesma hora adquiri um exemplar.

O livro foi publicado em 1973 e, até onde pude compreender, parece ser mesmo um grande sucesso no país; tendo ganhado, inclusive, uma famosa adaptação para a TV iraniana - segue videozinho do YT:




Pelo que li em resenhas, a obra de Iraj Pezeshkzad também parece ser muito bem recomendada pela autora Azar Nasifi no seu livro "Lendo Lolita em Teerã"  (já na listinha de leitura).

Apelando para a salada de referências na tentativa de explicar sucintamente a história, eu diria que trata-se de uma espécie de Dom Quixote iraniano narrado através de uma prosa que lembra com algumas ressalvas o estilo do Ariano Suassuna, mais umas leves pitadinhas de Romeu e Julieta e, não sei, uns programinhas globais  talvez (novelinha + zorra total). Pois é.

Trata-se de uma comédia de costumes, uma sátira na qual as personagens são super caricatas e, não à toa, quase todas têm pelo menos um bordão repetido ad infinitum.  Rolam muitas piadas com peido, sexo, castração de maridos, chifres conjugais, brigas e fofocas familiares, tiros na bunda, trocadilhos infames e por aí vai.

A paranoia quixotesca do tio iraniano relaciona-se à história do próprio Irã: tendo - segundo ele próprio alega, veja bem - atuado nas lutas da Revolução Constitucional Iraniana, o tio patriarca da família vive de relatar peripécias megalomaníacas e heroicas durante tais conflitos. Com o advento da segunda guerra mundial, ele então passa a crer piamente que os ingleses retornarão para se vingar dele, restando contar com a ajuda de Hitler para se safar. (I know!!) Aliás, é dessa relação com os ingleses que surge sua admiração pela figura de Napoleão Bonaparte (razão do apelido).

Para ser bem honesta, comigo não funcionou muito.  O livro tem mais de 500 páginas e a fórmula tornou-se enfadonha e sem graça bastante rápido. Foram pouquíssimos os trechos em que efetivamente ri. De qualquer jeito, vale retomar a lição da Chimamanda: só por ter descoberto que, sim, iranianos também fazem piadas de teor escatológico e sexual, acho que já valeu a pena. Menos um estereótipo canhestro na minha vida. 

(olha aí o tio Napoleão.)
E há um bordão do qual não me esquecerei muito facilmente (pertencente ao Sancho Pança iraniano):

"Mash Qasem (...) every time we asked him a question he would first say, “Why should I lie? To the grave it’s ah . . . ah . . . !” 
And as he said “Ah . . . ah” he’d show four fingers and later on we realized he meant that since the grave was very close, only the width of four fingers away, one mustn’t tell lies."

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