20/02/2016

Guerra e Paz - Liev Tolstói / Diário de Leitura #02


Em 2016, leio Guerra e Paz pela primeira vez e registro* aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada uma das partes dos quatro tomos e epílogo.

Postagens anteriores: DL #01.

Edição: Cosac Naify - 2 volumes - 2490 páginas; Tradutor: Rubens Figueiredo.
Programação inicial: ~ 110 páginas/semana.
Duração total estimada: 22 semanas.
Início da leitura: 24/01/2016.
Fim estimado: 25/06/2016.

* (~tento~, pois a primeira investida de diário de leitura nesse blog morreu no meio do caminho...)

Tomo 1 - Segunda Parte

 É, pessoal, a guerra começou. Nessa segunda parte, acompanhamos o período de outubro a novembro de 1805, durante o qual as tropas russas, aliando-se a austríacos e alemães, ~tentam~ avançar para cima dos francesinhos, e falham miserável e vergonhosamente. 

No geral, achei essa parte meio chatinha. Sim, é isso mesmo: a pessoa decide ler um livro intitulado Guerra e Paz, e acredita ser plenamente razoável reclamar de descrições de batalhas. Estou um pouco envergonhada, mas preciso reconhecer que talvez a carapuça em forma de acusação do Andrei Bolkónski (primeira parte) esteja servindo em mim, pois a única coisa que quero saber  é: quando voltaremos aos salões, mexericos, bailes, vaidade, futilidade

 Ainda sobre militares: a tonta, aqui, não sabia que o pronome de tratamento a ser utilizado fosse "Vossa Excelência". Achei... estranho? Sendo tonta no. 02: só agora entendi as cores da capa da (finada) Cosac. ¯\_(ツ)_/¯    E sendo tonta no. 03:

"Ali a nossa infantaria tomara posição e, bem na ponta, viam-se DRAGÕES. (...) amarrado nas carretas os dois canhões ainda inteiros, dos quatro que formavam a bateria (um canhão quebrado e um UNICÓRNIO foram abandonados), ..."







(Dicionário) Dragão: antiga peça de artilharia; soldado de                                                    cavalaria que também combate a pé.

(N.T.) Unicórnio: tipo de canhão antigo russo, com a boca fina.


(Bom, nunca afirmei, nesse blog, que eu fosse inteligentona...)


↪    "- O que está havendo coronel? Eu disse ao senhor para queimar a ponte, (...) 
- O senhor me falou de materiais inflamáveis, mas não me falou nada de incendiar. 
- Mas, meu caro, como é que eu não disse para incendiar a ponte, se instalaram o material inflamável? 
- Não sou seu "caro", e o senhor não me disse para queimar a ponte! Conheço o meu dever e tenho o hábito de obedecer às ordens com rigor. O senhor disse que iam queimar a ponte, mas não disse quem ia queimar, e eu não podia saber por obra do Espírito Santo..."
Bom, segue imagem real do exército russo em 1805:


Ah, e olha quem também foi lutar com os russos:

"(...) - berrou Denissóv, que não conseguia pronunciar o r."

Sério, essa parte do livro descreve uma sequência de trapalhadas bizarras e surpreendentemente muito engraçadas cometidas pelo exército russo. Na primeira parte do tomo I, eu já havia suspeitado de que aquele bando de jovens em uma guerra contra Bonaparte daria merda, mas não tinha imaginado que ela seria assim tão homérica. O retrato desacreditador que Tolstói faz do exército russo é espantoso: 1. riam do perigo e do inimigo; 2. faziam piadas hediondas com "presuntos" e estupro de freiras; 3. estavam frequentemente embriagados, 4. roubavam uns aos outros. 5. mal terminados os confrontos, falavam gracinhas sobre relatórios que pudessem garantir promoções; 6. pouco importavam-se com os hussardos na linha de frente; etc. A narrativa permite concluir que eram - a maioria - um bando de patifes completamente inexperientes que, de fato, não sabiam onde tinham se metido. 

 E, nesse ponto, ficou realmente um pouquinho mais difícil distinguir todas as personagens. Os militares multiplicam-se feito Gremlins! 


 Dólokhov e Nikolai tiveram comportamentos que corroboraram bem o que eu havia dito no DL #01 sobre o que seria possível esperar da juventude extrema que havia se alistado para lutar no conflito. O desempenho do pobre Nikolai Leite com Pera já foi ilustrado no início do post; então só resta comentar algo sobre o Dólokhov, ou melhor, perguntar: quem é e qual é a dele afinal de contas? Suspeito de que eu deva aguardar grandes feitos dessa figura sobre a qual Tolstói, até aqui, só tem oferecido pequenos lampejos de informação: um rapaz petulante, orgulhoso, inconsequente e ardiloso. Vamos acompanhar o sujeito.

 Voltando ao Andrei Bolkónski: preciso reconhecer que, a despeito do seu discursinho em relação às mulheres na primeira parte do tomo I, ele tem ganhado de jeito o coraçãozinho da presente leitora. Assim como ele, sou exatamente o tipo de pessoa que teria um rompante de cólera se coleguinhas, no meio de uma guerra, decidissem fazer piadinhas de gosto duvidoso para desanuviar. E o discurso final que ele proferiu dando os devidos créditos ao Túchin (que salvara os russos da humilhação completa contra os franceses) foi notável. 

↪ É, a labuta começava cedo para os russos: 
"Ainda era um homem jovem, mas já era um diplomata vivido, pois começara a carreira aos 16 anos."
 Curiosamente, o narrador do livro posiciona-se como russo (próprio Tolstói, explicitamente?) ao referir-se recorrentemente ao exército da Rússia como "nosso, nossa..."

"- Mas que gênio extraordinário! - exclamou de repente o príncipe Andrei, cerrando a mão pequena e batendo com ela na mesa - E que sorte tem esse homem!"

The Driver's Seat - Muriel Spark

     
The Driver's Seat é uma espécie de thriller psicológico, com pitadinhas de tragicomédia, cuja maior virtude reside na forma, por meio da qual Spark parece propor uma série de provocações acerca das clássicas "regras do jogo" referentes a thrillers policiais:

 Provocação 01 - Aparece explicitamente no trecho destacado no início deste post: o principal mistério a ser desvendado pelo leitor refere-se ao porquê dos fatos. Logo no início, a narrativa revela que a protagonista será encontrada morta a facadas. Essa provocação, a meu ver, é a mais desconcertante para o leitor, pois, concluída a leitura, o livro realmente não nos permite chegar a nenhuma conclusão definitiva e satisfatória.

❥ Provocação 02 - Muriel Spark faz uma tremenda embaralhada nos conceitos de agressor/vítima, presa/predador; caça/caçador. As circunstâncias do crime são tão surreais e mal explicadas (deliberadamente), que fica bastante difícil não vacilar ao tentar apontar qual personagem assume cada um desses papéis.

❥ Provocação 03 - Não sou leitora habitual desse gênero literário, mas me parece que, nessas narrativas, o mais frequente é que as mulheres apareçam na mesa do médico legista, enquanto aos homens reserva-se o papel do serial killer. Bom, Spark também dá um jeito de complicar essa fórmula. E não; não trata-se de uma mera inversão de posições.

❥ Provocação 04 - Refere-se ao título da novela: o que significa estar no comando de sua própria vida ou, de outro modo, assumir o assento do motorista e não apenas sentar passivamente como passageiro? A resposta até parece ser simples, mas Spark mostra que também é possível complicar isso. Apenas como exemplo (não diretamente relacionado ao livro), eu proporia este questionamento: o suicida, no momento em que acaba com sua própria vida, a fim de pôr fim ao sofrimento infligido pela depressão, estaria assumindo a direção de sua vida ou seria um mero passageiro da Depressão?

(A partir desse ponto, haverá possíveis SPOILERS.) 

Na tentativa de extrair uma explicação mais palpável à novela, registro esta teoria interpretativa encontrada num fórum de discussão do GoodReads, a qual achei genial: seria a narrativa, na verdade, uma colagem dos depoimentos das pessoas que cruzaram o caminho de Lise, culminando com o depoimento final do assassino? É uma hipótese capaz de explicar as várias informações desencontradas a respeito da personagem e a (aparente/suposta?) singularidade de seu comportamento. Afinal, na tentativa de desacreditar as vítimas mulheres, qual costuma ser o tom do discurso de homens agressores? Não costuma ser exatamente este: "ela era louca, ela me seduziu, ela pediu para morrer, ela me arrastou para lá, olha como ela se vestia, ela foi vista beijando um desconhecido."?

Chéri - Colette

Sobre o livro: info, sinopse, etc.
Tradução: André Telles. (Record)

Pois é; só que a Colette foi lá e escreveu a história de uma mulher de 40+ anos que, a despeito de suas próprias dúvidas e inseguranças, recusou-se a ser encavernada pela sociedade. Na Paris do início do século XX, Léa de Lonval manteve um romance tórrido de sete anos de duração com um estonteante jovem de ~20 anos. De um lado, "a velha amante carcomida"; do outro, seu "escandaloso jovem amante". Ah, Colette, eu acho mesmo que o título do livro deveria ter sido Léa de Lonval.

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Envelhecer, independente de gênero, não costuma ser fácil para a maioria das pessoas; contudo, para as mulheres, esse processo parece gerar um escrutínio social que em nada se compara ao tratamento reservado aos homens na mesma situação. Em 1920, Colette abordou o tema (dentre outros, deixo claro) na sua obra Chéri; e, lendo-a quase um século depois de sua publicação, surge o questionamento inevitável: isso ainda é relevante? Bom, fiz uma recapitulação rápida e... Não foi a Madonna que, em maio de 2015, teve de explicar porque ainda ousava continuar trabalhando na sua idade?

E, bem recentemente, não foi a Gillian Anderson quem não engoliu o sapo que a mídia empurrava-lhe, sobre a sua aparência nos episódios da atual nova temporada de Arquixo X?


É; estou achando que ainda é relevante, hein. Que coisa. 

10/02/2016

[X] - Arquivando a Folia 2016

 
Pois é, nunca vi Arquivo X. ¯\_(ツ)_/¯

Em minha defesa (acho que a série pede defesa, né?), cabe esta embaraçosa confissão: eu tinha medo de assistir, pois fiz parte da geração (existiu?) de crianças traumatizadas por filmes de alienígenas que 1. abduzem pessoas, 2. introduzem instrumentos fálicos em múltiplos orifícios humanos e 3. engravidam mulheres com bebês alienígenas. Sim, eu assisti ao E.T., mas a singeleza não foi suficiente para neutralizar o horror dos aliens ~do mal~. O trauma era tão intenso, que - cá entre nós - houve um tempo em que eu dormia de janela fechada por medo de ser abduzida. ENFIM.....!!

Com a atual volta da série, me animei para tentar encará-la. Aliás, haja animação para encarar mais de 200 episódios com ~50 minutos de duração. Iniciei essa empreitada definindo a meta de derrubar a primeira temporada durante este carnaval. Segue um diário da maratona, com fotos e/ou observações aleatórias/inúteis; episódio a episódio.

Art(edited)/gif by Lucile Patron  

Arquivo X - Primeira Temporada

✗ S01E01 - Pilot

* Certo; deram uma boa e rápida apresentação das regras do jogo: Mulder - psicólogo formado em Oxford - está ficando muito ~saidinho~ na condução dos X Files - casos relacionados a "fenômenos inexplicáveis" - (quem será que está ficando tão incomodado? Vamos acompanhar.) -, e recrutam a Scully - formada em Medicina e Física - para meio que ficar de babá dele. É, acontece.

* Ah, já no piloto o Mulder fala sobre a irmã abduzida aos 08 anos, quando ele tinha 12 anos. É, dessa história, eu já sabia.

* E parece que, durante o flash (?) em que houve "tempo perdido", a Scully ganhou marcas. Aliás, foram três, e não as duas conforme demais garotos abduzidos da turma. Significa que...? Eles/Ela foram/foi abduzidos/abduzida durante aqueles minutos? E por que o Mulder mentiu? Isso vai dar merda; vamos acompanhar.


* Os. malditos. implantes!!!!! ARGH, é mesmo, como eu pude me esquecer desses troços assustadores dos filmes que eu via? E ainda tem espaço para mais um na caixinha que, "por acaso", está no Pentágono. Sei. (Aquele é o tal "Canceroso"? É, acho que sim.)

* E o Mulder corre. É claro que o Mulder corre. ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥!!!


✗ S01E02 - Deep Throat
* Nossa, quanta mudança em relação ao piloto (fotografia, áudio, cabelos...)! No entanto, segundo o IMDb, não houve nenhum intervalo entre as datas de exibição dos dois episódios. E só aqui apareceu a famosa e ótima música de abertura.

* Foi bem rápido: já tivemos o primeiro OVNI! Quer dizer, mais ou menos, pois trata-se de uma espaçonave militar fabricada com tecnologia alienígena. Eita!!


* Parece ser meio complicado lidar com o raciocínio do Mulder. Se você mesmo não dispuser de uma boa justificativa, ele com certeza sempre terá uma de suas teorias para oferecer. Ele opera praticamente com uma versão do "Because of Reasons" (vira:) → "Because of Aliens". Pobre Scully.

"The truth is out there." (...)
"They've been here a long, long time."
(mãe, tô com medo)

* Por favor, que belíssimo topete:



✗ S01E03 - Squeeze
* É, aqui as coisas ficaram um bocadinho trashy. Um mutante com mais de 100 anos que, a cada 30 anos, sai do estado de hibernação para comer cinco fígados? Como é que é?

*

Sim, já era: estou completamente apaixonada pelo Mulder. ♥♥♥♥♥♥


"You may not always agree with me, but you respect the journey."
Awwnn, que bonitinha a construção do relacionamento entre o Mulder e a Scully.


✗ S01E04 - Conduit
* Estou começando a perceber que é preciso ficar beeeem longe de florestas.

* Muito engraçada a dinâmica que se estabelece entre o Mulder e a Scully:
1. ela pergunta o que ele acha,
2. o Mulder manda sua explicação - Muldersplaining! - e
3. Scully rebate com suas impagáveis variações de "cara de incredulidade."
Mas será que o Mulder estará certeiro em todos os episódios ou ele vai mandar algumas bolas pra fora ao longo da série? Vamos acompanhar.


It's Ruby! Oh!

* E temos mais algumas informações sobre a abdução da irmã do Mulder. "Não tenha medo, não vamos machucá-la, ela vai voltar." Será que a "voz" disse mesmo a verdade? Vamos acompanhar.


✗ S01E05 - The Jersey Devil
* Olha lá, é a floresta de novo. Eu avisei, não avisei?

* Ok, agora foi trashy hardcore.
The resemblance is remarkable!


* Esse papinho da Scully com a maternidade; papo de que "ela vai entender quando tiver filhos"... sei não... Juntando com aquelas marquinhas lá... significa um futuro...: ALIEN BABY???!!! E os pingentes religiosos e de crucifixo dela são pistas de alguma coisa? Os caras ousaram mesmo fazer a provocação in the end, it's all a matter of believing?! Vamos acompanhar.



✗ S01E06 - Shadows
* Exploramos o fascinante fenômeno da manipulação psicocinética + fenômenos espectrais fantasmas. Heavy Shit.


✗ S01E07 - Ghost in the Machine
* Episódio sobre inteligência artificial. Chato.


✗ S01E08 - Ice

* Esse episódio foi maravilhosamente trashy. Os dois foram parar no círculo polar ártico, enfrentando um parasita pré-histórico(?) / alienígena(?). Tosco no melhor nível possível. Amei. (E houve participação especial da futura Mrs. Soprano.)


✗ S01E09 - Space
* Também achei meio chato. Um marciano espectral (?) que parasita um ex-astronauta.

* E a Scully parece estar pronta para participar do clipe da Janet Jackson:


✗ S01E10 - Fallen Angel
* Mais uma história de abdução - esses e.t.'s são bastante ativos, não? -, com um alien na Terra e efeitos especiais seriamente toscos.

* E quem é o sujeito fingindo-se de amigo do Mulder? A gente pode confiar nesse cara? Qual é a dele, afinal? Vamos acompanhar.

* Poxa, a Scully nunca testemunha os fenômenos. Vai ser sempre assim? Vamos acompanhar.

* (ufa, não tenho cicatriz atrás da orelha.)


✗ S01E11 - Eve
* Em linhas gerais, é o episódio em que Arquivo X antecipa Orphan Black. Também me fez lembrar do mangá Monster. De qualquer modo, não é mesmo uma premissa exatamente original: experimentos genéticos conduzidos durante a segunda guerra mundial, que acabaram dando muito errados. Já encheu. 


✗ S01E12 - Fire
* Show do mutante pirotécnico; enquanto o Mulder, coitado, sofre de pirofobia.

* E os roteiristas têm a pachorra de mandar uma ex-namoradinha do Mulder, diretamente da Inglaterra, para pôr mais lenha na fogueira (pegou?) da tensão sexual. Só que a Scully, meus queridos, sambou na cara de todos. Até aqui, acho que a série está precisando de mais episódios que, como esse, fortaleçam melhor o protagonismo da Scully. De certo modo, a personagem tem sido muito mais uma ponte para que a personagem do David brilhe. Vamos acompanhar.

* E curiosidade: os celulares começam a aparecer só agora - o episódio foi ao ar em 17/12/93. Mas creio que, no episódio anterior, a Scully também usou durante uma breve cena.


✗ S01E13 - Beyond the Sea

* ~Transmissões psíquicas de outro mundo, do além-mar~.

* Ora, ora; então tivemos, sim, mais espaço para a construção da Scully. Legal.

* O humor do início da temporada parece ter sido abandonado nesses últimos episódios e estou sentindo um pouquinho de falta, confesso.

* Ah, eu tinha esquecido de comentar uma, digamos, ~futilidade~: a pele dos atores aparece nas cenas em close-up como verdadeiros pêssegos. A tecnologia HD desgraçou a vida da galera.

* E estou achando bem interessante a gradativa construção da relação dos dois agentes. Ele chamou ela de Dana pela primeira vez. Awwwnnn.

- Dana, after all you've seen; after all the evidence, why can't you believe?
- I'm afraid. I'm afraid to believe.



✗ S01E14 - Gender Bender
* O famigerado trope "The Evil Demon Seductress"..., não, espera um pouco. Tem um plot twist!

* É, dá pra dar uma ~problematizada~ nesse plot, dado que ele acaba reforçando certos estereótipos: quem se comporta fora do dito normal deve ser um alienígena. E perdão pela dedução hipotética esdrúxula, mas, se você fosse um e.t. vivendo entre humanos, não seria mais inteligente misturar-se entre os ordinários?

Scully, isso não faz o menor sentido.


✗ S01E15 - Lazarus
* Dois caras morrem no mesmo momento, e um deles ressuscita no corpo do outro.

* A facilidade com que o Mulder saca as coisas chega a ser quase irritante.


Obs.: em nota não diretamente relacionada ↪ nesse ponto da maratona, eu acabei tomando um baita spoiler da série no twitter, e estou bem triste. (˘︹˘)


✗ S01E16 - Young at Heart

Vai arrepiar os cabelos... do Mulder???!!
Eita, será que devo continuar assistindo? Estarei preparada??!


* Nhé, mais um punhado de experimentos científicos mambo jambo à la Frankenstein. Muito chato.

* Ah, e todo mundo morre por parada cardíaca, FBI. A pergunta a ser feita é: o coração parou por quê?

* O canceroso deu as caras no finalzinho.


✗ S01E17 - E.B.E.


- Mulder, I've never met anyone so passionate and dedicated to a belief as you. It's so intense, it's sometimes blinding. But there are others that are watching you, who know what I know; and whereas I can respect and admire your passion, they will use it against you. Mulder, the truth is out there, but so are lies.


✗ S01E18 - Miracle Man


*Eu podia jurar que o curandeiro era o Anakin Skywalker. Mas nem é.


✗ S01E19 - Shapes
* Detesto histórias de lobisomens. Chaaaaato, chato.

History, people.

* Licantropia? Existe um termo para designar uma doença em que a pessoa acredita poder transformar-se em um lobo?! Mas veja só. Vivendo e aprendendo.

* - Don't you ever get the creeps?"  É, Scully; admita aí.

* Um problema até aqui com a série: não iniciaram a construção consistente de nenhum grande arco principal de história. Tratam-se, basicamente, de causos pontuais e, bem, episódicos; quero dizer, aquele esquema da "aberração do dia". Essa estrutura narrativa para séries de tv não é exatamente minha favorita.


✗ S01E20 - Darkness Falls
* Ah, olha lá, é a floresta de novo. Já tinha até esquecido.


* Insetos; uma das coisas mais assustadoras que existem. Argh. Episódio bem legal.


✗ S01E21 - Tooms
* Putz, voltamos ao mutante do terceiro episódio. Nhé.

* E devemos chamá-lo Mulder; não Fox. Ok.

* O canceroso abre a boca pela primeira vez.


✗ S01E22 - Born Again
* Episódio bastante parecido com o sexto. Nhé.

"End of field journal; 19/04/94.
Agents of record: Fox Mulder and Dana Scully.
Status: Unexplained."
¯\_(ツ)_/¯


✗ S01E23 - Roland
* Mataram o sujeito enfiando-o dentro de um tanque de nitrogênio líquido. ⊙﹏⊙



✗ S01E24 - The Erlenmeyer Flask
* Vírus alienígenas, genes extraterrestres, terapia genética extraterrestre (!) e... o FBI encerra as atividades relacionadas ao Arquivo X. E agora?!

* Ah, e o "amiguinho" (?) Garganta Profunda já era. (Ou não? Vamos acompanhar.)

Scully, você ainda precisa de mais alguma prova?

* O Canceroso é um alienígena, não é isso? Ou talvez um híbrido? Vamos acompanhar.

#FIM#

Média final da temporada: 7.67.
Dá para melhorar isso aí, pessoal.

Guerra e Paz - Liev Tolstói / Diário de Leitura #01


Em 2016, leio Guerra e Paz pela primeira vez e registro* aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada uma das partes dos quatro tomos e epílogo.

Edição: Cosac Naify - 2 volumes - 2490 páginas; Tradutor: Rubens Figueiredo.
Programação inicial: ~ 110 páginas/semana.
Duração total estimada: 22 semanas.
Início da leitura: 24/01/2016.
Fim estimado: 25/06/2016.

* (~tento~, pois a primeira investida de diário de leitura nesse blog morreu no meio do caminho...)
Tomo 1 - Primeira Parte

↪ Certo, o ponto de partida da história é 1805, e ela inicia-se especificamente com o discurso em francês de uma russa da alta sociedade - Anna Pávlovna Scherer -, no qual ela acusa Napoleão Bonaparte de ser o Anticristo (!). Ok, pode até não ser um "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira", mas já sinaliza bem onde estamos nos metendo. 

Aliás, o início do livro dar-se em francês é bastante significativo e, de certo modo, irônico, dado o iminente embate bélico entre Rússia e França. Segundo a narrativa de Tolstói, é possível deduzir que o francês era praticamente uma segunda (primeira?!) língua oficial do país, pelo menos entre os integrantes da alta sociedade. Até cartas informais, para amigos íntimos, eles escreviam integralmente em francês! 

Dando início às minhas elucubrações habituais, não acho que seria uma extrapolação se eu dissesse que as classes média e alta do Brasil, por exemplo, podem encontrar-se em situação semelhante em um futuro bem próximo, só que em relação ao inglês. Quem já não conhece um tupiniquim incapaz de falar uma única frase que seja sem enfiar uma palavra em inglês? As coisas mudam, mas continuam as mesmas: no século XIX, quem dava as cartas era a França; no século XXI, os Estados Unidos. 

↪ Essa questão do francês é tão relevante no livro, que ela presta-se inclusive para que Tolstói trace o perfil de uma das personagens ao leitor. Hippolyte, o sujeito cujo "(...) rosto era ensombrecido por um idiotismo e exprimia, de forma constante, um azedume presunçoso, (...)" era o indivíduo que, conforme nos esclarece Rubens Figueiredo em uma nota de rodapé, trocava as palavras em francês e que "(...) começou a falar em russo tal como o pronunciam os franceses depois de viver um ano na Rússia." Ou seja, o modo com que Hippolyte falava o francês permite-nos concluir que ele era, basicamente, um babaca presunçoso. 

↪ "E falando em sociedade russa" no. 1... Esse livro parece trazer uma das maiores quantidades de personagens por página quadrada. Apesar disso, não estou tendo (ainda) dificuldades em me situar entre elas e, logicamente, o mérito vai todo para a excelente narrativa da apresentação. Mas, com todo o respeito, Tolstói; ele também vai para as minhas anotações:


Porém já aviso logo que não me sentirei culpada caso eu troque as bolas, visto que nem mesmo as próprias personagens conseguem se situar:
  "- O senhor está enganado (...). Sou Boris, filho da princesa Anna Mikháilovna Drubetskaia. O Rotsóv pai se chama Iliá, mas o filho se chama Nikolai. E eu não conheço nenhuma madame Jacquot.
    Pierre sacudiu os braços e a cabeça como se mosquitos ou abelhas o tivessem atacado.
    - Ah, mas o que é isso? Confundi tudo. Há tantos parentes em Moscou!"

↪ "E falando em sociedade russa" no. 2... Como é que esses russos aguentavam fazer tanto social? Todo dia era uma festinha, um bailinho, uma visitinha, um jantarzinho, um .... Só de ler, eu fico bastante aflita. Fora o climinha esperto de puro disse-me-disse.
"- Nós, aqui em Moscou, andamos mais ocupados com jantares e mexericos do que com política. (...) Moscou está ocupada, acima de tudo, com mexericos - prosseguiu."
↪ "E falando em sociedade russa" no. 3... Por lá, naquela época, as coisas não eram em nada diferentes ao que vale até hoje: o Q.I. - não, claro que não falo do quociente de inteligência; eu falo do "Quem Indique" - deve ser tratado a peso de ouro, pois é o que faz a roda girar na sociedade, coleguinhas.
"A influência na sociedade é um capital que é preciso poupar, para que ele não acabe. O príncipe Vassíli sabia disso e, assim que se deu conta de que se começasse a pedir por todos os que lhe pediam em pouco tempo não poderia mais pedir por si mesmo, raramente fazia uso da sua influência."
↪ "E falando em sociedade russa" no. 4... As ocupações da moda para a alta sociedade eram três: funcionário público, diplomata ou militar. Ok.

↪ "E falando em sociedade russa" no. 5... Quando o assunto é zoeira alcoólica, os russos deixam até brasileiros no chinelo. O nível da brincadeira dos rapazes, na minha opinião, era hardcore (olha aí, a blogueira mandando inglês no meio do texto. não falei?); tipo:

- apostar que seria capaz de entornar uma garrafa de rum e sentar na janela do terceiro andar com as pernas para fora?!
- amarrar um inspetor nas costas de um urso e soltar o bicho nadando em um canal?!

~ô loco, meu.~

↪ "E falando em sociedade russa" no. 6... Aaaaah, o casamento... Se até hoje ainda não tornou-se uma instituição totalmente falida, imagine então naquela época.
"(...) o casamento, a meu ver, é uma instituição divina à qual é preciso conformar-se."
A julgar pelo modo com que o jovem príncipe Andrei Bolkónski trata a esposa, os homens também não escapavam à obrigação social do casamento. Da maneira com que Tolstói descreve, inclusive; a impressão que fica é que o príncipe 1. ou casou-se por conta de uma arma apontada para sua cabeça, ou 2. acordou um belo dia como o Gregor Samsa - "...ao despertar de um sonho inquieto, descobriu-se em sua cama casado com uma enfadonha e bigoduda esposa."

↪ Aliás, vamos aproveitar para dar uma espiada no que andavam falando de nós, mulheres
(1) 
"(...) É uma dessas raras mulheres com quem podemos ficar tranquilos quanto à nossa honra; (...)"

(2) 
"Mas amarrar-se a uma mulher e, como um condenado preso em grilhões, vai perder toda a liberdade. E tudo o que houver de força e de esperança, tudo será só um peso (...). Salões, mexericos, bailes, vaidade, futilidade...eis o círculo vicioso do qual não consigo sair."

(3)
"Meu pai tem razão. Egoismo, vaidade, estupidez, futilidade em tudo: isso são as mulheres, quando se revelam por inteiro, tais como são. Quando a gente as observa na sociedade, parece existir alguma coisa, mas não há nada, nada, nada!"

(4)
"E as duas vão falar até não poder mais. Isso é coisa de mulher."

(5)
"- Mau negócio, hein?
- O quê, meu pai?
- A esposa! (...) não há nada a fazer (...). São todas assim."


↪ Mãããs... Algo que achei bem legal e interessante nessa primeira parte foi a sinalização de que Tolstói talvez explorará, sob uma perspectiva bastante positiva, diferentes relações de forte amizade entre mulheres: 1. Condessa Rostóv x Anna Mikháilovna, 2. Natália x Sônia, 3. Mariá x Julie.
"Choravam porque eram amigas; e porque eram boas; e porque, amigas de juventude, tinham de se preocupar com aquele assunto vulgar - o dinheiro; e porque sua mocidade já tinha passado...Mas as lágrimas das duas lhes eram agradáveis..."
Essa passagem acabou me dando até uma ideia para nome de banda (se eu tivesse uma):

Russian Girlmance.

(não tenho a banda, mas tenho o poster.) (via)
↪ Até esse ponto, a obra de Tolstói indica que focará sua narrativa especialmente na juventude da Rússia da época, e, claro, nos impactos que o confronto com a França causará sobre ela -- praticamente todos os núcleos familiares da história cedem uma de suas jovens figuras à guerra. Retomando-se os perfis traçados, constatamos, então, que a Rússia estava mandando para a guerra, por exemplo, 1. jovens capazes de amarrar inspetores a ursos e 2. jovens que apenas fugiam da vida matrimonial fracassada. Vai dar muito certo, não?

Também por essa razão, achei que esse início evocou, com as devidas proporções e ressalvas, o livro Pais e Filhos, do Turguêniev.
"(...) e ali Pierre se deteve, esperando uma oportunidade para expressar seus pensamentos, como os jovens gostam de fazer." 
"(...), a ingenuidade do seu egoísmo de jovem era tão flagrante que ele desarmava os seus ouvintes." 
↪ Para leitores do século XXI, este comentário do príncipe Nikolai Andréievitch Bolkónski a respeito dos alemães é de causar arrepios:
"Além do mais, começou atacando os alemães. Só os preguiçosos não vencem os alemães. Desde que o mundo é mundo, todos vencem os alemães. E eles não vencem ninguém. Só vencem uns aos outros."
↪ Mária, me perdoa, mas te achei um tantinho chata, sabes
"(...) parece-me inútil ocupar-se com uma leitura ininteligível (...) Vamos ler os apóstolos e o evangelho (...) devemos nos persuadir de que quanto menos dermos asas ao nosso fraco espírito humano, mais agradável será para Deus, que rejeita toda ciência que não venha dele; quanto menos tentarmos nos aprofundar naquilo que Ele houve por bem esconder da nossa consciência, tanto mais cedo Ele nos concederá a descoberta por meio do seu espírito divino."
Será que esse pensamento já espelha o de Tolstói na época? Até onde eu saiba, ele foi um cristão fervoroso.

A Tatiana Feltrin, do canal do YouTube "Tiny Little Things", também está lendo Guerra e Paz (ritmo bem mais acelerado do que o meu), então vou tentar aproveitar a oportunidade para eventualmente "papear" com ela por aqui; respondendo a alguns de seus comentários. Essa parte das postagens, quando/se houver, será: 


Sim! A meu ver, inclusive, o Pierre foi a grande personagem dessa primeira parte da história. Este outro artigo do Guardian - x - alerta que os leitores, ao longo da leitura, mudam com frequência a maneira com que relacionam-se com as personagens, então vamos ver se mudarei de opinião.


É, foi interessante a maneira com que Tolstói expôs as visões antagônicas que o estadista francês despertava entre os russos. Napoleão, de fato, foi e continua (?) sendo uma figura bastante controversa e fascinante da História. A menos que minha memória esteja me deixando na mão, o próprio Victor Hugo, em Os Miseráveis, dedica-se a desconstruir/relativizar a demonização absoluta de Buonaparte que a nobreza francesa insistia em incutir no país. E o discurso do Pierre defendendo-o me fez lembrar muito do meu queridíssimo Julien Sorel (livro O Vermelho e o Negro), o qual venerava Napoleão de um modo quase cômico.

"- Se todos fossem para a guerra só por causa de suas convicções, não haveria guerras - disse.
- E isso seria maravilhoso - disse Pierre."