02/02/2016

Duas Damas de Respeito (Two Serious Ladies) - Jane Bowles

(sobre o livro: info, sinopse, etc. /Editora Amarylis/ Tradução: Mariluce Pessoa)

Sinopse surrupiada do site da Amazon: A excêntrica e impulsiva Christina Goering, uma rica herdeira nova-iorquina, encontra-se com a igualmente imprevisível senhora Copperfield numa festa da alta sociedade. Cada qual a seu modo, as duas mulheres estão prestes a trilhar caminhos singulares na busca por seus desejos. Os passos das duas voltam a se cruzar em determinado ponto, com resultados surpreendentes. Publicado originalmente em 1943, o único romance de Jane Bowles é uma verdadeira obra-prima, repleta de absurdo. Escrito com sagacidade e compaixão mordazes, Duas damas de respeito é uma agradável e afiada celebração da liberdade feminina, que determina um marco na literatura do século XX. 

Parece sensacional, não? Bom, eu estava super animada e gostaria muito de poder dizer que gostei desse livro, mas definitivamente não rolou. A Jane Bowles tem fãs de peso como Trumam Capote, Tennessee Williams e Ali Smith, sua obra é considerada um clássico cult modernista e, a partir desse livro, pude perceber o instigante posicionamento feminista da autora; contudo não deu para mim. A narrativa provocou uma sensação pouco prazerosa de completa aleatoriedade desconexa, detestei a maioria das personagens - aliás, nem sei se as compreendi inteiramente - e, sendo curta e grossa, achei tudo muitíssimo enfadonho. Creio que esta passagem resume muito bem o espírito geral do livro e das personagens - marcadas por comportamentos relativamente absurdos e inesperados em resposta a uma aparente inadequação e insatisfação crônicas com o mundo e a vida:
"- Não gosto de esportes - disse a senhorita Goering -...me dão uma terrível sensação de estar pecando.
(...)
- Os esportes - disse a senhorita Gamelon - não podem nunca lhe dar a sensação de estar pecando, mas o que é mais interessante é que você não consegue nunca se sentar por mais de cinco minutos sem introduzir alguma coisa estranha na conversa. Eu acho até que você faz uma pesquisa sobre isso."
Ah, e esta aí logo abaixo é a Jane Bowles. Você acha que ela tem cara de quem precisa da minha aprovação para alguma coisa?

- Please, I'm flawless.
De modo nenhum tentaria desencorajar a leitura, pois 1. pareço mesmo estar entre a minoria, e 2. foi de fato um daqueles casos de falta de diálogo pessoal com a prosa. Houve diversos momentos isolados que me marcaram e deixo aqui o registro do meu favorito:

2 comentários:

  1. Achei bem interessante o comentário que pinçou do livro. Realmente existem diversos tipos de gaiolas e na maioria das vezes não são reconhecidas como tais.

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    1. Oi, Paula. O momento do seu comentário, falando justamente desse trecho e desse tema, me impressionou muito. É que dia desses mesmo, lendo um poema da Anna Akhmátova, minha memória trouxe de volta justamente essa passagem da Bowles!
      (*Ando numa fase cercada de passarinhos rs.) Comentei neste recente vídeo aqui: https://www.correndoentrelivros.com/2018/11/book-journal-pintassilgo-carol-fabritius-anna-akhmatova-donna-tartt-jane-bowles-maya-angelou-drummond.html

      Ah, e vc teve uma experiência de leitura legal com a Bowles?? Espero que sim.
      Muito obrigada pela visita e por reservar um tempinho pra deixar um comentário. Gostei demais. Abraço!

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