20/02/2016

Guerra e Paz - Liev Tolstói / Diário de Leitura #02


Em 2016, leio Guerra e Paz pela primeira vez e registro* aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada uma das partes dos quatro tomos e epílogo.

Postagens anteriores: DL #01.

Edição: Cosac Naify - 2 volumes - 2490 páginas; Tradutor: Rubens Figueiredo.
Programação inicial: ~ 110 páginas/semana.
Duração total estimada: 22 semanas.
Início da leitura: 24/01/2016.
Fim estimado: 25/06/2016.

* (~tento~, pois a primeira investida de diário de leitura nesse blog morreu no meio do caminho...)

Tomo 1 - Segunda Parte

 É, pessoal, a guerra começou. Nessa segunda parte, acompanhamos o período de outubro a novembro de 1805, durante o qual as tropas russas, aliando-se a austríacos e alemães, ~tentam~ avançar para cima dos francesinhos, e falham miserável e vergonhosamente. 

No geral, achei essa parte meio chatinha. Sim, é isso mesmo: a pessoa decide ler um livro intitulado Guerra e Paz, e acredita ser plenamente razoável reclamar de descrições de batalhas. Estou um pouco envergonhada, mas preciso reconhecer que talvez a carapuça em forma de acusação do Andrei Bolkónski (primeira parte) esteja servindo em mim, pois a única coisa que quero saber  é: quando voltaremos aos salões, mexericos, bailes, vaidade, futilidade

 Ainda sobre militares: a tonta, aqui, não sabia que o pronome de tratamento a ser utilizado fosse "Vossa Excelência". Achei... estranho? Sendo tonta no. 02: só agora entendi as cores da capa da (finada) Cosac. ¯\_(ツ)_/¯    E sendo tonta no. 03:

"Ali a nossa infantaria tomara posição e, bem na ponta, viam-se DRAGÕES. (...) amarrado nas carretas os dois canhões ainda inteiros, dos quatro que formavam a bateria (um canhão quebrado e um UNICÓRNIO foram abandonados), ..."







(Dicionário) Dragão: antiga peça de artilharia; soldado de                                                    cavalaria que também combate a pé.

(N.T.) Unicórnio: tipo de canhão antigo russo, com a boca fina.


(Bom, nunca afirmei, nesse blog, que eu fosse inteligentona...)


↪    "- O que está havendo coronel? Eu disse ao senhor para queimar a ponte, (...) 
- O senhor me falou de materiais inflamáveis, mas não me falou nada de incendiar. 
- Mas, meu caro, como é que eu não disse para incendiar a ponte, se instalaram o material inflamável? 
- Não sou seu "caro", e o senhor não me disse para queimar a ponte! Conheço o meu dever e tenho o hábito de obedecer às ordens com rigor. O senhor disse que iam queimar a ponte, mas não disse quem ia queimar, e eu não podia saber por obra do Espírito Santo..."
Bom, segue imagem real do exército russo em 1805:


Ah, e olha quem também foi lutar com os russos:

"(...) - berrou Denissóv, que não conseguia pronunciar o r."

Sério, essa parte do livro descreve uma sequência de trapalhadas bizarras e surpreendentemente muito engraçadas cometidas pelo exército russo. Na primeira parte do tomo I, eu já havia suspeitado de que aquele bando de jovens em uma guerra contra Bonaparte daria merda, mas não tinha imaginado que ela seria assim tão homérica. O retrato desacreditador que Tolstói faz do exército russo é espantoso: 1. riam do perigo e do inimigo; 2. faziam piadas hediondas com "presuntos" e estupro de freiras; 3. estavam frequentemente embriagados, 4. roubavam uns aos outros. 5. mal terminados os confrontos, falavam gracinhas sobre relatórios que pudessem garantir promoções; 6. pouco importavam-se com os hussardos na linha de frente; etc. A narrativa permite concluir que eram - a maioria - um bando de patifes completamente inexperientes que, de fato, não sabiam onde tinham se metido. 

 E, nesse ponto, ficou realmente um pouquinho mais difícil distinguir todas as personagens. Os militares multiplicam-se feito Gremlins! 


 Dólokhov e Nikolai tiveram comportamentos que corroboraram bem o que eu havia dito no DL #01 sobre o que seria possível esperar da juventude extrema que havia se alistado para lutar no conflito. O desempenho do pobre Nikolai Leite com Pera já foi ilustrado no início do post; então só resta comentar algo sobre o Dólokhov, ou melhor, perguntar: quem é e qual é a dele afinal de contas? Suspeito de que eu deva aguardar grandes feitos dessa figura sobre a qual Tolstói, até aqui, só tem oferecido pequenos lampejos de informação: um rapaz petulante, orgulhoso, inconsequente e ardiloso. Vamos acompanhar o sujeito.

 Voltando ao Andrei Bolkónski: preciso reconhecer que, a despeito do seu discursinho em relação às mulheres na primeira parte do tomo I, ele tem ganhado de jeito o coraçãozinho da presente leitora. Assim como ele, sou exatamente o tipo de pessoa que teria um rompante de cólera se coleguinhas, no meio de uma guerra, decidissem fazer piadinhas de gosto duvidoso para desanuviar. E o discurso final que ele proferiu dando os devidos créditos ao Túchin (que salvara os russos da humilhação completa contra os franceses) foi notável. 

↪ É, a labuta começava cedo para os russos: 
"Ainda era um homem jovem, mas já era um diplomata vivido, pois começara a carreira aos 16 anos."
 Curiosamente, o narrador do livro posiciona-se como russo (próprio Tolstói, explicitamente?) ao referir-se recorrentemente ao exército da Rússia como "nosso, nossa..."

"- Mas que gênio extraordinário! - exclamou de repente o príncipe Andrei, cerrando a mão pequena e batendo com ela na mesa - E que sorte tem esse homem!"

2 comentários:

  1. Ola, estou lendo Guerra e Paz, na pagina 810 agora, e resolvi digitar no google "lendo Guerra e Paz". Cai no seu blog e me diverti com seu texto, tambem me apaixonei por Andrei exatamente nesse momento da leitura que voce descreve. Hehehe.

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    1. Oi, Michelle!
      Muito obrigada por sua visita. Aê; que legal que você tenha se divertido com o post - eu me divirto escrevendo, com certeza! Olha, eu terminei esse livro completamente apaixonada pelo Andrei. Aproveite a leitura, pois Guerra e Paz é mesmo espetacular. E se quiser voltar ao blog, será sempre bem-vinda.
      Abraço!

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