02/02/2016

The Remains of the Day - Kazuo Ishiguro

(sobre o livro: info, sinopse, etc.)

A sensação foi de grande alívio quando constatei que diversas resenhas dessa obra mencionam que ela relaciona-se muito mais àquilo que não é dito e ao que está nas entrelinhas, pois admito que, aproximando-se dessa premissa, não sei bem o que registrar aqui sobre The Remains of the Day. Nunca antes na história da internet o meme "não sei o que dizer, só sentir" fez tanto sentido pra mim.

Contudo, tentando desenvolver uma mínima concatenação de ideias, eu diria que o livro nos apresenta ao mordomo inglês Stevens que, vivendo o turbilhão de mudanças por que passava a Inglaterra após a II Guerra Mundial, inconscientemente dá-se conta -- embora conscientemente tente refutar para si mesmo e para o leitor (com evidente fracasso) -- de que tudo aquilo em que acreditara e a que dedicara-se por toda a vida era uma grande e completa falácia, praticamente uma piada ilusória de péssimo gosto. Não é uma jornada fácil para ele. Para o leitor, aliás, tampouco.

A narrativa, que transcorre primordialmente durante a década de 50, nos leva à companhia de Stevens por duas viagens - física e (~) espiritual - que transcorrem simultaneamente: 1. acompanhamos o trajeto de carro que ele faz pelo oeste da Inglaterra, com as seguintes passagens

2. e também a viagem reflexiva e contemplativa que ele desdobra sobre seu passado, suas escolhas e atitudes, ao longo do percurso. Estas foram algumas paradas dessa viagem em particular:
1. "We call this land of ours Great Britain, ... And yet what precisely is this "greatness"? Just where, or in what, does it lie?"
2. "What is a great butler?"
3. "What is dignity comprised?" 
4. "Oh, I'm not in a hurry at all...For the first time...I'm able to take my time and I must say, it's rather an enjoyable experience." 
5. "I may not have thought further why it was that i had given the distinct impression I had never been in the employ of Lord Darlington."
6. "Why, Mr. Stevens, why, why, why do you always have to pretend?"
7. "Aren't you curious? Good God, man,...Aren't you at all curious?" 
8. "And you must have seen it, Stevens. How could you not have seen it? "
9. "Whatever awaits me, Mrs. Benn, I know I'm not awaited by emptiness. If only I were. But oh no, there's work, work and more work."
10. "One can't be forever dwelling on what might have been." 
11. "You've got to enjoy yourself. The evening's the best part of the day."
O livro é lindo, é sofrido - chorei feito uma bezerra desmamada no final (posso estar chorando agora, será?) - e acredito que qualquer leitor, em maior ou menor extensão, será capaz de identificar-se com o processo pelo qual passava Stevens. Olhar para trás, encarar de frente o passado e permitir-se aceitar que, sim, escolhas erradas podem ter sido feitas; porém, a despeito do tempo desperdiçado (?), um horizonte de possibilidades segue logo adiante. A noite, a bela e misteriosa noite, ainda nos aguarda.

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