19/03/2016

Guerra e Paz - Liev Tolstói / Diário de Leitura #05


Em 2016, leio Guerra e Paz pela primeira vez e registro aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada uma das partes dos quatro tomos e epílogo.

Postagens anteriores: DL #01, DL#02, DL #03, DL#04.

Edição: Cosac Naify - 2 volumes - 2490 páginas; Tradutor: Rubens Figueiredo.
Programação inicial: ~ 110 páginas/semana.
Duração total estimada: 22 semanas.
Início da leitura: 24/01/2016.
Fim estimado: 25/06/2016.
Tomo 2 - Segunda Parte


↪ Essa parte, especialmente, sugeriu muito que a narrativa de Tolstói corresponde, em boa parte, às diferentes versões da "jornada do herói" que Pierre, Andrei e Nikolai terão de atravessar durante aqueles conturbados anos da história russa; simbolizando, cada um, os diferentes aspectos da jornada que o próprio país também atravessava. Considerando-se que ainda faltam mais de 1500 páginas para acabar o livro (é, possivelmente ainda escreverei muita abobrinha nesse blog sobre o livro), obviamente isso ainda deve ser encarado como uma mera hipótese a ser confirmada em definitivo. Aparentemente, é provável que os três tenham ultrapassado, nessas ultimas páginas, a fase do "Threshold - Começo da transformação". Ou talvez já tenha sido "A Grande Revelação"? Não sei, é necessário continuar a leitura.

O interessante é que não seriam jornadas de fantasia, envolvendo grandiosas aventuras de jedis ou hobbits, mas representariam e confirmariam que todos nós, de maneiras diferentes, somos sim heróis atravessando a aventura grandiosa e misteriosa chamada "vida". (poxa, isso foi profundo; admite aí.)


 Esse momento das jornadas do Pierre e do Andrei lembra bastante, pelo pouco do que conheço, a própria história pessoal de Tolstói, que também enfrentou uma crise espiritual semelhante a dessas duas personagens. Sei que o autor, inclusive, compartilhou suas angústias e reflexões filosóficas em livro, o qual encontra-se publicado pela Companhia das Letras - Os Últimos Dias.  O Brain Pickings também escreveu um bom artigo sobre a obra: x.
"(Pierre:) O que é ruim? O que é bom? O que se deve amar, e o que se deve odiar? Para que se deve viver e o que eu sou? O que é a vida, o que é a morte? Que força governa tudo? (...) Você vai morrer e tudo vai terminar. Você vai morrer e vai ficar sabendo de tudo...ou vai parar de perguntar."
Por enquanto, Pierre parece ter encontrado um alívio para sua alma através da maçonaria, enquanto Andrei (♥) resiste parcialmente às investidas solidárias do amigo, ainda encontrando alguma espécie de alento no ceticismo e na solidão.


Tá vendo, Jon Snow? Aos olhos de Tolstói, o senhor é, sim, um grande sábio!

 Já a jornada do Nikolai... QUE JORNADA!! Amando demais. Está sendo delicioso acompanhar os sonhos e as ilusões de adolescente do bom rapaz sendo destruídos gradativamente (eu bem que tinha previsto que o tombo dele seria feio). Dá um pouco de pena, claro, mas acho que todo mundo passa por isso, em menor ou maior grau.

Nessa parte, o jovem tenente passou por grandes contragostos que certamente fizeram-no questionar, ainda que inconscientemente, o sentido de toda aquela merda:
- Meu major toma parte das provisões de alimentos do outro regimento simplesmente para que seus soldados não morressem de fome e é punido severamente por roubo, sem qualquer constrangimento ou atenuante? 
- É assim que meu país está cuidando de seus soldados feridos?! 
- É assim que meu amigo de infância, agora que conseguiu chegar ao alto escalão, me trata?! Com desdém mal disfarçado? 
- Meu soberano, que eu tanto amo, tão perfeito e magnânimo, disse que não pode fazer nada por Deníssov, que "a lei é mais forte do que eu"?! 
- Meu querido amigo está padecendo em um hospital putrefato, acusado de roubo apenas por alimentar seus soldados, enquanto os imperadores decidem condecorar o primeiro Zé Mané que apareceu em suas frentes? 
- Soldados morreram em batalha, muitos passaram e ainda passam fome e frio, enquanto outros ainda agonizam em hospitais que mais parecem abatedouros... e agora esses dois imperadores decidem que foi tudo um mal entendido, começar um bromance?!
"(Nikolai:) - Como vocês podem julgar os atos do soberano, que direito nós temos de entender?! (...) Nós não somos funcionários diplomáticos, somos soldados e mais nada. Eles nos mandam morrer, e nós morremos. Se nos castigam, quer dizer que somos culpados; não cabe a nós julgar nada. Se convém ao soberano reconhecer Bonaparte como imperador e selar um acordo de paz com ele, quer dizer que isso é necessário. Se nós começarmos a querer julgar e discutir tudo, aí não vai restar mais nada de sagrado."

E daí, claro, ele foi encher a cara com bebida. ¯\_(ツ)_/¯

Aos poucos, Nikolai, você parece estar captando o espiríto de como as coisas realmente funcionam neste mundo. Vai doer, não vou mentir, mas vai ficar tudo bem no final. Quero dizer, espero que sim. Vai, Tolstói?

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