05/04/2016

Guerra e Paz - Liev Tolstói / Diário de Leitura #07


Em 2016, leio Guerra e Paz pela primeira vez e registro aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada uma das partes dos quatro tomos e epílogo.

Postagens anteriores: DL #01, DL#02, DL #03, DL#04, DL#05DL#06

Edição: Cosac Naify - 2 volumes - 2490 páginas; Tradutor: Rubens Figueiredo.
Programação inicial: ~ 110 páginas/semana.
Duração total estimada: 22 semanas.
Início da leitura: 24/01/2016.
Fim estimado: 25/06/2016.
Tomo 2 - Quarta Parte


↪ Ok, parou. Eu já tinha lançado a pergunta no DL#04 em relação à Lise, mas agora o negócio ficou ainda mais sério e cabe ratificar a indagação: qual é a do Tolstói com mulheres de bigode??!! Como tenho medo de tomar spoilers, deixo a dúvida arquivada para pesquisar posteriormente. Intrigante mesmo. (Frida Kahlo, suponho, não se surpreenderia... Humm, será que eu ficaria mais bonita de bigode?...)

↪ No geral, pouca coisa aconteceu nesta parte (- Tolstói, isso foi um filler?!):

- Mais alfinetadas de Tosltói para cima dos militares que usufruem, com bastante satisfação, de seus "ócios forçados e irrepreensíveis", "protegidos das embrulhadas do cotidiano (...), daquele mundo absurdo e confuso (...)". 

- E os Rostóv estão cada vez mais atolados na pindaíba. (◕︵◕) Não sei se eu já tinha mencionado aqui, mas é curioso que a família mais afável e generosa desta narrativa seja exatamente aquela que mais esteja dando-se mal (pelo menos até aqui). Será que o "crime" compensa nessa história? Quem não segue à risca as regras subentendidas da sociedade russa está fadado à desgraça? Ou trata-se da decadência que, em breve, assolará toda a nobreza dessa história? Vamos acompanhar.

- Caçadas, blá, blá, blá, mais caçadas, blá, blá, blá... Aliás, Tolstói não dá trégua para o pobre Iliá Rostóv ao continuar ridicularizando-o, digamos assim, até com a alegoria de sua abobalhada performance na caçada.  E, Natacha, ~tu tá metida com caçada~?

- Curiosidade (N.T.): "Entre os senhores de terra, era costume ter, entre os servos, artistas, músicos e até um bufão." Ei, eu também quero um bufão.

- Eu já havia mencionado que a filosofia seguida por Nikolai é "o problema (inferno) são os outros", e agora descobri que nem Deus escapa:
"Puxa, o que custa a você fazer isso para mim?, dizia a Deus. (...) sempre tenho azar."
- Tolstói já vinha construindo isto nas partes anteriores, e mais uma vez reforçou aqui: a construção da relação fraternal de plena intimidade e cumplicidade entre Nikolai e Natacha; algo realmente muito prazeroso de ser lido e que sempre me deixa de sorriso abobalhado. Gostei muito.

- Novos maus presságios a respeito do casamento entre Andrei e Natacha foram lançados. Restou sugerido nas entrelinhas, inclusive, que ele morrerá no final. Será? Em combate? É bem típico, mesmo, que minhas personagens favoritas sejam sacrificadas pelos autores. 

- Tolstói desenvolve novos diálogos filosóficos envolventes, questionando alguns temas relevantes: tédio, despropósito da vida, eternidade, alma, reencarnação, memórias x lembranças. Acho que eu gostaria de poder conversar com o autor sobre a vida, o universo e tudo mais.

- Bastante interessante a descrição da tradição de Natal na Rússia que, de certa forma, mistura Halloween com Carnaval: pessoas fantasiadas visitam as casas vizinhas, cantam, brincam de prever o futuro. Obviamente, nunca tinha ouvido falar disso. 

- E que coisa mais meiga, a descrição do beijo entre Nikolai e Sônia. Achei bem curiosa a aparente ideia sugerida por Tolstói de que, nas relações de amor, às vezes é preciso apenas prestar melhor atenção naquelas pessoas que estão bem ao nosso lado, modificar a perspectiva do olhar. A fantasia, nessa passagem, parece ter permitido que isso acontecesse com Nikolai. Teorias, apenas.

(Sobre descobrir-se apaixonado:)
♥ "- Natacha, é uma coisa mágica. Hein? 
- É, sim - respondeu ela." 

↪ De fato, Nikolai é outra personagem com quem, em alguns momentos, também consigo me identificar bastante. Por exemplo:


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