10/04/2016

Guerra e Paz - Liev Tolstói / Diário de Leitura #08


Em 2016, leio Guerra e Paz pela primeira vez e registro aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada uma das partes dos quatro tomos e epílogo.

Postagens anteriores: DL #01DL#02DL #03DL#04DL#05DL#06, DL#07.

Edição: Cosac Naify - 2 volumes - 2490 páginas; Tradutor: Rubens Figueiredo.
Programação inicial: ~ 110 páginas/semana.
Duração total estimada: 22 semanas.
Início da leitura: 24/01/2016.
Fim estimado: 25/06/2016.
Tomo 2 - Quinta Parte

↪ A Natacha testou mesmo a paciência do pobre leitor nessa parte. Como eu disse previamente, Tolstói já tinha fornecido todas as pistas de que o noivado dela com Andrei daria em merda, mas falhei, admito, no cálculo da quantidade. Por exemplo, a maneira com que ela havia respondido à investida do próprio Andrei não foi muito diferente daquela concedida ao Anatole. Recapitulando as passagens com Andrei: "Será possível que esse homem, um estranho para mim, virou tudo para mim? (...) respondeu: Sim, tudo (...)", "O senhor sabe que, desde o dia em que veio a Otrádnoie pela primeira vez, eu me apaixonei pelo senhor, disse, segura de que dizia a verdade." (= era mentira, claro) Ok, ela é muito jovem, inexperiente, impulsiva e passional, tremenda presa fácil para as cobras karaguianas Anatole e Hélène (Relações Perigosas feelings), mas, puxa vida, foi praticamente impossível manter em mente tais ponderações e dar um desconto à moça. - Caiu muito na cotação, Natacha.


↪ Aliás, atualizemos a Bolsa de Valores de Personagens:
Em baixa:                                                                           Em alta: 
 Anatole                                                                                                                   Pierre (♥)
( Casado e reincidente naquele tipo de canhalhice.)                                                                                    ↑ Sônia                        
 Hélène
 Dólokhov (Aaargh!! Foi o FDP quem escreveu a carta; 
e a tonta lá derretendo-se.)
Conde Iliá Rostóv (O narrador não o poupou novamente, 
revelando toda a inépcia dele em proteger a filha do antro de cobras.)
Príncipe Nikolai Bolkónski (Que pessoa difícil.)
Princesa Mária (Nunca imaginei que a veria aqui... Tão carola, 
e ainda assim o preconceito de classe enrustido não pôde ser sufocado por completo.)                                               
↓ Bóris (Esse conseguiu uma esposa rica: Julie! De novo: parabéns à mãe dele. )
 Natacha (- Desculpe, mas, mesmo com todas as ressalvas, você entra aqui sim. 
Amiga, espero que, pelo menos, você tenha aprendido alguma coisa.)
                                    

↪ Ainda ponderando sobre o fato de que Natacha, de certo modo e com ressalvas, pode ser considerada vítima daquela história; é interessante como o narrador reforça essa questão nos trechos da ópera e do sarau na casa de Hélène. Inicialmente, em ambos os casos, é descrito que Natacha consegue perceber a afetação e artificialidade ("mundo estranho") no comportamento de todos daquela sociedade, entretanto, após pouco tempo inserida naquele meio, sua juventude passional e inexperiente não consegue resistir à sedução ("Natacha já não achava aquilo estranho"). Era uma sociedade capaz de estraçalhar facilmente aqueles que ousassem penetrá-la sem a devida competência.


↪ E o querido Pierre? Além da notável conduta demonstrada durante o imbróglio "Natacha x Anatole x Andrei" (até uma sova no paspalho Anatole, ele dá!), vale ressalvar a continuidade da crise melancólica e existencial dele. Na verdade, acho até bastante razoável que ela persista remoendo-o, pois acredito que, uma vez tomados por uma dessas crises, não há mesmo escapatória. Com sorte, aprende-se a sofrer menos em sua companhia. Tendo isso em mente, concordo bastante com o que Pierre reflete a respeito do Anatole: "(...) aí está um verdadeiro sábio! (...) Não enxerga nada além do momento real do prazer, nada o perturba...e por isso está sempre alegre, satisfeito e tranquilo. Eu daria tudo para ser como ele!" Outra excelente passagem é aquela em que Pierre contempla o que ele havia idealizado para sua vida, em contrapartida àquilo em que ela efetivamente transformara-se. Sofrido e humano demais. E quando o narrador diz que ele estava procurando alívio, entre outras coisas, na leitura desenfreada de livros? Alerta de carapuça servindo em 3, 2, 1...

Ainda nesses devaneios do Pierre, Tolstói também reitera uma impressão que comentei no DL#06: a depressão que parece assombrar as personagens percebem conscientemente a pequenez da sociedade russa:
(...) e aquela mentira geral, reconhecida por todos, sempre o deixava espantado, como se fosse algo novo, por mais que já estivesse habituado."

↪ - Tolstói, não venha me dizer que o Andrei ficará igualzinho ao pai. Não darei conta, hein.
"(...) Andrei. Sorriu de modo frio, maldoso, desagradável, como o pai."
"O príncipe Andrei deu uma risada desagradável, de novo fazendo lembrar o pai."

↪ Curiosidades da Rússia no século XIX:
1. Com apenas 27 anos, uma mulher deixava de ser uma "senhorita casadoura", para virar "uma conhecida sem sexo".

2. Esporte radical da moda: corrida de carruagens, com direito a capotagens e atropelamento de pedestres. Hardcore.


↪ E apertando os cintos, pois winter is coming a guerra está voltando! (já estamos em 1811.)

                                                           
Fim do volume 01! Yay!
ᕕ(ᐛ)ᕗ

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