27/05/2016

Lendo Contos| Contos de Amor, de Loucura e de Morte - Horácio Quiroga

(*quadro por: Alejandro Cabeza)
(info, sinopse, etc.)
(Edição Clássicos - Abril Coleções traduzida por Eric Nepomuceno)
Estou sentindo que quanto mais eu me aventuro neste universo de contos, menos eu entendo a logística da coisa, honestamente. O que, afinal, garante que um conto seja considerado excelente literariamente? Não tenho certeza de qual seja a exata resposta para essa pergunta (se é que existe), contudo já percebi duas coisas que são relevantes aos meus interesses de leitora ordinária:
1. quanto à forma e temas, há contos de tudo quanto é tipo imaginável. O céu é o limite para os escritores, e a variedade parece mesmo ser gigantesca;
2. sendo assim, o lance é encontrar aqueles que me fascinam, e dane-se o resto (cânone inclusive). Paciência.

A razão dessa tergiversação pleonástica é que, infelizmente, o Quiroga acabou sendo outro contista latino-americano do ano com quem não consegui dialogar de modo plenamente, digamos, ~satisfatório~. Os contos dele seguem bastante o espírito "tenho um causo para te contar, leitor; chega mais", porém eu morri de tédio durante a maior parte dos relatos e, ao final, eu reagi com variáveis "Cool story, bro. Next!". Percebo também que minha tolerância para frustração com contos é bem menor do aquela na leitura de romances. 
...

O título da coletânea é o mais direto possível, pois os quinze contos tratam exatamente de breves histórias que combinam os temas do amor, da loucura e da morte - muitas vezes, os três simultaneamente em um mesmo conto. A maioria relaciona-se à vida interiorana e rural da Argentina, com referências recorrentes a animais - fábulas com cachorros, cavalos, vacas, touros -, madeireiras e fazendas, o rio Paraná, o calor excruciante e enlouquecedor, cortejos na sociedade provinciana. 

Registrando algumas (mais) bobagens pessoais sobre alguns dos contos:

 / ಠ ּ͜೦ > A meningite e sua sombra
Nem tudo foi mal, pois amei esse conto e deixo-o guardadinho no grupo de favoritos da leitora. O causo narrado envolve uma moça que, durante os delírios febris que a acometiam, assumia o papel de dama perdidamente apaixonada por um fulaninho com quem mal havia trocado meia dúzia de palavras na vida. 

A circunstância super disparatada e, principalmente, a maneira com que é narrado - em primeira pessoa pelo dito fulaninho - garantiram-me risadas de verter lagriminhas. Adorei.

 / ಠ ּ͜೦ ☠ Os barcos suicidas
Certo, também gostei bastante desse; sobre os mistérios da loucura que parece acometer aqueles que encontram-se à deriva em alto-mar. O comentário que o finaliza é daqueles que rendem a sensação gostosa de ficar matutando a história de um conto durante o banho. (Isso fez sentido?)

 / ಠ ּ͜೦ ☠ A galinha degolada
Ah, sim, sobre o conto mais famoso do Quiroga: não consegui atinar o porquê de tanto alvoroço. Ainda que o valor de um conto não possa ser reduzido à experiência de descobrir o que vai acontecer, vale ressaltar que, em A Galinha Degolada, basta juntar 1. o título da coletânea e do respectivo conto, 2. os quatro retardados do apocalipse protagonistas e 3. a cena da galinha para sacar prontamente qual será o desfecho. Não há nenhuma surpresa.

Aliás, lembrei também do peculiar concurso recente de contos que exigia que todos os textos concorrentes tivessem "elementos que promovam o bem-estar e os valores morais”. Bem, "A galinha degolada" teria sido sumariamente recusado.

 / ಠ ּ͜೦ ☠ O travesseiro de plumas
Pronto, creio que esse conto seja o segundo mais famoso e, honestamente, eu não poderia ter me importado menos com essa história. Achei terrivelmente sem graça.

 / ಠ ּ͜೦ ☠ O mel silvestre
Já cruzou com uma fileira de formigas-correição? Não? Eu também não (acho); e sorte a nossa. Espie como são fofinhas:

Fonte do gif: vídeo YT
(Sério, fui obrigada a fazer uma varredura pela casa para conseguir dormir depois de ler esse conto.) 

Ah, e interessante o termo que Quiroga utiliza para aventureiros desbravadores: "Robinsons". Gostei.

 / ಠ ּ͜೦ ☠ O arame farpado
Uma das fábulas da coletânea. Esse me deixou ruminando o seguinte: que interessante ideia, associar a imagem de vacas e touros - animais que desfilam aquele andar e semblante de "zero fucks given" - a uma postura de afronta que instiga o furor assassino. 



 / ಠ ּ͜೦ ☠ > Nosso primeiro cigarro
Tremenda frase de abertura:
"Nenhuma época foi de maior alegria que a que nos proporcionou, a Maria e a mim, nossa tia com sua morte."
 / ಠ ּ͜೦ ☠ À deriva
Tremenda conclusão final:

"O homem estendeu lentamente os dedos da mão.
- Uma quinta-feira...
E parou de respirar."

 / ಠ ּ͜೦ ☠ > O solitário
"Cuidado com o que desejas." + "A poesia irônica do assassinato..." + lembrança deste gif:

- Não era isso que você queria? Pois tome, lazarento!
Gostei desse conto também.

 / ಠ ּ͜೦ ☠ Yaguaí
- Yaguaí, você era bom demais para esse mundo. Talvez não tenha pão no céu, mas espero que tenham muitas lagartixas.

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