06/10/2016

[Série Napolitana] The Story of the Lost Child (L04) - Elena Ferrante

(Sobre o livro: info, sinopse, etc. / Tradução para inglês: Ann Goldstein) 
(* Posts anteriores:  Livro 01 - x,   Livro 02 - xx, Livro 03 - xxx)


 ➻ E para temperatura final: 36.8°C. Concluído o quarto volume, sinto-me curada da epidêmica Ferrante Fever, embora eu não tenha adquirido imunidade permanente. A leitura da série foi super prazerosa, especialmente a dos dois primeiros excelentes volumes, e foi legal poder compartilhar “em tempo real” impressões com outros leitores (como leio poucos contemporâneos e lançamentos, raramente consigo fazer isso), maããas agora o esquema é o seguinte: Lenù e Lila (e Ferrante por um tempinho, pelo menos) seguem por ali, enquanto eu sigo por aqui. Ok? Ok.

E como organizar estas impressões finais? Se eu quisesse incluir aqui absolutamente tudo, seria bastante trabalhoso, pois o tantão de coisas que a Ferrante inseriu nesse tomo de quase 500 páginas dificulta a vida desta opinadora de internet. Bom, continuarei apenas com as ~coisinhas~ que mais me marcaram ou tocaram e, tratando-se do fechamento de um ciclo, acho pertinente resgatar alguns registros anteriores postados no blog.


➻  Para a principal pergunta que me consumiu desde as primeiras páginas de The Brilliant Friend /A Amiga Genial – “Por que Lenù decide escrever esses livros que estou prestes a ler?” -, a narradora personagem acabou concedendo-me aqui uma resposta extremamente generosa e direta (- Obrigada, Lenù!):
“What is the point of all these pages, then? I intended to capture her, to have her beside me again, and I will die without knowing if I succeeded.”
Coincidentemente emendei a leitura de outros dois livros (ainda sem post no blog) que também exploram centralmente esse instigante ímpeto humano de lutar pela preservação de certa memória relacionada a uma(s) pessoa(s) ou a um período específico por meio da escrita, ou seja, imprimindo a estimada lembrança em palavras que possam resistir ao tempo e, assim, preservar na eternidade uma afeição que não mais pertence ao presente. Ainda que ilusório (seria? não sei. penso que não?), não deixa de ser belo e poético.

Ainda sobre essa resposta direta que recebi da Lenù, vale mais uma vez destacar a marcante sensação que tive, durante toda a série, de que a autora constantemente antecipa-se de forma certeira às minhas reações como leitora. Por conta disso, fico caraminholando: Ferrante é muito boa ou eu sou apenas muito previsível? Chuto que as duas hipóteses sejam pertinentes. É tão espantoso, que a autora até mesmo rebateu explicitamente (com a fala da Lenù) minha “reclamação” (aspas por minha conta; já me protegendo) relacionada às personagens FDP e pouco empáticas da tetralogia (post sobre o L03). Expie só a direta que ela me mandou:
“Only in bad novels people always think the right thing, always say the right thing, every effect has its cause, there are the likable ones and the unlikable, the good and the bad, everything in the end consoles you.”
Para defender-me, cara Ferrante (e Lenù), afirmo que minha ressalva é que as coisas positivas que também existem nas personagens desses livros não foram suficientes para devolver-lhes a empatia plena aos meus olhos. Desculpe. Além do mais, ainda que eu não tenha me afeiçoado intensamente a nenhuma delas, isso não implicou na carimbada de “livro ruim” por minha parte. Em vez disso, usei na realidade o carimbo oposto.

Eu também já havia confidenciado que houvera momentos em que senti que eu tinha mergulhado para dentro das páginas da Ferrante e confirmo uma intensificação desse sentimento por conta de muitas falas do Pietro nesse quarto tomo. Reconheci nessa personagem uma espécie de projeção literária pessoal nas páginas napolitanas. Ocorrem, de fato, inúmeras passagens em que ele, de novo, fala exatamente aquilo que passava-se pela minha cabeça. É bem assustador. O que isso significa, hein? Ou ainda: o que isso revela sobre mim? Hummm... Foi uma experiência peculiar.

Por outro lado, algo relativamente frustrante sobre a narrativa é a facilidade com que muitas vezes consegui enxergar suas engrenagens girando e antever o produto final que eu receberia.

Exemplo 1: Ah, então o Nino revela para Lenù que não tinha enviado para publicação o artigo dela sobre o confronto com a professora de religião? Ué, mas alguém não tinha percebido isso ainda lá no primeiro livro?! Confesso que errei apenas porque supus que ele tivesse publicado assumindo, ele próprio, a autoria.

Exemplo 2: Ah, então aquele mesmo livro que a Adele e Lila disseram que era horrível foi publicado com sucesso posteriormente, sendo a salvação da Lenù? Alguém não tinha adivinhado que isso aconteceria?!

Exemplo 3: Ah, então a Lila achou que tinham raptado Tina por tê-la confundido com a filha de Lenù (real alvo almejado) em decorrência da foto equivocada na revista? Alguém não tinha pensado nisso?! Dava até para antecipar este cálculo: título do livro + foto com a criança errada na revista = merda.

Quer dizer, ao mesmo tempo que a autora consegue me desvendar antecipadamente como leitora, ela parece subestimar-me de forma um tantinho humilhante.


 Volto agora ao comentário final que fiz no post do L03. Bem, eu havia afirmado que compreendia, sem julgamentos, a escolha de Lenù por correr atrás do paspalhão Nino (“The honorable/O honorável”?! Sério?!), uma espécie de George Durois napolitano, entretanto confesso que falhei em prever que a desconstrução daquilo que ela imaginara e idealizara transcorreria mediante proporções tão categóricas e monumentais. Como se não bastasse submeter Lenù a viver como a amante oficial (pelo amor de deus), o sujeito ainda transa dentro de casa com a babá?! Sigo, até agora, engolindo seco por conta do asco.

Simultaneamente, considero formidáveis os momentos em que Lenù, tremendamente honesta consigo e com o leitor, divide sua insegurança e desconforto diante de tantas concessões que fazia àquele homem, as quais eram exigidas, por extensão, até das próprias filhas. A personagem assume que estava comportando-se como uma idiota e que, ao mesmo tempo, não sentia-se capaz de agir de modo diferente. Lenù questiona até mesmo se seria uma escritora farsante ou, repetindo o título do livro da Roxane Gay, uma má feminista, tendo em vista que ela parecia permitir que um homem a definisse - Nino. Aprecio demais essa sinceridade que desarma a pronta condenação do leitor e que revela ainda como o discurso feminista pode conflitar com sentimentos práticos e reais. Trata-se de um choque que parece eliminar o caráter libertador da fala feminista, tornando-a perversamente também em algo que constringe e julga o comportamento da mulher.

Ideia correlata, de certo modo, surge igualmente quando a narrativa nos impõe esta pergunta: é possível à mulher conseguir tudo; digo, lograr ser concomitantemente a “free and educated woman (…), the woman-mother (…), the woman-lover, the furious whore, (…)”? É uma meta bastante difícil de ser conquistada na prática, especialmente quando apenas a mulher, e raramente o homem (ele não costuma abrir mão de nenhum privilégio), submete-se às regras capazes de garantir o possível sucesso dessa empreitada.
" 'Think about it. A woman separated, with two children and your ambitions, has to take account of reality and decide what she can give up and what she can't.'
Everything in that sentence bothered me (Lenú)
."

➻  E por falar em maternidade: que experiência mais louca ela parece ser, correto? Não sou categórica com uma afirmativa simplesmente porque não a vivi. Por meio dessa história, Ferrante desconstrói muitas preconcepções que tendem a divinizar de forma simplória – e vil, acredito - algo tão complexo como a maternidade. Vários aspectos são abordados pela narrativa: 1. a ruptura simbolizada pelo parto, 2. a culpa e o orgulho maternos, 3. as comparações com outras mães, 4. as expectativas pessoais maternas transferidas para a prole, 5. filhas percebidas como extensão da mãe (sobre isso: a pulseira da mãe de Lenù revelou-se um símbolo bastante interessante, assumindo praticamente a imagem da passagem de um bastão), 6. filhos como reflexo próprio, 7. a dificuldade em amar os “problemáticos” (se ele é problemático, eu também sou?), 8. a contínua evolução que caracteriza a relação entre mães e filhas (não seria uma dinâmica estática), 9. a dificuldade em admitir para si mesma (e fazer as pazes consigo) de que, sim, às vezes você só quer saber do seu amante e danem-se as filhas, 10. os sentimentos contraditórios em relação aos filhos... Pessoal da psicologia e psicanálise deve se deliciar com essa leitura.

Parando para pensar, talvez a maternidade tenha sido até um dos grandes elos constantes entre Lenù e Lila, consolidando-se desde o início da amizade mediante sua representação pelas bonecas com as quais elas brincavam quando crianças.


 Nesse momento de fim de série, fico extremamente satisfeita com a minha prudência, ainda no post do primeiro livro, de ter reforçado que eu identificava-me com a Lenù “do primeiro livro”. Conforme presumi, a evolução dessa personagem ao longo da narrativa a distanciou progressivamente de qualquer sentimento particular de identificação. Sem dúvidas, nossa narradora não parece disposta a tratar sua imagem com muita compaixão, de modo que minha empatia por ela degringolou em ritmo alucinante ao longo da leitura. A cada página, as qualidades de Lenù tornavam-se mais e mais invisíveis, e, por consequência, eu passava a reparar apenas no egoísmo, na vaidade, no egocentrismo, na obsessão e nas inseguranças daquela pessoa que, em páginas iniciais, havia despertado-me tanta afinidade.

Nas postagens anteriores, comentei bastante sobre a escassa confiança despertada pela narradora, porém é preciso dar o braço a torcer e admitir que, a medida que as protagonistas separam-se espacialmente para seguir suas vidas como adultas, a presença de Lila desaparece lenta e gradativamente da narrativa, especialmente porque Lila evolui fechando-se cada vez mais dentro de si, revelando quase nada à amiga. Lenù não atreve-se muito a enveredar pelo exercício da imaginação para nos falsear uma realidade. A narradora escolhe manter-nos presos dentro de sua mente claustrofóbica, concedendo-nos apenas suas neuróticas elucubrações.
“But it was a voice invented by ill feeling; what she really thought of my behavior as a mother I don't know. Only she can say if, in fact, she has managed to insert herself into this extremely long chain of words to modify my text, to purposely supply the missing links, to unhook others without letting it show, to say of me more than I want, more than I'm able to say. I wish for this intrusion, I've hoped for it ever since I began to write our story, but I have to get to the end (...)”
Creio que é pertinente retomar este comentário que fiz na postagem do L03: "... aqueles leitores que preferem Lila à Lenù estariam conferindo predileção a uma construção (obra das palavras de Lenù) que não existiria nem mesmo na ficção que habita."

Pois muito bem, qual não foi minha surpresa ao ler Lenù afirmar isto no epílogo de The story of the lost child: "Lila is not in these words. There is only what I've been able to put down.” Eu falei, não falei? A impressão da construção de um cobiçado mito em torno da Lila, por parte da Lenù, foi solidificando-se progressivamente no meu entendimento a respeito da relação entre as duas amigas. Em uma dessas felizes coincidências que ocorrem com uma internauta, li recentemente um comentário de René Girard sobre Kierkegaard (entrevista para a Revista CULT - link: x ) que acredito esclarecer demais a relação das amigas napolitanas:

"Kierkegaard constatou, em sua análise dos três estágios do ser, a presença de um homem que se escora no outro. Possuindo um vazio existencial aterrador, ele procura na observação do outro, do que o outro possui, do que o outro aparenta, uma forma de saber quem é e como sentir-se pleno. Portanto, para ser ele mesmo, este homem necessita tomar conhecimento do outro, como no mecanismo do desejo mimético, onde este desejo somente se faz possível pela intermediação do que é e deseja um outro."
- René Girard.

(René Girard e Kierkegaard! Putz, estou fazendo muito jus à minha carteirinha de impostora pseudointelectual.)


 Uma outra temática que permeia toda a série (já citada em post anterior) e que torna-se cada vez mais intensa é a relacionada a nossas origens. No contexto do livro, pareceu-me que Ferrante adota um conceito amplo de origem que inclui não apenas o meio de onde viemos e somos criados, mas também aquele início imediato e direto representado pelos nossos pais (até nomes próprios são repetidos, demarcando o vínculo desde o nascimento e dificultando o desenlace). É impressionante, por exemplo, a quantidade de personagens que acabaram emulando a mesma narrativa dos pais (aquela tal paridade reflexa como escolhi nomear e mencionar no post do L03), ou sendo engolidos pela realidade do bairro de onde procederam - o bairro napolitano, aliás, assume praticamente o papel de uma personagem viva e onipotente na obra. A autora parece cutucar-nos a toda hora: afinal, é possível livrar-nos de nossas origens? Por mais que desejemos negar ou fugir dessa origem em definitivo, adianta lutar contra? Em grande parte, o conflito da Lenù aparenta concentrar-se nesse embate. Ela deseja criar uma identidade totalmente diferente da mãe e da Nápoles pobre, contudo transfere para Lila, quem mais simboliza sua origem, a posição de um mito desejado.


➻ Agora para um breve devaneio. Inspirada pelo que acontece entre as filhas de Lenù - elas ironicamente repetem a disputa por um mesmo garoto travada entre a mãe e Lila -, fiquei devaneando que a narrativa aparenta sugerir que sempre irrompe, durante a juventude, uma grande paixão (não necessariamente por uma pessoa, mas também por um ideal, por exemplo) que representa o momento crítico capaz de definir para sempre o resto de nossas vidas. Se conseguirmos escapar ilesos desse ponto crucial, será possível respirar aliviado para uma vivência saudável. Caso contrário, a vida restará atormentada para sempre pelas decisões relacionadas ao evento fatídico. Gostei dessa teoria hipotética. Acho que faz algum sentido, sim.


 A reflexão especulativa em torno do caráter autoficcional/autobiográfico da obra continuou sendo alimentada nesse volume, e continuei enrolada no divertido e instigante imbróglio montado pela autora.* A narrativa provoca uma rica discussão metalinguística em torno das relações autoria x literatura x memória x imaginação x realidade x ficção x não ficção, autor x literatura x leitor etc.
“(...) I had a natural ability to transform small private events into public reflection. Every night I improvised successfully, starting from my own experience. I talked about the world I came from, about the poverty and squalor, male anf female rages, (...)”
Este diálogo entre as protagonistas é fantástico e induz a muitas considerações:
- It's literature, I didn't narrate real events.
- I recall that you did.
- What do you mean?
-You didn't use the names, but a lot of things were recognizable.
-Why didn't you tell me?
-I told you I didn't like the book. Things are told or not told: you remained in the middle.
-It was a novel.
- Partly a novel, partly not.
Onde terminam as memórias autobiográficas e onde começa a ficção? É possível/necessário separar essas duas entidades? A assertiva de Lenù de que “memória é literatura” incitaria até a paranoia cíclica para o autor (e leitor): se memória é literatura, é possível fazer literatura imaculada de memória? Caramba, cabe até o trocadilho: o que veio primeiro? A memória ou a literatura? E as memórias da tetralogia napolitana são da Elena Ferrante ou da Elena Grecco? Das duas? É, o jogo é hardcore.

* = Como até o fechamento desse post a verdadeira identidade de Elena Ferrante ainda não tinha sido intrusivamente revelada, essa informação foi ignorada nestas impressões. - Até porque: quem se importa? - De qualquer jeito, a revelação tornou a discussão mais (!) fascinante, já que a vida de Anita Raja não tem praticamente nada a ver com a de Elena Grecco. Much respect.)

E tome mais memória, por que não? Segue:
“I had long since realized that each of us organizes memories as it suits him, I'm still surprised when I do it myself. But it surprised me that one could go so far as to give the facts an arrangement that went against one's own interests.”
(Esse trecho serve para corroborar o que falei anteriormente referente à pouca compaixão que Lenù reserva a si mesma durante a narrativa.)

Por outro lado, a própria narradora reconhece uma certa limitação daqueles autores que encontram apenas em suas imediatas realidades a fonte de inspiração para o que escrever, abrindo mão da livre imaginação.*
“If at first the image of the writer who, although able to live elsewhere, had stayed in a dangerous outlying neighborhood to continue to nourish herself on reality, had been useful to me, now there were many intellectuals who prided themselves on the same cliche."
* = Novamente, se juntarmos a revelação da real identidade de Ferrante a essa reflexão, as coisas conseguem ficar melhores. Se o jornalista estiver correto, boa parte do que lemos é fruto do tremendo talento imaginativo de Anita Raja. Genial demais.)

E foi extremamente engraçado, também, quando Lenù impressiona-se com o disparate entre as várias impressões que leitores compartilharam relacionadas ao livro que ela publicava. A personagem fica estupefata ao constatar que seu público parecia fabricar um livro fantasioso a partir dos pontos de vista pessoais (“...each had evoked a fantasy book fabricated from his own biases.”) Mas segundo Roland Barthes, depois que um livro é publicado, já era: autor é morto. Não é assim?

Ah, e esse é o segundo livro que leio em que o texto delineia um perfil de personalidade que poderia ser comum entre escritores. Será que todos são, realmente, uma turma de vaidosos e inseguros que precisam ser bajulados e elogiados o tempo todo? Que dureza. Poxa, tentarei lembrar de sempre massagear o ego dos meus queridos autores (desde que mereçam, é claro, pois aqui a chatice não dá moleza, não).


➻ Sobre o final, gostei de ver as bonecas reaparecendo para fechar o ciclo, retomando a marcante cena inicial que protagonizam no primeiro livro. Ferrante foi muito perspicaz na escolha daquela imagem, pois, respondendo também a minha pergunta lançada no post sobre o L01: sim, a cena sintetiza simbolicamente a dinâmica estabelecida entre Lila e Lenù com grande eficiência.

E as essências das duas amigas parecem seguir em plena oposição até o final da série, sendo difícil conter o riso diante da imagem de Lenù angustiada pelo desejo de deixar sua marca no mundo, enquanto Lila anseia apenas por sumir da face da terra sem rastros. (Mais irônico se lembrarmos que uma escreveu livros e tem três filhas vivas, netos; e a outra desconhece o paradeiro da própria filha, ignorando se estaria viva ou morta.) Nesse ponto, sou completamente time Lila. (Eu lá tenho cara de quem vai se preocupar em deixar ~legado~? Quero mais é escafeder também.)

E Lenù, aproximando-se da conclusão, pergunta:

“Sometimes I wonder where she vanished.”

Bem, Lenù, escolho despedir-me de Lila com a certeza de que ela foi para bem longe de Nápoles; de que ela finalmente livrou-se do medo paralisante (disfarçado habilmente de armadura impenetrável) e abraçou a impossibilidade de controlar as margens da vida. Escolho apegar-me à ideia de que ela entregara-se à inevitável dissolução plena com o mundo. Quem sabe, até, ela teria sido a única a conseguir desvencilhar-se efetivamente das suas origens? E talvez, Lenù, ela tenha respondido, em termos práticos, a sua própria prévia pergunta:

“(…) to be adult is to disappear, is to learn to hide to the point of vanishing?”
...

P.S.: Com pesar, constatei que não aconteceu a cena da mega briga entre as protagonistas com direito à legenda "[xinga muito em italiano]". Aaaahhhh, que pena. Mas tudo bem, pois a autora conseguiu ser mais refinada e complexa na escolha da trama que representa o confronto responsável pelo rompimento entre Lenù e Lila. História tensa, não?

P.S. 2: Dúvida especulativa → teria Lila assassinado os Solara?! Bafo!

2 comentários:

  1. Adorei seu diário de leitura dessa série. Excelente!

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    1. Oi, Jéssica! Eba, fico feliz. Super obrigada pela visita e pelo carinho do seu comentário. Bjo!

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