25/11/2017

Alinhavando Leituras

Algumas de minhas últimas leituras dialogaram de modo tão próximo e instigante em certos pontos específicos, uma complementando e enriquecendo a outra, que escolhi alinhavá-las aqui para um breve registro.


                A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER  ⇿  RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL
 Svetlana Aleksiévitch                                    Ricardo Piglia

A ligação entre essas duas obras iniciou-se a partir da leitura do livro da Svetlana Aleksiévitch. À medida que eu lia o relato das soviéticas que atuaram diretamente na segunda guerra mundial, uma crescente exasperação me atormentava, pois eu sentia que aquelas palavras simplesmente não estavam dando conta de transmitir a realidade vivida pelas mulheres entrevistadas pela autora. O objeto narrado era tão grotesco e aterrorizante, que eu percebia que não estava conseguindo removê-lo do campo da abstração e trazê-lo para a concretude de um real tangível; por mais que eu acreditasse, claro, na veracidade daqueles fatos. Minha relação com o texto transformou-se apenas quando verbalizei, em voz alta, um dos episódios brutais da obra para uma amiga. No instante em que as palavras foram articuladas pela minha boca e que o som emitido atingiu meus próprios ouvidos, minha garganta começou a se estreitar em queimação e tive de conter uma onda súbita de lágrimas. Até então, a simples leitura silenciosa do texto não havia induzido semelhante reação. Ironicamente, dada a similaridade com a oportunidade de verbalização oferecida àquelas mulheres por Aleksiévitch, parece que a leitura oralizada potencializou o poder do texto. Foi, de fato, um fenômeno estranho, o qual não compreendi por completo naquela ocasião.

Meses depois, Respiração Artificial apresentou-me a um trecho que proporcionou certo alento e luz. Piglia, tratando da obra de Kafka, escreve o seguinte (*negritos meus):
“Sobre aquilo de que não se pode falar, o melhor é calar, dizia Wittgenstein. Como falar do indizível? Essa é a pergunta que a obra de Kafka tenta, repetidamente, responder. Ou melhor, disse, sua obra é a única que, de maneira refinada e sutil, atreve-se a falar do indizível, daquilo que não se pode nomear. Que diríamos hoje que é o indizível? O mundo de Auschwitz. Esse mundo está além da linguagem, é a fronteira onde se encontram as cercas da linguagem. Arame farpado: o equilibrista caminha, descalço, sozinho lá em cima, e procura ver se é possível dizer alguma coisa sobre o que está do outro lado.  
Falar do indizível é pôr em perigo a sobrevivência da linguagem como portadora da verdade do homem. Risco mortal.”  
No instante em que li isso, lembrei de pronto daquelas soviéticas e pensei: pronto; acho que o enigma foi solucionado. Aquelas mulheres, em parceria com Aleksiévitch, ousaram falar/escrever o indizível e, assim, me ensinaram uma lição que tornou-se mais clara mediante a ajuda de Piglia: a linguagem simplesmente não é onipotente. Aquele mundo da segunda guerra mundial, vivido por aquelas combatentes, está além da linguagem. E bom, pelo menos comigo, parece que a oralidade auxiliou a linguagem escrita a melhor executar a árdua tarefa que lhe fora atribuída. O final desse processo, inclusive, acabou por reforçar a importância de conceder àquelas mulheres a chance de verbalizar suas versões da História.


                                      THE LONELY CITY            ⇿                 ENTRE AMIGOS
                                           Olivia Laing                                               Amós Oz

Aqui, até que a questão não me causou tanta surpresa. Li inicialmente The Lonely City – The Adventures in the Art of Being Alone, livro em que Laing explora a relação de artistas com a solidão das grandes cidades – notadamente Nova York, para onde a própria autora havia se mudado e onde enfrentava momentos recorrentes de tremenda solidão -; associada à ironia e à aparente incoerência presente no fato de que, em meio a tantas pessoas, a solidão reine opressivamente.

Na leitura seguinte de Entre Amigos, por sua vez, a prosa delicada e sensível de Amós Oz deixou claro que a solidão não tem nada a ver com estar entre muitas ou poucas pessoas. A vida daqueles que habitam o pequeno kibutz retratado pelo autor israelense é marcada, indiscutivelmente, por uma intensa solidão. A proximidade física com o outro e o maior contato humano facilitado pelo grupo diminuto não garante remédio contra a solidão. Pesquisando posteriormente sobre o livro, encontrei esta fala de Oz que não deixou mais qualquer dúvida sobre minha percepção: 
“Em todo caso, mais do que revisitar o passado, me interessava investigar como uma comunidade criada para aproximar as pessoas colocava-as numa situação limite, diante da solidão, da falta de amor, enfrentando suas perdas. Uma comuna não é certamente um ambiente onde as pessoas vivam em busca de isolamento, mas é justamente a solidão a marca característica dos personagens de Entre Amigos."
É importante destacar que a própria Laing explora a temática de maneira excepcional, deixando claro, em diversos momentos de sua obra, como esse sentimento e a engrenagem social que o alimenta são complexos.
"Cities can be lonely places, and in admitting this we see that loneliness doesn't necessarily require physical solitude, but rather an absence or paucity of connection, closeness, kinship: an inability, for one reason or another, to find as much intimacy as is desired. (...) hardly any wonder, then, that it can reach its apotheosis in a crowd."


                                     THE LONELY CITY     ⇿       A MANUAL FOR CLEANING WOMEN 
     Olivia Laing                                            Lucia Berlin

Nesse ponto, me ative a um outro aspecto do livro de Laing que me admirou bastante: fui informada, implicitamente, que os artistas retratados pela autora também sentiram a necessidade de se expressarem através da escrita. Como encontrava-me na companhia preponderante de pintores e fotógrafos (Andy Warhol, Henry Darger, David Wojnarowicz...), supus que a arte visual que eles exploravam bastaria para que conseguissem exteriorizar tudo aquilo que os inquietava – muitos com passados conturbados e difíceis a serem trabalhados psicologicamente -, mas parece que isso não é a regra. Para muitos artistas (seriam muitos?), a necessidade da escrita, em princípio, acaba surgindo em algum momento. Essa assimilação foi peculiar, considerando-se que praticamente estabelece um contraponto interessante àquela capacidade da linguagem escrita que comentei na abertura desse post: ela até pode não ser onipotente, entretanto há coisas que, sim, só ela é capaz de expressar a contento.

Agora avançarei algumas semanas. Enquanto lia A Manual for Cleaning Women, descobri o quanto Lucia Berlin inspira-se em elementos autobiográficos ao escrever seus contos. Através de uma narrativa que muito remete à ideia de memórias das protagonistas, ela retrata vidas simples - ainda que conturbadas por drogas, alcoolismo, solidão (!!), câncer, morte etc. - que, talvez por isso mesmo, parecem bastante humanas. Pesquisando mais sobre a autora americana, acabei localizando uma entrevista no site Lit Hub (conduzida pelos seus próprios alunos universitários), na qual ela expôs algo que conectou-se admiravelmente com minhas elucubrações relacionadas àqueles artistas anteriormente mencionados:
(* cores e negritos meus:)
"(Writing) It’s a joy to do it. It’s a place to go. It definitely is a place where I am…where I feel my honest self is. When I first started to write, I was alone. My first husband had left me, I was homesick, my parents had disowned me because I had married so young and divorced. I just wrote to—to go home. It was like a place to be where I felt I was safe. And so I write to fix a reality. I just write to fix a time or an event in my own head. As I said in the class it isn’t for therapy, but more for clarity, emotional clarity. To let me see what I really feel about something, to make it sort of acceptable in my head. (…) I think Proust is quite right saying that only neurotic people write. [Laughter] You know? I think writers want to change their realities in some way. You want to show what’s lovable and beautiful and so you sift through your life and you can look at it one way, or you can look at it another. And writers, I think, are people who need to affirm, need an affirmation about their life. And to me, it’s a way to make things positive, not in a corny way, but to make beauty out of negative things or difficult times, or just to make sense."
Transformar a realidade através da escrita e, de certo modo, estabelecer laços de pertencimento. Ok, talvez essa necessidade tenha atraído aqueles artistas do livro da Laing. Aliás, pouco tempo depois, na newsletter Um Lapso Sutil, Tatianne Dantas escreve um certo trecho sobre a escritora Maura Lopes Cansado que, em parte, também me pareceu conectar-se à fala da Berlin e, notadamente, com Henry Darger. Esse artista viveu boa parte da infância e adolescência em um asilo para crianças com retardo mental e, após a morte, foram descobertas milhares de páginas escritas com um texto que representa um incrível exercício imaginativo de reconstrução do real, o qual ele intitulou The Realms of the Unreal (!).  Enfim, o que escreveu Dantas: (* grifos meus:)
"A percepção que tenho de Maura em Hospício é Deus é que a escrita teve uma função vital de atuar como um meio de codificar sua relação subjetiva com o mundo. A noção literária do que é estar em uma instituição se modifica quando uma mulher com um diagnóstico verbaliza sua própria situação e Maura percebia o funcionamento das relações de poder no hospital e tentava mudá-las a partir do seu discurso e atitude. (...) e usava a escrita para afirmar que os rótulos criados na literatura escrita por homens a respeito da mulher não falam sobre a real condição em que as escritoras se viam inseridas."           

    
  THE LONELY CITY          ⇿          A ÉPOCA DA INOCÊNCIA
     Olivia Laing                                         Edith Wharton

Estes dois foram lidos conjuntamente, e pular de um para o outro acabou rendendo uma situação bem engraçada. Em A Época da Inocência, eu encontrava a Nova York do final do século XIX completamente alvoroçada porque uma mulher casada havia largado o marido na Europa para “causar” no noivado alheio. Já em The Lonely City, a protagonista era a Nova York da década de 60-70 marcada 1. pelas festinhas VIP de Warhol no The Factory, onde artistas aprontavam ~altas confusões~, 2. por sessões pornô em diversos cinemas da Times Square, em cujas salas o público fazia tudo que possamos imaginar e 3. por verdadeiras surubas gays que rolavam nas docas do rio Hudson, regadas a muitas drogas. Impossível não se admirar com essa fenomenal evolução da sociedade de Nova York. Ainda mais se pensarmos que, nesse meu caso, o tempo correspondente a um século foi encurtado a uns míseros segundos necessários apenas para trocar de livro. A mágica da literatura!


                                     THE LONELY CITY          ⇿            WALK THROUGH WALLS
                                           Olivia Laing                                         Marina Abramovic

Retomando o olhar para a figura do artista, foi intrigante perceber que, aparentemente, muitos sentem-se como pessoas estranhas e diferentes, provenientes de outro planeta (algo que, inclusive, alimentaria a solidão). Seria um conceito que apelidei de "O Artista Alienígena". A propósito, alienígena é uma palavra boa, tendo em vista que remete bastante à "alienação"; palavra frequente no livro de Laing.

Separando trechos de The Lonely City sobre o tema:
"(Charles Lisanbry falando sobre Warhol:) "He told me he was from another planet. He said he didn't know how he got here." 

"
(dito por Wojnarowicz, trecho de Close to the Knives:) "I think part of what informs this book is the pain of having grown up for years and years believing I was from another  planet. We can all affect each other, by being open enough to make each other feel less alienated."
"Klaus Nomi, mutant chantant, who made an art of being an alien, like no one else on earth." 

"
(sobre Valerie Solanas:) Still shockingly violent now, the manifesto was so far in advance of its time politically as to be almost unreadably strange, written in an alien language, (...)"

Semanas depois, dei de cara com Abramovic compartilhando com seu leitor o que a shamã brasileira Denise lhe dissera:
"You know, you are not from this planet, your DNA is galactic. You came to Earth from a very faraway galaxy, for a purpose."  
She had my full attention. I asked her what my purpose was. She was silent for a while.
Then she said, “Your purpose is to help humans to transcend pain.”
Extraordinário!  (*pescou?)

      
    UMA SOLIDÃO RUIDOSA        ⇿       WALK THROUGH WALLS
         Bohumil Hrabal                                   Marina Abramovic

Esse diálogo foi inesperado e bastante instigante. Em suas memórias, Abramovic comenta a performance Delusional, que ela encenara em Frankfurt, 1994. Nessa peça de cinco atos, Abramovic usa um vestido preto e permanece deitada sobre uma cama de gelo no meio do palco. Espalhadas pelo chão, há inúmeras carcaças de ratos pretos de plástico; enquanto uma entrevista de sua mãe é reproduzida em um telão. Em dado instante, a artista dança energeticamente ao som de uma música folk Húngara. A seguir, um novo vídeo no telão: Abramovic, vestindo um avental de laboratório, discorre sobre ratos. Ela diz que há 6-8 ratos/habitante em Nova York, enquanto Belgrado conta com 25; acrescentando informações relacionadas à incrível capacidade reprodutiva do animal.

Abramovic explica ao leitor que Delusional tratava de todas as coisas das quais ela sentia vergonha: a infelicidade do relacionamento de seus pais, o sentimento de não ser amada, as agressões físicas que sofrera cometidas pela mãe, as brigas dos pais.

Anos depois, ela recorre mais uma vez aos ratos como um dos componentes da perfomance Balkan Baroque, pela qual ela recebe o prêmio de melhor artista na Bienal de Veneza de 1997. Enquanto ela permanece em meio a carcaças reais de animais mortos, ela surge em vídeo narrando a horripilante história do "Wolf Rat". É assim que ela explica, em suma, a essência da obra:
"Really you can only understand the Balkan mentality if you’re from there, or spend a lot of time there. To comprehend it intellectually is impossible—these turbulent emotions are volcanic, insane. There is always war somewhere on this planet, and I wanted to create a universal image that could stand for war anywhere. (...) Here you have the essence of Balkan Baroque: horrifying carnage and an intensely disturbing story, followed by a sexy dance—then a return to more bloody awfulness."
Pois qual não foi minha surpresa quando, semanas depois, encontro Bohumil Hrabal inserindo o protagonista de sua história em um porão repleto de ratos, onde trabalhava compactando papel usado de livros, para lamento da personagem?! E a história de Uma Solidão Ruidosa trata, pelo menos em parte, do regime repressivo da Tchecoslováquia soviética. É fascinante que artistas de estilos tão diferentes como Abramovic e Hrabal, ambos provenientes de países do leste europeu que passaram por regimes autoritários comunistas, tenham pensado no rato como símbolo para tratar de suas experiências, e de maneira assim tão correlata. Trecho do livro de Hrabal:
“(...) e quando tudo estava em silêncio perfeito comecei a ouvir dentes de rato roendo, a ouvi-los destrinchando livros no meu céu, e seu som miúdo me horrorizava, porque era questão de tempo até fazerem um ninho, e poucos meses depois que os ratos fazem ninhos ele fundam um povoado, e seis meses depois formam vilas inteiras, isso se avoluma em progressão geométrica para compor uma cidade, uma cidade de ratos capazes de roer tábuas e vigas com tamanha habilidade que logo, logo (…) duas toneladas inteiras de livros inteiras desabassem na minha cabeça e descarregassem sua vingança em mim por todos os fardos em que compactei a rataria.”
Correto, depois desse livro de Hrabal, a expressão “rato de biblioteca” adquiriu uma nova significação pessoal.

No livro Dictionary of Symbols, J.C. Cirlot descreve isto a respeito do símbolo: "The rat occurs in association with infirmity and death. It was an evildoing deity of the plague in Egypt and China. The mouse, in mediaeval symbolism, is associated with the devil. A phallic implication has been superimposed upon it, but only in so far as it is dangerous or repugnant."

E, claro, ratos já ganharam destaque em outras obras literárias importantes: 1984 (Orwell), Maus (Spiegelman), A Peste (Camus), The Rats in the Walls (Lovecraft).


              AS COISAS QUE PERDEMOS NO FOGO      ⇿       DISTÂNCIA DE RESGATE
      Mariana Enriquez                                    Samantha Schweblin


Essa conexão é bem fácil e imediata. Duas escritoras argentinas contemporâneas e extremamente talentosas recorrem a elementos de horror e terror para explorar temas que, originalmente, já são bastante aterrorizantes: violência urbana, ditadura argentina, desigualdade social, patriarcado e machismo, poluição ambiental etc. Dentre as duas, confesso predileção fácil por Enriquez, o que não significa dizer que seja necessariamente a melhor (muito menos a pior!) escritora, ressalto. Na prosa de Schweblin, incomodou-me principalmente o predomínio de um absoluto controle da técnica narrativa em uma prosa que, para além disso, não me ofereceu muito mais. 
                    

                       ZAMA                 ⇿             O DESERTO DOS TÁRTAROS
                                    Antonio Di Benedetto                                     Dino Buzzati

Aqui, deparei-me com o tema comum da espera. A dedicatória escolhida por Di Benedetto pode facilmente ser aplicada ao livro de Buzzati:

"Às vítimas da espera."

Aproveitarei, também, para incluir duas imagens – quase duplas - das adaptações cinematográficas dessas duas obras:

     

A semelhança não é esplêndida? Os dois protagonistas, de pé, encaram o horizonte infinito e vazio como que esperando ansiosamente algo. Mas que diabos de espera é essa? Esperam o quê?  Estariam esperando Godot? Não seria uma resposta de todo equivocada. Se enrolo para responder, é porque esse “o quê” nem importa muito. Acredito que todos nós esperamos alguma coisa, um algo da vida. Como nos casos de Drogo e Zama, o objeto esperado varia de pessoa para pessoa, contudo sua essência costuma ser idêntica: esperamos aquilo que mais ansiamos na vida e que, em última instância, acreditamos que justificará nossa existência. Aquela qualquer coisa que, quanto mais inalcançável, mais desejada é. Daí a gente espera, espera e espera, até que a A Inevitável Espera, aquela objetivamente comum a todos, termina. E nem mesmo temos escolha: esperamos a morte com a certeza de que, esta sim, alcançaremos inevitavelmente. Os protagonistas das obras de Benedetto e Buzzati dão-se conta dessa espera exatamente quando ela termina. Acompanhemos a reflexão final de Drogo:
"Coragem, Drogo, esta é a última cartada, vá ao encontro da morte como um soldado, e que a sua existência errada pelo menos termine bem. Vingado finalmente da sorte, ninguém cantará seus louvores, ninguém o chamará de herói ou de qualquer coisa semelhante, mas justamente por isso vale a pena. Ultrapasse com pés firmes o limite da sombra, aprumado como num desfile, e sorria, se conseguir. No fim, sua consciência não está demasiado pesada, e Deus saberá perdoar."
Agora, a de Zama:
"Perguntei-me, não por que vivia, mas por que havia vivido. Supus que pela espera e quis saber se ainda esperava alguma coisa. Pareceu-me que sim. 
Sempre se espera mais. 
No entanto, isto discernia meu entendimento; mas, com prescindência dele, estava entregue a uma inércia violenta, como se minha quota estivesse por esgotar-se, como se o mundo fosse ficar despovoado porque eu não ia mais estar nele."
*** 

E os alinhavos terminam aqui. Aguardarei ansiosamente o que as linhas dos próximos carretéis  alinhavarão pra mim.

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