03/06/2018

Stiller - Max Frisch

* As falas de Llosa são adaptadas a partir da resenha que ele publica no livro La Verdad de las Mentiras - Alfaguara (2002).
** Posts anteriores: (1) Herzog, de Saul Bellow; (2) The Golden Notebook, de Doris Lessing.

***

Llosa, tem tempo para outro papo?
Concluí mais uma leitura da sua lista.
Olá, Daniela. Para falar de livros, tenho sempre.
Conversaremos a respeito de que obra?

Massa! Hoje o tema da nossa conversa será este aqui:
Stiller, de Max Frisch; ou, na tradução lida por você, No Soy Stiller.
Tradução: Irene Aron.
Editora Siciliano, 1992.
Originalmente publicado em 1954.
(sinopse, info etc: clicar aqui.) 

De cara, acho que vale abordar o elefante branco na sala:
Llosa, você andou escrevendo/falando umas paradas
controversas por aí, confere?
Suponho que você refere-se
a estes dois textos: link 1, link 2.

Exato. Toco logo nesse assunto, porque você sabe como as coisas funcionam na internet: minha disposição para seguir dialogando com você funciona, para a galerinha esperta, como a prova cabal de que concordo com absolutamente todas as suas opiniões e que - para usar uma
velha expressão bacana - "sou da sua laia"; merecendo, assim, ser execrada sem dó. Hum... Pera lá... Rá! Sim, sim; suspeito de que esse fenômeno que ocorre na internet dialoga bem com um aspecto desse livro do Frisch, hein. Explico.
Na internet, não somos quem julgamos ser. Nesse caso envolvendo sua controvérsia, por exemplo, eu serei aquela que o julgamento premeditado da pessoa do outro lado da tela fizer, e fim de papo. Aqui, mais do que em qualquer outro espaço, é o outro quem define minha
identidade, sem possibilidade de defesa. Pior: o olhar do outro me define para sempre, já que, na internet, ninguém recebe permissão para mudar, nem chance para tentar se redimir.
Hum, como antecipei as divagações literárias, começarei a soltar imagens de uns trechinhos favoritos do livro de Frisch. Este aqui aborda bem o que estou tentando expressar:

Mas enfim, estou atropelando nossa discussão e meio que tergiversando.
Retomando o que eu dizia: achei aqueles seus pontos de vista meio complicados,
porém escolho, aqui e agora, falar só sobre este livro mesmo, ok?
A controvérsia será menor.
Ou será que nosso papo sobre
o livro de Frisch será polêmico?!
Certo.
Sim, também estou curioso para descobrir se concordaremos em tudo
ou se surgirão controvérsias entre nossas opiniões.
Sobre o ponto que você adiantou; a respeito de sua
impressão de leitura e do trecho destacado:
entende que essa é a temática principal do livro?
Na verdade, penso que o livro explora diversos
 temas que se inter-relacionam harmoniosamente e,
nesse sentido, não ousaria definir um único tema principal.
Entretanto minhas elucubrações identificaram
uma tríade central de temáticas que, ao longo da narrativa,
 são afunilados pelo autor. Pode ser?
Claro que sim. Borges, por exemplo, dizia que o livro
muda para cada leitor, não é mesmo?
Quais são os temas que ocupam os vértices da tríade?
[Liberdade] x
[Construção de nossa identidade/realidade] x
[Papel da escrita / linguagem / palavra].
Certo. Fisgarei o vértice “liberdade” para lançar uma pergunta:
 acredita que Frish incluiu a própria Suíça
nessas discussões sobre a liberdade?
Com certeza; afinal, não é à toa que White/Stiller é preso tão logo põe os pés na Suíça. O protagonista funciona como um provocativo contraponto aos cidadãos suíços supostamente livres do lado de fora da cela, ou, mais precisamente, como uma alegoria da própria Suíça,
me parece. Aliás, antes de prosseguir, vale ressaltar que liberdade não é algo fácil de conceituar, correto? "Livre! Livre! Livre! e em vão rogo-lhe a dizer uma vez: livre de quê? e principalmente! livre pra quê?" Reconhecida a complexidade, volto aos suíços: o tom das
críticas que White/Stiller recorrente e insistentemente lança contra o país levanta dúvidas sobre a liberdade que os suíços julgam possuir. Como considerá-los livres, se vivem constantemente com medo de um futuro que possa destruir todo o desenvolvimento conquistado, com medo de terem seus negócios arruinados?

Verdade. A liberdade de que os suíços se gabam não é mesmo real, pois o conformismo erradicou da vida deles o perigo da dúvida e, para Stiller, essa atitude é prototípica da falta de liberdade.
Nessa atmosfera de suficiência opressora, tudo que implica
em risco ou rutura com as formas estabelecidas da existência
tende a ser reprimido e evitado.
Pois é. White/Stiller não se acanha sequer no momento em que denuncia a hipocrisia presente no envolvimento da Suíça na Segunda Guerra Mundial. Conforme a personagem, foram questões econômicas, e não uma alardeada superioridade moral, que levaram os suíços a se
envolverem no conflito. Somente quando o moço Führer começou a ameaçar e atrapalhar os negócios da Suíça, é que eles se viram sem escolha (= caímos novamente na falsa liberdade, portanto!), obrigados a meter o bedelho onde não queriam.
White/Stiller não tem a menor dúvida de que, se o fascismo tivesse ajudado a Suíça a enriquecer, o posicionamento do país durante a guerra teria sido bastante diferente. São acusações realmente pesadas que Frisch dirige à Suíça através das falas dessa personagem.
Ah, e sabe quem Frish me lembrou por conta disso? Thomas Bernhard; outro escritor que dedicou amplo espaço na sua obra literária para meter o sarrafo em outro país europeu; no caso, a Áustria.
Exato; são acusações e críticas tão contundentes,
que nos levam a acreditar que não há pesadelo mais
sinistro do que ser suíço, concorda?
Concordo, mas tenho uma confissão a fazer. Como sou uma leitora que sempre viveu no Brasil, foi relativamente custoso deixar o cinismo de lado para abraçar a empatia que me permitisse compreender o lado do autor.
Sabe aquelas irônicas e jocosas expressões em inglês “First World Problems/White People Problems”? É difícil negar que é disso que o protagonista fica se lamuriando ao falar mal da Suíça - ainda mais pra uma leitora brasileira.
Por exemplo, quando White/Stiller começa a fazer poesia com a desgraça que observara nas ruas do México, tomadas por urubus e pedintes miseráveis, fica muito complicado continuar suspendendo o cinismo descrente.
Claro, a monstruosidade tem seu lado sublime, ok; contudo,
quando é você quem vive na realidade monstruosa,
a tarefa de sublimação é bem mais trabalhosa.
Consigo entender seu sentimento – sou latino-americano! - entretanto saliento que a visão crítica de Frish faz muito sentido. A obra reforça que o preço pago para desfrutar do progresso material e do desenvolvimento político é a monotonia da existência,
o conformismo endêmico e o declínio da fantasia. Ocorre uma formalização das emoções e dos sentimentos que reduz as relações entre os seres humanos a gestos e palavras rituais desprovidas de substância. É como a própria História facilmente nos demonstra: todo
progresso humano traz consigo novas formas de frustração e infelicidade e, por conseguinte, novos motivos para inconformidade e desejo de uma vida diferente e melhor. Por mais avançada e admirável que seja uma sociedade, ela sempre será tomada por insatisfação.
Compreendo. Essa interpretação, de fato, não havia me ocorrido. Acredito que ela surge de um ponto de vista, digamos, macro; sendo que minha atenção foi fisgada muito mais pelos aspectos micro da narrativa - o que nem me surpreende, já que, em obras de ficção, costumo
preferir o conflito homem x homem, do que o homem x sociedade/sociedade x sociedade. Contudo sua afirmativa de que o progresso de uma civilização está sempre atrelado a algum tipo de inconformismo também parece valer para nossas próprias jornadas individuais, não?
A construção de nossa identidade, nossa busca por saber quem somos e pela definição do papel que ocupamos no mundo nunca termina, pois nunca estaríamos plenamente satisfeitos, tal qual ocorre com as sociedades. Será?
Por sinal, talvez essa seja, em parte, a fonte da angústia que consome White/Stiller. Ele foge desesperadamente de si mesmo e das regras sociais que restringem sua liberdade de ser quem ele quiser, porém não parece encontrar uma resposta final satisfatória.
No entanto destaco que essa insatisfação permanente das sociedades - ou, quem sabe, até do indivíduo, como você alega - não significa que os conceitos de civilização e progresso não existam, mas, sim, que essas noções nunca se traduzem em formas acabadas e perfeitas.
É preciso que a insatisfação exista, pois foi graças a ela que a cultura humana chegou tão longe. Se não fosse assim, seria necessário provocar o descontentamento para garantir a saúde futura de um povo; ainda que seja forçoso admitir que o progresso não tenha sido capaz de
tornar as pessoas mais felizes. Pra mim, este é o ponto central do livro: o desenvolvimento tornou os homens menos pobres, mais cultos e mais livres, no entanto não foi capaz de os fazer mais felizes.
Interessante. Minha atenção realmente não havia focado no confronto entre a infelicidade da personagem e o grande progresso de seu país, do que resultaria o aparente paradoxo que você aponta. E acho que não fiz essa ligação porque, mesmo vivendo em um país problemático
como o Brasil, consegui identificar-me facilmente com a inquietação de White/Stiller. (…) Hum, espere um momento... Agora caí na toca devaneante do coelho. Acompanhe o raciocínio que acaba de me ocorrer: e se essa minha (não) percepção seja um reflexo da
posição que ocupo na sociedade brasileira? Digo, fazendo parte da classe privilegiada do país, a natureza de minhas angústias seriam típicas “First World Problems/White People Problems”, mesmo vivendo em um país subdesenvolvido? Caramba, fiquei até zonza.
Pois aproveitarei esse seu raciocínio para lançar uma nova pergunta: mas o que acontece, afinal de contas, com o escultor? Por que ele foge de si mesmo e nega seu passado e seu nome com tamanho desespero obcecado?
Essa fuga era ditada pelo remorso causado pelo fracasso da relação com Julika? Ou seria algo mais abstrato e complexo, uma negação de um estilo de vida incompatível com uma existência plena? Ou seja: que “angústias” são essas a que você, Daniela, se refere?
Essa questão não é definitivamente respondida pelo romance, e fica por conta do leitor interpretá-la da forma que julgar melhor. A resposta pode ser desde um simples caso de esquizofrenia até uma crise metafísica.
Bem, não senti dificuldade para responder essa pergunta ao longo da leitura.
Se acertei ou errei, é uma outra história; haha.

Inclusive, utilizei aquela tríade temática que citei no início de nossa conversa principalmente para esclarecer essas questões. A meu ver, a vida de White/Stiller estava marcada pela sensação de sufocamento e de culpa. Ele não estava satisfeito com o papel que a sociedade
suíça e ele próprio (é lógico) haviam lhe atribuído. Muito menos com seu desempenho nesses papéis, ou com a realidade representada por aquela vida. Não conseguindo mais viver como o White/Stiller:
1. suíço (= preso na mediocridade do seu próprio país),
              2. homem covarde (= não foi capaz de fazer a única coisa que se esperava dele durante a                         Guerra Civil Espanhola),
              3. marido imprestável,
              4. artista insignificante;
enfim, como um homem fracassado preso a uma vida de tédio, ele escolhe fugir. Ele foge da prisão que era sua vida na Suíça crendo na esperança de que, agindo desse modo, conquistaria a liberdade necessária para construir para si a identidade que bem desejasse e para viver a
realidade “perfeita”, a tal "vida verdadeira". Ele supunha que
obteria paz ou, como comentamos no início,
um sentimento de satisfação.

Compreendi. E porque você segue usando
o binômio White/Stiller? Ainda restam-lhe dúvidas
sobre a identidade dessa personagem?
Pior que não; não me resta dúvida nenhuma; ele é mesmo Stiller. Acho que sigo usando o binômio por consideração à personagem. Bem ou mal, Stiller foi White aos meus olhos de leitora, ainda que ele tenha conseguido sustentar essa persona apenas durante os cadernos
iniciais. Por mais que eu racionalize o impasse meio kafkiano da trama, tenho dificuldades em aceitar que a minha palavra ou de qualquer outra personagem do livro tenha mais valor do que a do White/Stiller no momento de definir quem ele é. Ora, a ordem de prisão
preventiva fundamenta-se unicamente no relato de uma testemunha, enquanto o cidadão prestes a ser preso afirma categoricamente que não é o tal Stiller. Poxa, isso não é maluco?! Então o que eu tenho a dizer sobre mim mesma não vale nada?! E o mais cômico/surreal é
quando perguntam-lhe: “por que você não é Stiller”? Logicamente, caí na sandice de reverter a pergunta pra mim: por que eu sou Daniela? Quem foi que disse que eu sou Daniela? O que me faz ser Daniela? O que significa ser Daniela?! (rindo:) Ok, é melhor eu parar,
caso contrário irei longe com essa palhaçada. Ah, e por falar em cadernos: de forma +- similar ao The Golden Notebook, da Lessing – último que discutimos, lembra? - a escrita aparece como meio para tentar descobrir a identidade e delinear a realidade de uma pessoa.
A diferença é que, em Stiller, a iniciativa é externa ao indivíduo, dado que são as autoridades que entregam os cadernos a White/Stiller, que não acredita na efetividade do recurso da linguagem para essa empreitada. Colo uma passagem fascinante sobre isso:

Concordo com você, as contradições objetivas e a convicção de Stiller alimentam nossa dúvida durante um bom tempo, porém logo a verdade transparece mediante o próprio testemunho de Stiller. Quanto à sua percepção do que ocorria com o protagonista, Daniela,
imagino que você tenha adentrado na questão do “Amar o impossível”, sentimento que forma parte da natureza do homem, a quem foram concedidos o desejo e a imaginação, os quais o induzem sempre a querer romper os limites e alcançar aquilo que não tem. Mais do que as
imperfeições da Suíça, isso é o que leva à ruína de Stiller, que parte em busca daquilo que entende como garantia de plenitude: a aventura e o exótico. Destaco, no entanto, que, além dos sofrimentos humanos, o "amor ao impossível" também nos proporcionou extraordinárias
façanhas do espirito humano, as obras mestras da arte e do pensamento,
os grandes descobrimentos científicos e - o mais importante –
a noção e a prática de liberdade.
Durante os anos de exílio voluntário, ele parece ter levado uma vida errante nos Estados Unidos e México. São descrições impregnadas de melancolia e que muitas vezes atingem um alto nível artístico. Será que Stiller, vivendo de maneira primitiva nos bosques de Oregon ou
compartilhando a miséria e exploração dos camponeses mexicanos,
encontrou a intensidade de vida que buscava e que não encontrava
quando vivia na civilização urbana ocidental castradora?
O testemunho dele é vago, porém a ironia e
o sarcasmo de suas recordações parecem dizer que não.
Exato! Acredito que ele não encontrou e foi por isso mesmo que afunilei aquela sua reflexão sobre as sociedades para o indivíduo. A busca do indivíduo pela perfeição está fadada a reiteradamente esbarrar em novas frustrações, em novos desejos não contemplados – como nas sociedades.

Em várias passagens, o próprio White/Stiller percebe que, na verdade, ele precisava aprender a desapegar da exigência exagerada de si mesmo. Aprender a se aceitar sem tentar convencer os outros de ser quem não era. A fala que a mãe do amigo suicida dirige a ele, por exemplo,
é certeira e pungente: "Se ele tivesse encontrado alguém na ocasião que não apenas o encorajasse com palavras e expectativas, e sim que lhe mostrasse como se vive com suas fraquezas-"
E não é isso? Como viveremos em paz, se não aceitarmos nossas fraquezas? O contrário é possível? Não aceitá-las e viver em paz? Eu duvido. Agora, com toda certeza não é nada fácil aceitá-las e fazer as pazes com elas. White/Stiller que o diga, coitado. (E eu também...)

Verdade. Ao retornar, ele parece compreender que a vida real nunca estará à altura de seus sonhos e que a insatisfação que o fez desaparecer nunca será saciada. Salvo, sem dúvida, no
plano da imaginação, da ficção, onde os homens conseguem saciar sua vocação pelo excesso
e o anseio por existências fora do comum, ou pelo drama e o apocalipse. Inclusive, Stiller igualmente aprende isso durante seus dias na prisão. A personagem entretém o carcereiro
Knobel relatando-lhe uma série de supostos crimes que teria cometido e outras tantas
anedotas cheias de graça e de cor, mas que claramente são falácias ou casos distorcidos. São páginas pelas quais o leitor agradece por conta do humor e da astúcia que elas possuem, verdadeiros bálsamos em um livro de movimentos lentos, saturado de sombrio pessimismo.
Opa, pois falando em movimento lento: e quanto aquela lorota sem fim representada pelo casal Rolf e Sibylle? Retifico: triângulo amoroso, visto que Stiller entra na treta. Amante da esposa do promotor do seu próprio caso... Jesus. Com esse elemento da trama, ficou claro    
que o autor amplia a discussão sobre a liberdade também para o âmbito do casamento (Stiller e Julika são outra ponta), porém, mesmo assim, achei um pouco despropositado, meio desconexo dentro do livro. Ah, e muitíssimo chato, pois consumiu inúmeras páginas de uma
narrativa que torna-se cada vez mais lenta e arrastada com as idas e vindas desse casal. O que você tem a dizer sobre o papel desses dois na obra?

A história desse casal, assim como a de Stiller e Julika, surge para demonstrar como a mediocridade na qual a Suíça estava imersa havia realmente se infiltrado nos relacionamentos humanos.
Além disso, a relação entre o promotor Rolf e sua mulher Sibylle é a que melhor ilustra a alienação do amor através do trabalho da civilização moderna, que é a grande acusação de No Soy Stiller. Os maridos decidem que o casamento será um relacionamento aberto e
sem servidões, e que ambos manterão sua independência e liberdade. A bela teoria - como é comum acontecer - não funciona na prática. Quando Sibylle tem um amante (Stiller), Rolf sofre o impacto profundamente e, talvez pela primeira vez, descobre que ama e necessita da
mulher. A traição da esposa surge como uma espécie de estratégia de Sibylle para provocar o amor de Rolf ou, em outras palavras, para animá-lo, carregá-lo de sustância e salvá-lo da rotina.
Ah, ok. É a recorrência daquele confronto que eu não tinha feito: o comportamento do indivíduo suíço no casamento x progresso da nação suíça. Frisch usou para reforçar suas críticas, para apontar mais um aspecto ridículo do aparente progresso perfeito, mera fachada
de seu país. Embora eu não tenha gostado muito desses trechos, cabe admitir que Sibylle é uma personagem muito interessante, com ótimas falas. E essa reação do Rolf, citada por você, foi mesmo hilária. “Liberdade só pra mim” é sempre um lema mais fácil de seguir,
não é? (Ah!, e o apelido do Stiller, "mimosa ruminante" também é ótimo.) (Um breve adendo:) Engraçado que Ifigênia, livro escrito pela venezuelana Teresa de la Parra que li super recentemente, também se debruça sobre a complexa "liberdade no casamento".
É uma temática, de fato, instigante; principalmente nos dias atuais, quando os millennials (são eles? sei lá; haha) andam questionando bastante a famigerada monogamia e abraçando cada vez mais os relacionamentos abertos.

E acho que é isso, sim? Mais uma vez, agradeço
o tempinho dedicado para trocar uma ideia
comigo sobre literatura.
O prazer é sempre meu.
Só queria finalizar com um breve comentário;
caso me permita.
Lógico que sim.
Mande lá.
A mera existência de um romance como No Soy Stiller contradiz a tese que o próprio livro propõe. A atroz civilização do país onde a história acontece não deve ser tão destrutiva do espírito crítico, nem tão segregadora de um conformismo generalizado, quando nesse mesmo
meio surgem contraditores tão intensos quanto Max Frisch e críticas tão duras como as desta obra. Mas quem sabe um dia virá o limbo suiço e o inferno tão desejados por pessoas como Anatol Stiller.
Eita! "Girl; the shade, the shade of it all."
Haha; esses nossos papos são sempre uma diversão.








Obrigada, Llosa;
e até o próximo livro!

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