01/07/2018

Diário Cinematográfico 2018.1

Plano: para fins de recordação, tento incluir aqui breves registros do que me marcou/chamou atenção em alguns filmes vistos. Vale qualquer coisa: imagem, gif, diálogo, frase, pensamento, reflexão, música...

Disclaimer: total sentimentalidade nas estrelinhas e zero análise técnica, como sempre. ¯\_(ツ)_/¯
 Não gostei. ⭐⭐ Ok. ⭐⭐⭐ Gostei. ⭐⭐⭐⭐ Gostei muito. ⭐⭐⭐⭐⭐ AAAH! INCRÍVEL.

🎬

🎥 Nostalgia da Luz (Nostalgia de la luz) (2010 - by Patricio Guzmán) ⭐⭐ ½
Deserto do Atacama, um deserto completamente envolto pelo Passado: aos lados, acima e abaixo.

Enquanto assistia ao documentário, percebi a possibilidade de conectá-lo à animação Coco, incluída anteriormente neste mesmo diário. Essa epifania surgiu quando ouvi o arqueólogo chileno mencionar que seu país não pode permitir que a tragédia dos mortos e torturados pela ditadura de Pinochet seja esquecida.

Curiosamente, foi mais um filme que me levou de volta a um conto da autora americana Lucia Berlin, chamado Strays (coletânea A Manual for Cleaning Women). Nele, a protagonista é enviada para um centro de reabilitação de drogados no meio do deserto (Novo México, USA); programa piloto governamental que utiliza as instalações de um abandonado sítio militar de radares. A associação estabelece-se por conta das descrições dos ventos fortes, do amplo deserto e das enormes estruturas discais dos radares, que giram dia e noite.

🎥 Taxi Teerã (Taxi) (2015 - by Jafar Panahi) ⭐⭐
As contradições do Irã expostas por Panahi nesse filme são realmente intrigantes. Contrabando de todo tipo de enlatado americano, por exemplo, é cômico demais. E o que dizer do cara que, em seus minutos finais de vida, tem de dar um jeito de gravar um testamento, caso contrário sua esposa ficará à míngua, sem um tostão? Moleza, só mesmo sentando no pudim, né?
⤷ Nasrin Sotoudeh - Advogada especializada em Direitos Humanos
(Gif: eu que fiz®)

🎥 Me Chame pelo seu nome (Call me by your name) (2017 - by Luca Guadagnino) ⭐⭐⭐⭐ ½ (💛) 
O que mais posso falar a respeito desse filme, que já não já tenha sido dito pelas pessoas sensatas (sim, pois há uns tontos aí que não o curtiram etc)?! É lindo.
- Atores/diretores, é assim que se demonstra paixão, caramba!
Poxa, ~há uns atores aí~ que simplesmente não conseguem convencer ninguém nesse quesito, provocando enorme frustração no coração de quem está assistindo. Aprendam, senhores; por favor.

Sobre a cena final que emocionou muita gente, em que o pai dialoga com o filho, adorei esta perspectiva acrescentada pelo ator Michael Stuhlbarg em relação à escolha de como encená-la (via: Interview Magazine)
"I’ve learned over the course of years, it can be helpful to allow the audience their own experience of watching something, so if you are emoting [too much], it may prevent them from going through something. This way people can be invited in and let their own experiences go along for the ride of what it is you have to say. I think Luca was absolutely right to use the take he chose." 


Em nova sincronia proporcionada pelo twitter, esbarrei com essa frase do escritor Julian Barnes, usada na divulgação de seu novo livro The Only Story, que acredito conter a essência aproximada da fala do pai de Elio e, até certa medida, do próprio filme:

Chalamet = 💛
(Gif: eu que fiz®)

🎥 Viva: A Vida é uma Festa (Coco) (2017 - by Lee Unkrich, Adrian Molina) ⭐⭐⭐⭐
Suspeito de que este filme funcionaria como um bom teste psicológico, pois a reação imediata do espectador é, suspeito, bastante reveladora. Algumas possibilidades de reação:
1. - Mimimi, ninguém lembrará de mim, buáááá (chorando feio);
2. (Bancando a Scarlett O'Hara:) - Na minha família, ninguém será esquecido! (punhos cerrados, olhos lacrimejantes);
3. - Nhé, não gostei. Quem morreu, morreu; não existe vida após a morte. Que ridículo.;
4. - Grande alívio saber que ninguém se lembrará de mim, pois assim não demorará para que eu morra definitivamente. Ufa!;
5. - Que coisa mais linda! Família é mesmo o verdadeiro sentido da vida.;
6. etc etc;


🎥 Lady Bird  (2017 - by Greta Gerwig) ⭐⭐
Lendo agora minhas anotações escritas logo após vê-lo, fiquei surpresa e feliz por ter encontrado isto: lembrou a Tetralogia Napolitana, por conta da relação com as origens, a tentativa de criar uma identidade a partir do zero, trocando até o próprio nome. Pois não é que, ouvindo o episódio #01 do novo podcast A24 (aqui), descobri que a Gerwig de fato se inspirou na obra da Ferrante?! Ora, ora. 

Curti:
1. A cena inicial da mãe e filha ouvindo emocionadas o final do audiobook de Grapes of Wrath/Vinhas da Ira, do Steinback (gosto muito dele), ficou bem bonita. Aliás, essa cena do carro é excelente. 

2. Também gostei muito da sequência com as duas amigas durante a festa de formatura.

3. O filme rendeu uma experiência surreal e divertida. Quando a Lady Bird transa pela primeira vez, eu mandei em voz alta: "eita, mas ela tá perdendo a virgindade on top?! E logo em seguida, o que é que a personagem diz pro boy escrotão? Tá-dáhI was on top! Who the fuck is on top their first time?  Mandou bem nessa, Gerwig.

4. E: Saoirse Ronan, claro. Mal posso esperar para ver mais filmes com essa moça.
(- Mas, Ronan, escolha umas coisinhas mais interessantes para fazer, néam?)


🎥 Trama Fantasma (Phantom Thread) (2017 - by Paul Thomas Anderson⭐⭐⭐⭐ ½
Poster lindo feito pelo artista Brian Vee.
Via: Indie Wire


Estava com expectativas altíssimas para esse filme e, felizmente, Anderson e Day-Lewis não me desapontaram. Bom demais.

Pontuando breves comentários aleatórios:

1. Sejamos honestos/honestas: alguém ficaria com um cara que, com mais de 50 anos nas costas, mantém costurado,  no forro de suas roupas,  uma mecha de cabelo da mãe morta??!  

2. O filme traz uma das melhores cenas de briga de casal durante um jantar "romântico". Que diálogo sensacional. Tragicomédia da melhor qualidade. 

-When the hell did this happen? Who are you?
Do you have a gun? You're here to kill me? Hm, do you have a gun?
-Stop it!
-Where's your gun?
-Stop being a child.
-Where's your gun?
-Stop...
-Show me your gun.
-playing.


3. Esta imagem é espetacular e, acho, minha favorita do filme:
Por coincidência, esbarrei no twitter com uma frase não relacionada da Patti Smith (compartilhada por @tocitati) que dialoga super bem com ela:
“I climb the side of a volcano carved from ice,
heat drawn from the well of devotion that is the female heart."
                                                                               - Patti Smith.

4. Obviamente, preciso citar a trilha sonora incrível produzida pelo querido Jonny Greenwood. 
Trilha completa aqui: Spotify

5. Por fim, neste clima de despedida/aposentadoria de Daniel, é claro que só nos resta choramingar por um milagre:

🎥 A Forma da Água (The Shape of Water) (2017 - by Guillermo del Toro) ⭐⭐⭐1/2


Uau, é definitivamente um filme com bastante água, hein? Fazendo um breve exercício de recapitulação mental, a água aparece, de alguma forma (oi!), em todas as cenas. Por feliz coincidência, devaneei muito a respeito do símbolo "água" no recente post para o conto O Imortal, de Borges; entretanto o significado principal (a meu ver, veja bem) da ~simbologia aquática~ em The Shape of Water acabou não sendo discutido naquela entrada, visto que o texto Borgiano não admite tal sentido (pelo menos, eu acho que não, "veja bem" no. 2), qual seja: sexual/erótico. Má oi!!! Na boa, esta cena aí ↷ tornou-se a minha mais nova ~metáfora imagética~ (is that a thing?) favorita para orgasmo:
(Gif: eu que fiz®)

Pra finalizar, quero guardar esta frase certeira que figura durante o filme:

🎥 Paisagem na Neblina (Landscape in the Mist) (1988 - by Theodoros Angelopoulos⭐⭐
Basicamente, eu diria que é uma poesia épica através de imagens. Confirma?




(Gif: eu que fiz®)

Uma jornada inteira procurando um Pai cuja existência é desconhecida; cujo paradeiro é obscuro? Empreitada marcada por quedas recorrentes que garantem, contudo, restabelecimentos cada vez melhores e mais rápidos? Hum, essa trama está me soando bastante ~familiar~. E, assim sendo, é claro que o final das crianças só poderia ocorrer no barquinho de Caronte. Especialmente em uma história que se passa na Grécia, repleta de referências a tragédias gregas.

🎥 La promesse (1996 - by Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne⭐⭐⭐⭐


Nossa, que porrada. À medida que o filme avança, a tensão aumenta, enquanto o espectador se encolhe cada vez mais.
Em poucos dias de dura encruzilhada moral, o garoto de apenas 15 anos amadureceu, sei lá, uns dez anos.

P.S.: é mais um filme no meu diário sobre a experiência de imigrantes/refugiados no continente europeu que parece ter sido lançado ontem, e não há mais de dez anos. Loucura. 

👈 * Outro poster irresistível da Criterion Collection.



🎥 Desamor (Loveless) (2017 - by Andrey Zvyagintsev⭐⭐
Hum, nope; pra mim, não rolou. Sei lá; achei 1.muita vibe  "episódio de Black Mirror com duas horas de duração" (detesto essa série), 2.muito jeitão de filme parte da franquia "Tempos Líquidos" do Bauman, 3.muito "uh, nessa era de redes sociais, não sabemos mais construir laços afetivos reais", muito... Enfim, já deu pra entender, né? Outra: imagino que uma edição com mão mais firme o tivesse favorecido.

As duas estrelinhas vão exclusivamente para:
1. o interessante subtexto que reforça a ideia de que, antes de botar a culpa no outro por um relacionamento que desmorona (opa, olha a imagem metafórica da busca do "fujão"* pelos prédios abandonados), é mandatório testar com honestidade o nexo causal: "- espera, até que ponto eu mesmo/mesma sou o/a bostinha dessa relação?"
[* = coitado; o garoto perde até o nome.]

2. esta excelente, ainda que bastante cruel, cena:
(Gif: eu que fiz®)

🎥 Terra de Ninguém (Badlands) (1973 - by Terrence Malick⭐⭐1/2
(1)
O Moço:                                                                             A Moça:
Policial: Gosta de pessoas?                                               Moça:  Como ele está?
Moço: Elas são "ok".                                                          Moço: Eu o atingi (bala) no estômago.
Policial: Então, por que fez isso?                                        Moça: Ele está chateado?
Moço: Não sei. Queria ser um criminoso,                          Moço: Não me disse nada sobre o assunto. 
            mas não tão grande.   

É, moça, "estupidificado" é uma palavra legal
 para descrever vocês dois.


(2) (Gif: eu que fiz®)
"Acima de tudo, 
decidi nunca mais ir atrás 
de um homem desajustado;
mesmo que o amasse."

(3) - Malick, ficou bem bacana e tals, porém esta continua sendo a minha cena favorita ao som de
Love is Strange, do Mickey & Sylvia:

                     
(E três cinéfilos desmaiaram com esta postagem.)

🎥 Um Pequeno Romance (A Little Romance) (1979 - by George Roy Hill⭐⭐1/2

Um Pequeno Romance, assim como Terra de Ninguém também nos apresenta a um casal apaixonado que foge dos pais; porém as diferenças em relação àqueles dois estupidificados do filme do Malick são fascinantes. Atenção para a listinha:

- Daniel e Lauren, nossos protagonistas, têm apenas 13 anos;
- Ele é cinéfilo; ela, bibliófila;
- Ambos são leitores de Heidegger e têm QI acima de 160;
- São "espertos" o suficiente para:
1. perceber que seria possível fugir sem ter de matar os pais;
2. saber que precisariam arrumar dinheiro antes da fuga > e conseguem;
3. arrumar um adulto malandro e batedor de carteira responsável capaz de auxiliá-los durante a jornada;
4. escapar dos policiais sem ter de assassinar ninguém;

- Fogem com um destino certo, muito mais romântico e sofisticado: Veneza! E com um objetivo: selar o amor através de um beijo sob a Ponte dos Suspiros durante o pôr do sol, ao badalar dos sinos.

💖 "Lauren Bacall e Humphrey Bogart."💖
Ou seja, é um filme ~fofinho~ bem feitoAh, e o Laurence Olivier me pareceu completamente irreconhecível! Se o nome dele não tivesse nos créditos da abertura, acho que não o teria identificado:

🎥 Le Tableau (The Painting) (2011 - by Jean-François Laguionie⭐⭐⭐1/2
(1) Pintor ↔ Criador ↔ Deus. Essa não é uma alegoria exatamente original, mas penso que preserva o encanto. De qualquer jeito, ressalto que continuo preferindo a saída de Ariano Suassuna: é o Dono do Mamulengo!

(2)
("Ele" = o Pintor) 
Será que isso foi uma pegadinha? Afinal, os cristãos (como mero exemplo) conseguiram resolver esse aparente paradoxo facilmente, confere?

(3) Guardo comigo:

Hum, lembra o traço de Asterios PolypViajei?
(Gif: eu que fiz®)
🎥 Corpo e Alma (On Body and Soul) (2017 - by Ildikó Enyedi⭐⭐⭐⭐1/2  (💛)
Aproveitarei a premissa do filme para registrar uma breve anedota televisiva pessoal. Quando eu era criança pequena lá em Barbacenaassisti a um certo episódio do programa da Silvia Poppovic, na Band (sim, isso mesmo que você leu), em que uma entrevistada afirmava que os videoclipes da banda A-ha eram baseados nos mesmíssimos sonhos que ela compartilhava com o vocalista Morten Harket. O assombro causado pela fantástica história da moça ficou tão encrustado em meu cérebro infantil que, 84 anos depois, cá estou revivendo-o neste querido diarinho. Como se isso não bastasse, vale relembrar que minha "Lista de coisas em que eu acredito", parte integrante da postagem de 10/12/2017 deste blog,  inclui o quê? Sim, SONHOS!!! Desse modo, imagine aí o jeitão da cara que fiz ao descobrir a existência desse filme. Foi qualquer coisa deste tipo: ⇲

Encontrar, naquele com quem dividimos os mesmos sonhos, um grande amor. Mais estupendo ainda: enebriar-se tão plenamente de felicidade por poder viver esse sentimento no "mundo real", a ponto de sentir-se preparado a dispensar o mundo de Morfeu. Meu coração romântico fica todo derretido. 

P.S.: parabéns aos atores que protagonizam o filme. Agradeço-os pela ótima performance. 

🎥 Alice nas Cidades (Alice in the Cities) (1974 - by Wim Wenders) ⭐ (💛)
Os filmes do Wenders são mesmo pura poesia, hein? Adorei cada segundo desse. Os temas surgem bastante intrincados, porém de um modo despretensioso e sensível: a construção de nossa identidade, a busca pelo nosso lugar no mundo, a relação entre memória (+ as empreitadas anteriormente citadas) x fotografias, amadurecimento, o paralelo estabelecido na jornada do adulto e da criança, amizade... Pra mim, tudo genial.

Começando o ano incluindo mais um no grupo de filmes queridos da vida. Yay! 
   
(Gif: eu que fiz®)

Ah, quase esqueço: estabeleci relação imediata entre uma fala do filme e um dos meus trechos favoritos do livro To The Lighthouse, da Virginia Woolf. Phil aparece frustrado porque suas fotos não captam aquilo que ele efetivamente vê, enquanto Lily Briscoe, a personagem pintora de Woolf, exaspera-se porque não consegue transpor para suas telas as imagens tal como as enxergava. Haveria algo errado com nossa percepção da realidade? Creio que não, correto? Seguem os trechos:


(Gif: eu que fiz®)

"The jacmanna was bright violet; the wall staring white. She would not have considered it honest to tamper with the bright violet and the staring white, since she saw them like that, fashionable though it was, since Mr Paunceforte’s visit, to see everything pale, elegant, semitransparent. Then beneath the colour there was the shape. She could see it all so clearly, so commandingly, when she looked: it was when she took her brush in hand that the whole thing changed. It was in that moment’s flight between the picture and her canvas that the demons set on her who often brought her to the verge of tears and made this passage from conception to work as dreadful as any down a dark passage for a child. Such she often felt herself — struggling against terrific odds to maintain her courage; to say: “But this is what I see; this is what I see,” and so to clasp some miserable remnant of her vision to her breast, which a thousand forces did their best to pluck from her."

                                                                                                  - Virginia Woolf, To the Lighthouse.

🎥 Poesia (Shi) (2010 - by Chang-dong Lee) ½ 
Filme simples e complexo, de fato tudo junto. A história é repleta de camadas, havendo doçura e dureza; beleza e tristeza. O contraste entre as personagens masculinas e femininas, em especial, é bastante interessante e chama demais a atenção. Lindo, lindo. (Gifs by me:)

   
(Gif: eu que fiz®)

🎥 Minha Vida de Abobrinha (Ma vie de Courgette) (2017 - by Claude Barras⭐⭐⭐⭐
O quê? Não, é claro que  meu pinto não explodiu  não estou chorando. É só um cisco no meu olho, ok?
Sete crianças adoráveis curtiram seu diário cinematográfico. Wee!!
P.S.: Camille, a criança prodigiosa que lê Kafka. 👇

🎥 A Esposa Solitária (Charulata) (1964 - by Satyajit Ray⭐⭐⭐⭐
Segundo filme do Satyajit Ray a que assisto e, novamente, encontro a mesma vagareza delicada para narrar a história. É um roteiro que dá aula de sutileza, contudo explodindo no desfecho. Em minhas elucubrações, questionei se a esposa representaria a própria Índia, carreando a mensagem: "se não voltarmos (indianos) nossas atenções para a beleza e o potencial de nosso próprio país, o perderemos." Devaneios.

Dentre as inúmeras imagens belíssimas criadas pela câmera do cineasta, escolho estas duas como minhas favoritas:
   
(Gif: eu que fiz®)

🎥 O Último dos Moicanos (The Last of the Mohicans) (1992 - by Michael Mann) ⭐⭐⭐ 
Durante o clima da lamentável aposentadoria voluntária do Daniel Day-Lewis, bateu vontade de ver um filminho dele antes deste último prestes a estrear (Phantom Thread). Na hora de escolher, pensei:

1. Bem, é o Daniel Day-Lewis cabeludo e fantasiado de moicano - Hello, Sir!!;
2. Vi há muito tempo; não me lembro de praticamente nada;
3. Mããs, lembro de que rola  um 💞~romancitcho~💞 - YAY!.
Então: "sim, vamos de O Último dos Moicanos"

Realmente não recordava o tanto que o Daniel corre pra lá e pra cá nesse filme. E o romance é tão instantâneo, que nem tem tanta graça. Nhé. Porém o queridíssimo Daniel cabeludo e fantasiado de moicano?! Ah, aí é 10/10!

                                      

I will, Daniel. (ʃƪ ˘ ³˘)~♥
🎥 Linda Linda Linda (2005 - by Nobuhiro Yamashita) ⭐⭐⭐⭐ (💛)
Filme super singelo e delicado sobre música e amizade entre garotas adolescentes. Perfeito pra aquecer o coração, relembrando as amigas da escola. Adorei demais.      
       Son (esquerda), estudante intercambista, falando em coreano.                       ❤                        Kei (direita) falando em japonês.


🎥 Cinzas no Paraíso (Days of Heaven) (1978 - by Terrence Malick) ⭐⭐⭐⭐½
(Dane-se, choverei no molhado, sim:) Visualmente, acho que é um dos filmes mais lindos a que já assisti. Locação, cores, enquadramento, imagens, argh!, é tudo lindo demais. 

E na moral? Não sei se trocaria Sam Shepard por Richard Gere, hein.
Espie este Hair Trembles with Emotion® ali à direita. Nah, não tenho dúvida nenhuma.

  

🎥 Um Dia Quente de Verão (A Brighter Summer Day) (1991 - by Edward Yang) ⭐⭐⭐⭐
Agora me diga se eu aguento
 um poster desse?

"When I got bored while I was hiding out, I'd read tons of martial arts novels a day. I'd tell them to get me the thickest novel they could find. I discovered people in the past who were just like us street gangs. There was this one guy. Everyone thought he was crazy. I remember everyone had run away and the city was set ablaze. He alone stayed behind to assassinate Napoleon. In the end, he failed and was caught. War and Peace. I've forgotten the names of all the other novels. That's the only one I remember."


Que paulada de filme. Ele tem um ritmo bastante lento, entretanto, a cada hora que passa, fica mais evidente sua grandiosidade. No final, acredito que o investimento de quase quatro horas valeu muito a pena (e seria interessante revê-lo qualquer dia, pois tenho certeza de que a experiência seria ainda melhor).

Vamos pra trilha com o adorável Cat Elvis Presley? Play!
                                                 
🎥 A Mulher do Aviador (La femme de l'aviateur) (1981 - by Éric Rohmer) ⭐⭐⭐½
Todas as estrelas vão para o diálogo incrível entre estas duas personagens no meio do filme. 
E Anne-Laure Meury roubou a cena o filme legal. 

Lucie: O que Sherlock Holmes teria feito?

François: Isso é romance. A vida real é bem 
diferente.
Lucile: Gosto da vida justamente quando se 
assemelha aos romances.

🎥 Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles (1975 - by Chantal Akerman) ⭐⭐

Sem saber, lá fui eu me meter noutro filme com mais de três horas de duração. E esse é complicado, pois a Akerman estava disposta a fazer um filme chato pra provar seu ponto de vista sobre o tema. Tudo bem, é justo, mas isso não torna o filme menos tedioso - só que quase em um bom sentido, o que é bem louco.

Contamos com aproximadamente 1 hora de filme para cada um dos três dias da vida de Jeanne, durante os quais nada acontece. Aliás, que tremenda injustiça cometo, pois a verdade é que Jeanne não para quieta um instante! Muitas coisas acontecem, porém todas relacionam-se à rotina ritualística em que a mulher vive presa em afazeres domésticos, centrada no filho que não faz bosta nenhuma.

Sem grandes surpresas, Jeanne torna-se um tanto mais "desleixada" a cada dia e em cada etapa de seu ritual. Reflexo natural do tédio desesperador.

Dentre os diversos detalhes carregados de significado cuidadosamente espalhados pelo filme, quero registrar dois que mais chamaram minha atenção:

1.  É possível que eu esteja vendo coisa onde não existe, mas me diga se isto aí não parece a linha de produção do patriarcado? "Mulheres fabricadas" em série para cuidar direitinho dos afazeres domésticos, do marido e dos filhos; explodindo de felicidade durante o processo.

2. E também encasquetei com este cachorro estático mantido dentro de uma cristaleira. Um cachorro paralisado dentro de uma cristaleira?! Mas não seria a própria condição de Jeanne Dielman? Seria apenas um ornamento qualquer ou minha ~leitura semiótica~ funfou?

🎥 Desencanto (Brief Encounter) (1945 - by David Lean) ⭐⭐⭐½
Uma galera na TimeOut o escolheu para o primeiro lugar da lista de melhores filmes românticos de todos os tempos, então tive de ver, claro. É um bom filme, com muitas imagens e falas lindas, mas... Sei lá, nem eu, que não suspiro incondicionalmente por Casablanca, teria tido coragem de passá-lo na frente de Bogart + Bergman. 


2. Entre os vários momentos lindos, acho que este é mesmo meu favorito:
  

🎥 A Maçã (The Apple) (1998 - by Samira Makhmalbaf⭐⭐⭐½
Grande mérito: conseguir imprimir nuance e complexidade a uma situação que, quando expressa apenas pela premissa  (= caso real de duas irmãs mantidas presas em casa, pelo pai, durante doze anos), pode parecer simples. No filme, todos intercalam papeis de vítimas e de algozes. Inclusive a diretora e o próprio espectador! (Eita, engoli seco.)

Registro algumas respostas da diretora concedidas em entrevista para o IndieWire - link aqui.

Sobre a forma do filme: 
“Is it real, is it documentary or fiction?” I say to them, “It is between documentary and fiction.” It is fiction because it has the storyline, it has a script. But it is documentary because everybody is the same person. All the dialogue [is spoken and created] by each person. (...) Everyone could say whatever they wanted. I know what they are going to do, what they are going to say, because I came to know them later. But I didn’t dictate to them. I let them say their own words. So, it is documentary and it is fiction, both of them.  

Sobre a temática mais importante:    
"The most important thing that I wanted to say was how important it is for us to have contact to be a complete human being. If we have no communication with the outside world, we will be the same as animals, we won’t be complete humans. (...) is maybe more about women and it is maybe more about women living in Iran, because they still have fewer chances to come out."

Sobre o símbolo da maçã:
 “(...) the apple is the symbol of life. Because of the first thing that Satan gave an apple to Eve so all of us could come out, come to this earth to start living. So it comes from their life. But these ideas are fiction. (is the apple) A bad thing? Of course it is a good thing. I said it. It was the first thing that caused all of us to come to this world, to start living. So how can it be bad? If it is bad, it means all of this world is bad. And the last shot when the mother comes out. I thought, maybe you think when the father and the children are all out [of the house], you think it’s the end of the film but it is not. Because there is somebody who is still important [that needs to] come out: the mother. At the end, this boy [who teases the mother with an apple] is at the same time a symbol of Satan and God together. He is provoking [the mother] to have this apple. But at the end, he is the person, the same as God, who put the apple, put the life, in the hand of the mother. So, at the same time, [he is] Satan and God. Provoking, but [ultimately] putting the apple."


🎥 Céline e Julie Vão de Barco (Céline et Julie vont en bateau: Phantom Ladies Over Paris)    (1974 - by Jacques Rivette) ⭐⭐⭐
Como resistir a esse poster?!
Jornada de mais de três horas de duração que começou sem que eu entendesse porcaria alguma do que estava acontecendo, mas que tornou-se cada vez mais interessante. Nos meus devaneios, encarei como um mashup entre David Lynch - Mulholland Drive talvez - e o livro do Bioy Casares, A Invenção de Morel. Surpreendente mesmo. Esta resenha no Letterboxd - link aqui - ampliou bem o escopo do filme pra mim. Trechos dela:
A meeting of two women who've only lived their lives through the fantasies of men. (...) The safe space first appears as a collection of dolls, toys, and books of silly phrases meant for childish belief. But these women transforms them into instruments of magical power—broken candies the secret to sliding into a reality just a cab ride away. (...) Only as each other can they break out of the fantasies of other men and become their own adventure. 
They succumb again and again to seeing the same dull narrative play out in its most banal fashion: forbidden love sets the stage for the death of a young girl—we've seen it all before, haven't we? The stale language, over-emphasized pauses, and drab set dressing reveal itself finally as a ghastly relic of the past. So let the women provide their commentary, turn from side characters into detectives, and heck, tango on through the story and make their own ending. 
Insisto, porém, que três horas é demais da conta, Monsieur Rivette.
(Gif: eu que fiz®)
🎥 Asas do Desejo (Wings of Desire) (1987 - by Wim Wenders) ⭐⭐⭐½
   
Name the men, women and children
who will look for me
me, their storyteller
their cantor, their spokesman.

Because they need me
more than anything in the world.

We have embarked.

A temática/figura do Storyteller foi particularmente favorita (os anjos sabem o quanto preciso do Contador de Histórias na minha vida). E gostei bastante da ideia que permeia a conclusão final - gif esquerda ( = eu que fiz®).