15/08/2021

And I draw a line to your heart today #04

Apesar das dores chatas que tenho sentido (pescoço, ombro), consegui fazer novos desenhos feios; oba! Antes de mostrá-los (~suspense~), anoto pra mim (e compartilho com quem porventura caia aqui) três encontros legais relacionados ao tema. Bora lá!

🎨 Em 2021, assisti pela primeira vez ao O Gosto do Chá (2004), do diretor Katsuhito Ishii, e esse bendito filme tem uma das mais lindas cenas finais que já vi. Colo abaixo um vídeo com a respectiva passagem que, em resumo, corresponde ao momento em que a família, ao entrar no puxadinho onde o "excêntrico" vovô recém-falecido vivia, descobre os flipbooks — cadernos com desenhos animados / em movimento — que ele desenhara pra cada um deles. O momento guarda uma delicadeza tão tocante, que chorei feito uma desgraçada, sobretudo por conta do que significa, no contexto da história, o desenho feito para a garotinha. Aliás, se eu fosse cineasta, esse é totalmente o tipo de filme que gostaria de fazer: sem pé nem cabeça e, por isso mesmo, com todos os pés e cabeças que realmente importam. (*Quem assistiu pescou a sacadinha. Hi5!)


🎨 Fiquei fascinada com os quadros que a artista Helga Roht Poznanski faz com aquarela. São deslumbrantes. Eu brinco com aquarela por ser uma tinta prática e relativamente barata, no entanto, pra ser honesta, sempre acreditei tratar-se de um material incapaz de render imagens expressivas; quero dizer, imagens que não sejam kitschy ou (como diriam os britânicos) meio twee. E o pior é que, conforme a própria artista afirma no vídeo abaixo, a aquarela é bem ardilosa de se usar, em especial por usualmente não admitir erros. Dito isso, eis que Helga Roht Poznanski surgiu no meu caminho para dizer que eu é que não tenho talento para aquarela, pois o material pode, sim, render bons trabalhos. Também destaco o instigante processo criativo compartilhado por Poznanski neste vídeo, o qual super me deu ideias para arriscar o voo da minha imaginação, ainda que eu não domine os fundamentos técnicos do desenho: partir de colagens para, a seguir, desenhá-las/pintá-las. Talvez funcione. Ah, e experimentar o uso da tinta menos diluída em água, para obter cores mais intensas e interessantes. Por fim, a própria Poznanski me pareceu uma mulher incrível; fiquei feliz por tê-la conhecido.
"Nunca digo que sou artista. Eu sou pintora. Porque o mundo é arte; tudo é arte e, se não houvesse arte, não existiria vida." 
                                                                           -  Helga Roht Poznanski

🎨 Dada minha suposição de que, para tentar contornar a terra arrasada na qual a internet tem se transformado, é importante ajudar a impulsionar aquilo que estimamos, registro o canal recém descoberto da artista Valerie Lin. Ainda o estou explorando (esbarrei nele ontem), mas os vídeos que vi me inspiraram a prosseguir aprontando. E acho massa que ela more em Berlim, incluindo nos vídeos imagens dos passeios que faz por aquela cidade deliciosamente maluca. Incluo o último upload de Lin no You Tube: (*Instagram: @itsvalerielin)


🎨 Para finalizar, estes foram os desenhos com os quais brinquei nos últimos meses:


Não sei onde eu estava com a cabeça ao tentar pintar essa cena (as sombras, as luzes, aaahhh), visto que minha habilidade obviamente não está à altura de tamanha empreitada. Contudo, a despeito dos diversos erros, admito estar bem contente com o resultado final. A inspiração veio de um mini vídeo (com tantos elementos que me são caros: bichinho, janela, dança, noite, gaze) postado no Instagram por @mignonettetakespictures (fonte original: @dincerisgel), link: X. (*material: aquarela e um peteleco de caneta nanquim)


Suei, mas a Buffy do Wishverse finalmente saiu (ou algo parecido — nem queiram ver como ficou a versão em aquarela. Spoiler: horrível). Conforme comentei no post a respeito de minha experiência revendo Buffy em 2020/2021, espanta saber que, caso a série fosse criada hoje, essa daí, com absoluta certeza, seria a Buffy do Universo Canon, enquanto a Buffy que conhecemos é quem pertenceria a um mundo paralelo distópico. Que instigante, o quanto uma sociedade é capaz de mudar, em tão pouco tempo. (*material: lápis de cor + giz pastel seco)


Esse danadinho me deu um baita trabalho; especificamente, o próprio rascunho: o que é a cabeça desse bicho, afinal? Que crânio é esse? E o olho?! A patinha?! Mas estou curtindo bastante desenhar animais e já salvei várias fotografias para referência, vejamos se conseguirei executar algumas delas. 

A inspiração desse desenho veio de uma foto postada, no Instagram, pela conta @zildafariass, link: X. A Zilda Farias posta tantas fotos lindas do tio que mora no interior de Pernambuco, que talvez eu traga outros desenhos inspirados vc pelas imagens que ela compartilha. (*material: lápis de cor)


Pintura inspirada numa cena do lindo filme A Cor da Romã (1969), de Sergei Parajanov. Scorsese é provavelmente um boomer a quem devemos dar ouvidos, hein. Galera perdendo tempo com filmeco enlatado de super-herói, enquanto uma preciosidade dessa existe no mundo; lastimável. (*material: aquarela + um tico de lápis de cor) 
"Watching [The Color of Pomegranates] is like opening a door and walking into another dimension, where time has stopped and beauty has been unleashed…. Before all else it's a cinematic experience, and you come away remembering images, repeated expressive movements, costumes, objects, compositions, colours"

                                                                                                         - Martin Scorsese 

[Atualização em 23/08/2021: o comentário da Maria Eduarda (abaixo) me fez perceber que, neste mesmo post, eu incluí um desenho da minha querida super-heroína - Buffy! hahahahaha, Jizuiz! Bom, aproveitarei para colar aqui a resposta: Essa é uma das diversões de manter um blog: descobrir, compreender e fazer as pazes com minhas contradições. Enfim, nem se trata de deixar de curtir os filmes de super-heroínas(heróis) mas, sei lá, de ter um pouco mais de curiosidade para outras coisas, acho. É, acho que foi isso que quis dizer...?]

Veja bem, as proporções dessa pintura estão absolutamente cagadas, a Tilda Swinton está parecendo uma alienígena (se bem que: será que não é?) e, mesmo assim, creio ser minha obra-prima. As risadas, ao menos, já a fizeram valer a pena. Além do mais, estou mega orgulhosa da solução que encontrei para pintar com aquarela a maldita camisa do Bill Murray. 

Para não desperdiçar o meme: quem é o Correndo entre Livros nesta foto? Bem, este blog adoraria ser uma mistura de Anderson com Swinton, mas ele só dá conta de bancar o combo Chalamet & Murray.  E olhe lá. ¯\_(ツ)_/¯  [*material: aquarela + colagem marota (*balcão com a logo do festival)]

3 comentários:

  1. vc muitas vezes diz que seus desenhos são feios, mas eu acho cada um mais lindo que o outro. não tô me aguentando com a fofura do terceiro desenho *_* fofo d+

    "Galera perdendo tempo com filmeco enlatado de super-herói, enquanto uma preciosidade dessa existe no mundo; lastimável" THIS!!!

    (ainda sem ler excellent women, mas acho que até o final do ano essa leitura sai, se Deus quiser)

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    1. Oi, Maria Eduarda, tudo bem? Que legal ler um novo comentário seu, ainda mais tão generoso com meus pobres rabiscos; muito obrigada. Ah, eu falo que meus desenhos são feios porque são mesmo (cheios de defeitos, sem técnica), mas, hey, eu os fiz, eles me deixam feliz e marcam um momento da minha vida, daí publico. Hilário que seu comentário, ao destacar o que escrevi sobre A Cor da Romã, me fez perceber que, no mesmo post, incluí um desenho da minha querida super-heroína - Buffy! (Sério, só me dei conta agora! Essa é uma das diversões de manter um blog: descobrir, compreender e fazer as pazes com minhas contradições.) Enfim, nem se trata de deixar de curtir os filmes de super-heroínas(herói) mas, sei lá, de ter um pouco mais de curiosidade para outras coisas, acho. É, acho que foi isso que quis dizer...? (*Atualizarei o post) Bjo pra você.

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    2. eu (acho?) que entendi o que vc quis dizer e tbm não tenho nenhum problema com filmes de super-heróis (ou das pessoas que gostam deles), só nunca consegui gostar de um filme desse gênero até hoje e me sinto ~fora da bolha~ popular quando todo mundo só fala deles.

      não é uma crítica, apenas uma ressalva. talvez esse sentimento de não me sentir parte de algo maior (nesse caso, o algo maior seria o fandom dos filmes de super-heróis(?) kkkkk) me deixa um tiquinho acanhada com filmes desse gênero.

      eu amo ler romances indies açucarados (meu gênero literário favorito, sendo sincera), daqueles que ficam disponíveis aos montes no kindle unlimited. quem sou eu pra julgar quem gosta de assistir filmes de super-heróis? mas é como vc disse, não faz mal assistir / experimentar / ter curiosidade sobre algo diferente nas nossas vidas. se não der certo, é só voltar p/ nossa zona de comforto. ela existe por um motivo :-)

      bjs pra vc também.

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