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12/05/2018

Diários Susan Sontag 1947-1963 [#03]

(*Sobre o livro: clique aqui. Ed. Compnhia das Letras, tradução: Rubens Figueiredo.)


Minha cara não aparece aqui, mas asseguro que ela não é a de uma pessoa disposta a criticar o diário alheio, muito menos o de uma escritora como Susan Sontag. Para registrar essa leitura, escolhi interagir humildemente com o diário dela (o qual é marcado por interessantes listas, citações, pensamentos aleatórios): 1. criando minhas próprias listas a partir das ideias que Sontag lança; 2. dando pitacos inúteis sobre o que ela discorre ou 3. simplesmente anotando as citações que me tocaram, para não esquecer. Haverá (acho, talvez, quem sabe) outras mini postagens. 

Por favor, Sontag, perdoe minha audácia, ok?








[Postagens anteriores: #01, #02]

(* em negrito = entradas da Sontag.)

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26/08/1949
"Observo com prazer o meu ingresso na fase anarquista-estética da minha juventude. (...) Estou de saco cheio de gente, de burrice, de mediocridade, de cruzadas e política..."


12/05/2018
16 anos. Meros dezesseis aninhos, e a Sontag já estava puta com tudo. Começou a passar raiva bem cedo. Sinto muito por ela.














Em vez da fase anarquista - que nunca tive, aliás -, aos 16 anos, eu já tinha iniciado minha fase eremítica. Hey, cada um reage às agressões do mundo como pode, certo? Sem julgamentos, por favor.














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24/10/1956
“Filosofia é topologia do pensamento...
"

"Permita-me radiografar seu argumento..."
"Permita-me desemaranhar seu sistema..."    
"Dê-me licença para escavar seus motivos..."

12/05/2018
Eita, será que consigo dar continuidade à brincadeira? Deixe-me ver aqui...
"Não, lindíssima, falou nada; bora rever issaê?..."
"E se eu peneirasse essa sua caixinha de areia, hein, gato? A pazinha já tá na mão..."
"Ei, Metidão a Gambinão, deixe-me interpretar os símbolos dessa sua tentativa de This is America..."

(É o que teve pra hoje.)

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31/10/1956
“O solipisismo é a única filosofia verdadeira, se por filosofia se entende algo diferente do senso comum. Mas, é claro, ela não se entende assim e não é isso. Portanto não estamos em busca de uma filosofia verdadeira." 


12/05/2018












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16/11/1956
“(...) pathos da vocação do artista." 


12/05/2018
Mas é claro! No último Diário Cinematográfico, ao tentar descrever a descoberta de uma temática que aparentemente não curto muito em filmes, eu apelei para as expressões "Jornada do Artista /  Calvário do Artista / Alegrias e Tristezas da vida do Artista." , porém essa aí é muito mais precisa e, como diria a própria jovem Sontag, intelectual! Já incorporei ao meu arsenal particular. Valeu.


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14/01/1957
"Notas sobre uma infância


[Primeira versão]

Pernil + espinafre. Anthony Rowley.

No trem para a Flórida: "Mãe, como se soletra pneumonia?"

Sentada na cama do vovô no domingo de manhã.
(...)
Equipamentos de química"


12/05/2018
Notas sobre uma infância

Sopa no jantar às segundas, quartas e sextas. (oh, yeah.)

Em pleno almoço (!): "Pai, pra que serve a língua, hein?"
(*Hoje entendo porque papai perdeu a paciência comigo. Que criança idiota eu era. (..) "Era"? Aham.)

Visitar o avô materno e ele sempre perguntar: "E como vão os estudos?"

Nas aulas de informática: floppy disks e comandos MS-DOS.
(Que me deixavam BI-RU-TA-ÇA e chorando: "nunca decorarei essas merdas, vou reprovaaaaaaaar, eu quero môrréééééééér!!")

*
- Crianças do século XXI que nunca viram/pegaram/usaram um deste aí (👇), eu as invejo pra ca**lho!

Hold that smile, kid; hold that smile.

10/12/2017

Diários Susan Sontag 1947-1963 [#02]

(*Sobre o livro: clique aqui. Ed. Compnhia das Letras, tradução: Rubens Figueiredo.)


Minha cara não aparece aqui, mas asseguro que ela não é a de uma pessoa disposta a criticar o diário alheio, muito menos o de uma escritora como Susan Sontag. Para registrar essa leitura, escolhi interagir humildemente com o diário dela (o qual é marcado por interessantes listas, citações, pensamentos aleatórios): 1. criando minhas próprias listas a partir das ideias que Sontag lança; 2. dando pitacos inúteis sobre o que ela discorre ou 3. simplesmente anotando as citações que me tocaram, para não esquecer. Haverá (acho, talvez, quem sabe) outras mini postagens. 

- Por favor, Sontag, perdoe minha audácia, ok?








[Postagem anterior: #01]

(* em negrito = entradas da Sontag.)

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18/05/1949
"Será que algum dia vou conseguir aprender com a minha própria burrice?"


10/12/2017
Não, acho que o ser humano nunca aprende, Sontag. Bom, pelo menos eu mesma já desisti. Inclusive, suspeito de que o papo que travarei com o capiroto será como aquele da peça do Suassuna:

- Oxe, eu morri, é? E morri de que, Sr. Mefistófeles?
- Lamento informar, mas a senhora morreu foi de burrice mesmo. 
- Mas que merda, hein.
¯\_(ツ)_/¯


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25/05/1949
“- Meu Deus, viver é uma coisa enorme!"    


10/12/2017












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 04/06/1949
“Sexo com música! Tão intelectual!!"  

10/12/2017









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13/02/1950
“De Rilke:
"... a grande questão hereditária: ... se estamos sempre inadequadamente apaixonados, inseguros em nossas decisões, + impotentes em face da morte, como é possível existir?"

...

“Uma vez mortos, nós não sabemos disso, portanto é melhor pensar em estar vivo! Mesmo se morrermos antes de experimentar as coisas que exigimos da vida, não importa quando morremos — só perdemos o momento em que estamos — a vida é horizontal, não vertical — não pode ser acumulada portanto viva, não se humilhe."

10/12/2017
❤❤


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04/11/1956
“A respeito da morte de Gertrude Stein: saiu de um coma profundo para pedir à sua companheira, Alice Toklas:


[Certeza de que o cachorrinho, ali, sabe a pergunta e a resposta.]
[Espie a cara dele, todo se fazendo de desentendido.]


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24/12/1956
"David, muito prestativo e carinhoso enquanto se prepara para ir para a cama, ocasião em que houve este diálogo: “E se Deus não tivesse criado o mundo?”. Eu: “Aí a gente não existiria. Isso seria muito ruim, não é?”. Ele: “Não existiria? Nem Moisés?”. Eu: “Como alguém ia existir, se não existisse um mundo para ficar?”. Ele: “Mas, se não havia um mundo, onde é que Deus estava?”. Eu: “Deus existe antes do mundo. Ele não é uma pessoa ou uma coisa”. Ele: “Então, se Deus não é uma pessoa, por que ele teve de descansar?”. Eu: “Bem, a Bíblia fala de Deus como uma pessoa, porque é a única maneira como podemos imaginar Deus. Mas ele não é uma pessoa de verdade”. Ele: “O que ele é? Uma nuvem?”. Eu: “Ele não é uma coisa. Ele é o princípio por trás do mundo todo, a base do ser, em toda parte”. Ele: “Em toda parte? Neste quarto?”. Eu: “Ah, sim”. Ele: “Deus é a melhor coisa que existe?”. Eu: “Exatamente. Boa noite”.


10/12/2017
(Amei essa explicação!)















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[Com data apenas de 1957]

Em que eu acredito?
Na vida privada
Em mostrar cultura
Em música, Shakespeare, prédios antigos

O que eu aprecio?

Música
Estar apaixonada
Crianças
Dormir
Carne

Meus defeitos
Nunca chegar na hora
Mentir, falar demais
Preguiça
Falta de vontade para recusar



10/12/2017
Em que eu acredito?
(**hoje:)
Na empatia
Em sonhos
Em tartarugas marinhas

O que eu aprecio?
(**hoje:)
Literatura
Chocolate
Música
Serotonina
Paz

Meus defeitos
(**hoje:)
Preguiça
Passividade
Insegurança
Chata toda vida


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06/01/1957
"Uma espécie de orgulho tolo que advém de manter por muito tempo uma dieta de cultura elevada."

10/12/2017
Sei bem. É uma ideia que as redes sociais andam simbolizando através desta potente imagem:












Seria igualmente tolo orgulhar-se de manter uma dieta exclusiva à base de livros do Dostoiévski, enriquecidos da podridão humana? Hum, interessante. 


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15/01/1957
"Será que sou eu mesma quando estou sozinha?

Será  que não sou eu mesma quando estou com os outros, nem com o Philip — disso decorre a constante sensação de irritação, com ele, comigo mesma. Mas e sozinha, eu sou eu mesma? Também parece improvável."

10/12/2017
Ah, Sontag, essa questão também me atormenta tanto! Inclusive, já até registrei neste meu diarinho dois trechos dos livros da Woolf e do Pirandello que a abordam. Reproduzo-os novamente:


***

Para encerrar o post, as músicas que a Sontag curtia para render um ~sexo intelectual~. Play!


22/01/2017

Diários Susan Sontag 1947-1963 [#01]

(*Sobre o livro: clique aqui. Ed. Compnhia das Letras, tradução: Rubens Figueiredo.)


Minha cara não aparece aqui, mas asseguro que ela não é a de uma pessoa disposta a criticar o diário alheio, muito menos o de uma escritora como Susan Sontag. Para registrar essa leitura, escolhi interagir humildemente com o diário dela (o qual é marcado por interessantes listas, citações, pensamentos aleatórios): 1. criando minhas próprias listas a partir das ideias que Sontag lança; 2. dando pitacos inúteis sobre o que ela discorre ou 3. simplesmente anotando as citações que me tocaram, para não esquecer. Haverá (acho, talvez, quem sabe) outras mini postagens. 

- Por favor, Sontag, perdoe minha audácia, ok?

(* em negrito = entradas da Sontag.)

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23/11/1947
"eu acredito:
(...)
d) que o único critério para uma ação é a felicidade ou a infelicidade individual que em última instância ela produz;
(...)"


22/01/2017  11/05/2018 *ATUALIZAÇÃO*
A Sontag de 14 anos fez uma listinha de seis coisas nas quais ela acredita (*destaquei aqui uma apenas). 

Minha lista = uma música. > *ATUALIZAÇÃO*: daí que o maluco que "acredita poder voar" está sendo acusado de uns crimes horrorosos, e de jeito nenhum poderia continuar no meu diarinho. Em seu lugar entra, hoje, moço Phil Collins (espero que também não tenha aprontado nada...)


Se bem que, hoje, eu também poderia responder essa pergunta assim: Acredito que estou lascada. 👍

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13/04/1948
“As ideias perturbam a regularidade da vida.”


22/01/2017
Opa, eu não poderia dizer melhor; especialmente no dia de hoje.

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 29/07/1948
“...E o que é ser jovem durante anos e de repente despertar para a angústia, a premência da vida?
(...)
É a retração do sentimento pela própria família e por todos os ídolos da infância... É mentir... e o ressentimento, e depois o ódio..."
(...)"


22/01/2017 
Outra listinha com várias respostas para a pergunta que ela mesma apresenta. A minha resposta, hoje, seria esta:
É constatar que o famigerado "você pode ser tudo o que quiser" é uma falácia. 
Criatividade bombando.

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01/09/1948 
“(...) A montanha mágica [de Thomas Mann] é um livro para toda vida.” 

22/01/2017
Aos 15 anos, Sontag já tinha lido A Montanha Mágica. Eu, aos 15 anos, sequer sabia que existia um autor chamado Thomas Mann. ¯\_(ツ)_/¯

Se é pior, não sei; mas a verdade é que, remediada essa ignorância sobre o autor, ainda não li A Montanha Mágica. Aliás, nunca li nada do Sr. Mann,  porém, como a Sontag diz que é um livro para toda vida, resta-me apenas priorizar a leitura do bendito. (Mas vai demorar um pouco, pois parece-me que TODO.MUNDO decidiu lê-lo agora, então não quero brincar disso. Sim, sou mala desse jeito.)

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 01/09/1948
“...Quando eu estiver morto, espero que digam: Os seus pecados foram graves, mas seus livros foram lidos.” - Hilaire Belloc

22/01/2017
Gostei disso, contudo nunca ouvi falar desse autor (ironia não intencional) – e como sou pessoa irrelevante, isso não quer dizer nada. Deixe-me pesquisar rapidinho, então. (…) Ok, segundo a Wikipedia:
Joseph Hilaire Pierre René Belloc (1870 — 1953) foi um escritor britânico (...) reconhecido por, juntamente com os outros católicos (G. K. Chesterton, Cecil Chesterton, Arthur Penty), haver previsto o sistema sócio-económico do distributismo. (…) Escreveu muito sobre História, incluindo uma História de Inglaterra em quatro volumes, e vários tratamentos histórico e biográficos da Revolução Francesa (…) Ele era crítico literário e analista social e político, um incessante polemista em muitas áreas, jornalista, novelista e sobretudo, poeta. (…) Os seus poemas podem ser encontrados em muitas antologias de poesia inglesa, mas a sua primeira aventura neste campo foi a dos versos com non sense. O seu livro The Bad Child’s Book of Beasts, escrito enquanto se encontrava em Oxford, em 1896, gerou uma atenção imediata e é considerado nos nossos dias como um clássico.
Entendi. Achei umas imagens curiosas desse livrinho infantil dele, o mencionado The Bad Child’s Book of Beasts

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01/09/1948
“É inútil para mim registrar somente as partes agradáveis da minha existência – (Afinal, são tão poucas!)”


22/01/2017
Pronto; suponho que essa seja, em parte, a razão pela qual não mantenho uma conta no instagram.

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19/12/1948 
“Há tantos livros, peças e contos que tenho de ler – eis aqui apenas alguns:” 
(...)
Santuário — William Faulkner

Esther Waters — George Moore

Diário de um escritor — Dostoiévski

Às avessas — Huysmans

O discípulo — Paul Bourget
(...)

22/01/2017
Sempre tantos livros para ler... Listando alguns que separei para tentar ler em 2017:

- A Guerra não tem Rosto de Mulher - Svetlana Aleksiévitch;

- ? - Thomas Mann (Culpa da Sontag. Acho que começarei com Morte em Veneza. Baby Steps.);

- Tudo o que tenho levo comigo – Herta Müller;

- The Golden Notebook - Doris Lessing;

- As I Lay Dying - William Faulkner;

- Coração tão Branco - Javier Marías;

- Crossing to Safety - Wallace Stegner;

- Doutor Jivago - Boris Pasternak;

- Os Luminares – Eleanor Catton;

- Complete Stories – Dorothy Parker (começar);

- The Complete Stories - Flannery O'Connor (começar).

Listo somente esses, porém tem muito mais. Nessa edição dos Diários da Sontag, inclusive, o organizador David Rieff - filho da autora - informa que o diário original dela contava, nessa entrada, com mais de cinco páginas, mais de 100 títulos citados pela Sontag de 15 anos.

No final do ano, tentarei resgatar essa lista, para averiguar meu desempenho.

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25/12/1948
“A música é, a uma só vez, a mais maravilhosa e a mais viva de todas as artes – é a mais abstrata, a mais perfeita, a mais pura – e a mais sensual.”


22/01/2017
Concordo. Sontag cita isso logo depois de registrar que estava “completamente entretida (…) com uma das obras musicais mais belas que já ouvi – o concerto em si menor para pianoforte de Vivaldi, da gravadora Cetra-Soria, com Mario Salerno. Não achei essa exatamente, contudo tento uma vaga aproximação como registro:



***
Olha só; esse mini post imprestável encerrou com Vivaldi.
Redemption achieved!