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06/08/2017

[DL #07] Middlemarch - George Eliot (Mary Ann Evans)

* (capa meramente ilustrativa - capa da edição da record: X)
Em 2016, inicio a leitura de Middlemarch pela primeira vez e tento registrar aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada um dos oito livros que compõem a obra. Não li previamente nada sobre o livro e desconheço quase tudo sobre ele.

Postagens anteriores: DL#01, DL #02, DL #03, DL #04, DL #05, DL#06.
Edições adotadas: 
Programação de leitura: ritmo indefinido. ¯\_(ツ)_/¯
Início da leitura: 12/11/2016
Fim estimado: ¯\_(ツ)_/¯
Sobre o livro: clique aqui (1), clique aqui (2).
LIVROS 07 & 08
Two Temptations - Sunset and Sunrise

✒ A última postagem desta série ocorreu há mais de quatro meses e, também há mais de quatro meses, concluí a leitura de Middlemarch. Especificamente, no dia três de abril. Portanto, infelizmente acabei prejudicando o andamento ideal deste registro, razão pela qual associo os dois últimos livros da obra nesta postagem única que concluirá o diário de leitura. Reli tudo que eu havia escrito nas entradas anteriores - sim, pois quem disse que eu me lembrava? - e acredito que os pontos principais (dentre aqueles que assimilei da obra, é claro) já foram praticamente todos registrados, mas ainda restam impressões que podem ser acrescentadas aqui.



Esse lance de casamento é mesmo apenas para os fortes, hein? Muito complicado fazer essa parada funcionar a contento para ambas as partes; ajustar o jogo de concessões até um equilíbrio mutuamente satisfatório. Sobre essa temática amplamente explorada por Eliot, destacaria aqui os diálogos excelentes e impressionantes travados entre o casal Lydgate e Rosamond. Assim como para as próprias personagens, foi exasperante perceber que, por mais que se esforçassem, nenhum deles conseguia fazer com que o outro entendesse suas percepções e sentimentos. Lembrou-me bastante de uma engenhosa cena do livro "Coração tão Branco", do autor espanhol Javier Marías, a qual funciona como metáfora tácita para as dificuldades de comunicação que casais usualmente enfrentam. Naquela cena escrita pelo autor espanhol, dois líderes políticos de países distintos encontram-se em uma reunião formal mediante auxílio de um tradutor simultâneo que, percebendo a dificuldade de entrosamento na conversa dos representantes, resolve deliberadamente deturpar de leve as falas traduzidas, garantindo, assim, o pleno sucesso do encontro. Nos diálogos entre Lydgate e Rosamond, parecia realmente que eles se expressavam em línguas diferentes. Comparada à referida metáfora de Marías, a intervenção de Dorothea - conversando a sós com cada um - , praticamente reproduz aquela do tradutor bem intencionado. 

Simultaneamente e nesse mesmo tema, não é esplendida a contrapartida que encontramos entre Mr. e Mrs. Bulstrode? Durante a revelação da verdade de Mr. Bulstrode, o momento de silêncio que o casal compartilha detém um poder de comunicação intenso que supera qualquer barreira e que prescinde palavras. Os dois se entendem e se confortam sem que precisem dizer coisa alguma. 
"His confession was silent, and her promise of faithfulness was silent."
✒ Por falar em contrapartidas, é peculiar como Middlemarch apresenta perfis distintos de comportamento entre as várias esposas da trama. Encontramos: a submissão calada de Dorothea, o companheirismo íntimo de Mrs. Garth, a submissão parcial e consciente de Celia, bem como o egocentrismo egoísta de Rosamond. Opa, pausa! Penso que é necessário prudência antes de apontar todos os dedos contra Rosamond, em favor de Lydgate. Inclusive, nosso narrador, como esperado, não falha em demonstrar, da melhor forma possível, também o ponto de vista dela. Seria justo esquecer a responsabilidade das escolhas de Lydgate? Torna-se mais difícil defendê-la, entretanto, quando ela não consegue expressar sua confiança no marido durante a complicada adversidade relacionada à morte de Mr. Raffles, papel que é assumido por Dorothea, seu quase duplo. E não esqueçamos da ironia entre os opostos: Rosamond sucumbe à falência financeira do marido; Dorothea abre mão de sua fortuna para poder casar-se com Ladislaw. Cada uma, cada uma; confere? Como mencionei antes, aliás, o Dinheiro faz-se constantemente presente, ou ausente (!), na narrativa de Middlemarch.

Para finalizar essa temática, resgatarei uma pergunta que eu havia lançado no DL #03:
"(...) tenho a impressão de que o livro me agraciará com um grupo de pobres mulheres infelizes no matrimônio, cada uma à sua maneira, ao lado de maridos medíocres. Será?"

No fim das contas, tivemos mulheres e homens infelizes no matrimônio, amargando as más escolhas que fizeram. Contudo não podemos negar que a história também conta com muitos casamentos aparentemente felizes. Refleti a respeito do perfil de cada um desses discrepantes matrimônios  e, somente no final da leitura, dei-me conta de que parece existir um elemento crucial, óbvio talvez, nos casamentos fortunados: amor. Teve, Eliot, a intenção deliberada de sugerir isso? Tal hipótese só me ocorreu quando observei Lydgate angustiado diante da possibilidade de encontrar-se conscientemente em uma relação sem amor. A presença do nobre sentimento pode até não garantir invariavelmente o almejado desfecho feliz, porém sua ausência dificilmente o fará.


✒ Persistindo no tema de sentimentos humanos, a reta final da leitura evidenciou-me um outro que também foi extensamente explorado pela autora: o orgulho. Nessa história, a maioria das personagens não quer pedir ajuda, não quer que os outros saibam que encontram-se em apuros, não quer aceitar o dinheiro alheio (- não é seu caso, né, Fred?), nem macular a aparência de uma vida perfeita e bem sucedida. Ladislaw, Mr. Busltrode e Rosamond, por exemplo, formam um trio cômico por conta da tendência compartilhada de bancarem os fugitivos. Pra que passar vexame em uma província, se é possível escapar para um local onde ninguém o conhece? Deu merda em um lugar? Só partir para um novo lugar, ora. 


✒ Aproveito a menção que fiz a Marías, para trazer outras duas leituras desse ano que também relacionam-se com Middlemarch. E melhor: citam explicitamente a obra!

(1) 

Essa citação de Middlemarch por Wharton causou-me uma feliz surpresa. De um lado, porque, logo no início da leitura, eu tinha mesmo achado que o estilo e a proposta de A época da inocência remetem bastante ao livro da Eliot. De outro, porque estou quase certa de que, caso o querido Newland Archer - o protagonista que recebia, em 1870, sua edição quentinha de Middlemarch direto da gráfica londrina - tivesse se dedicado à leitura imediata e atenta do livro, muitos de seus contratempos matrimoniais e sentimentais poderiam ter sido evitados.

(2) 

Ok, momento confissão: quando eu li essa passagem dos diários da Sontag, em Middlemarch Dorothea mal tinha se casado com Casaubon. Ou seja, passei boa parte da leitura apreensiva e totalmente incrédula quanto ao cenário de uma Dodo assassina. Justo ela, dentre tantas opções mais plausíveis?! Por isso mesmo, durante a cena estranha da escada, supus que o momento havia chegado.

Enfim, concluída a leitura, resta evidente que não houve nenhum assassinato - <cof, cof> há controvérsias, não é, Mr. Bulstrode? - de modo que não entendi nada do que a Sontag quis dizer (o que não é grande novidade, convenhamos). Até porque, mesmo sob uma suposta perspectiva simbólica, digamos, discordo completamente que Dorothea tenha contribuído para o fim prematuro de Casaubon. Fica a dúvida.

* Atualização em 06/01/2018: *
(3) Eis que hoje, enquanto eu folheava To The Lighthouse, da Virginia Woolf (procurava um outro trecho específico), deparei-me com uma referência explícita a Middlemarch. Não me recordava disso de jeito nenhum! Decido incluir a passagem aqui:


* Fim da atualização de 06/01/2018. *


✒ Hora de brincar resgatando outras perguntas que eu havia lançado e registrado ao longo deste diário.

(1) DL#01 ↦ "(...) e alerto que ainda não concluí meu completo discernimento a respeito de Dorothea."

Claro que, agora, o processo está concluído e, na falta de palavras, entrego: 💖. Mas a Eliot, por sua vez, dedicou as palavras finais do seu livro justamente a essa magnífica personagem:
"For there is no creature whose inward being is so strong that it is not greatly determined by what lies outside it. A new Theresa will hardly have the opportunity of reforming a conventual life, any more than a new Antigone will spend her heroic piety in daring all for the sake of a brother's burial: the medium in which their ardent deeds took shape is forever gone. But we insignificant people with our daily words and acts are preparing the lives of many Dorotheas, some of which may present a far sadder sacrifice than that of the Dorothea whose story we know. 
Her finely touched spirit had still its fine issues, though they were not widely visible. Her full nature, like that river of which Cyrus broke the strength, spent itself in channels which had no great name on the earth. But the effect of her being on those around her was incalculably diffusive (...)"
(2)  DL #02 ↦ "Será que Lydgate deixará ser engolido pelos middlemarchers?! Estou aflita por ele."

Ele até esboçou uma reação, mas acabou sendo engolido de qualquer jeito. Desde as primeiras páginas, pude antever que as coisas não dariam certo para o jovem médico, mas falhei na estimativa da dimensão do estrago. Os sonhos e ambições de todas as personagens são triturados sem piedade ao longo de suas respectivas jornadas, mas encaro o caso de Lydgate como o mais cruel, talvez porque tenha tido muita identificação com ele. Chega, assim, a hora da segunda confissão: adoraria sair dessa leitura afirmando que Dorothea é a minha personagem favorita, contudo não posso negar que esse posto é ocupado por Tertius Lydgate. 

(3) DL #02 ↦ "Queria registrar uma breve especulação: Mr. Lydgate e Miss Dorothea Brooke Mrs. Dorothea Casaubon parecem estabelecer, nessa narrativa, um paralelo de significado relevante. (...) O que será que a narrativa reserva para esses dois?"

Na verdade, calculo que seja possível estabelecer muitos paralelos entre as personagens (outro ótimo já citado: Dorothea x Rosamond), no entanto a dinâmica desses dois é mesmo especial e favorita, sobretudo porque eles protagonizam minha temática predileta. Em um gif, refiro-me a:


Ou ainda, em uma epígrafe utilizada pela Eliot:

"My grief lies onward and my joy behind."
- Shakespeare: Sonnets 
(Epigrafe do cap. 82 de Middlemarch)

Por isso mesmo, foi um deleite acompanhar a parceria firmada entre o dois nos últimos capítulos. Sempre que eu pensar em Middlemarch, imediatamente lembrarei de Dorothea e Lydgate.

(4) DL #04 "Por que, antes de morrer, Featherstone insistiu para que Mary Garth queimasse o último testamento, exatamente aquele que desfazia todos os anteriores e garantia Riggs como
herdeiro? Mary poderia ter evitado algo? O quê?! Alguma catástrofe futura?"

Fiquei abobalhada quando deparei-me com essa pergunta que lancei. Bom, se Mary tivesse queimado o testamento, Fred ficaria rico e... o quê? Torraria a grana irresponsavelmente? Teria se casado com Mary? Outra: Riggs não apareceria, muito menos Mr. Raffles. Daí, Mr. Bulstrode e Lydgate teriam sido poupados de todo o imbróglio relacionado à morte do alcoólatra chantageador. 

(5) DL#06 ↦ "P.S.: se eles não ficarem juntos no final, a Eliot terá de lidar com meu rancor. (Mentira, pois a leitura foi ótima e Dorothea está muito bem sozinha. Mas não custa nada, não é?)"

Sim, as interações lindamente descritas entre os dois me deixaram meio abestalhada a ponto de ameaçar uma escritora já falecida. Acontece. Mas pronto, Will e Dorothea ficaram juntos, então Eliot só lidará com minha gratidão.


✒ Encerro a fantástica leitura aqui, repetindo a bela última frase de Middlemarch:
P.S.: mas talvez não seja o fim de Middlemarch neste blog, visto que 
1. ainda tenho a adaptação da BBC - link - para assistir;
2. o livro da Rebecca Mead, My Life in Middlemarch, já está na fila de leitura. ;)

Ilustração de: Cecilia Lundgren
(via: The Guardian).

28/03/2017

[DL #06] Middlemarch - George Eliot (Mary Ann Evans)

* (capa meramente ilustrativa - capa da edição da record: X)
Em 2016, inicio a leitura de Middlemarch pela primeira vez e tento registrar aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada um dos oito livros que compõem a obra. Não li previamente nada sobre o livro e desconheço quase tudo sobre ele.

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Edições adotadas: 
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Início da leitura: 12/11/2016
Fim estimado: ¯\_(ツ)_/¯
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LIVRO 06
The Widow and the Wife


✒ E a tensão sexual presente na narrativa das duas (!) despedidas entre Will e Dorothea, hein? Uma palavra: excepcional. Gostei especialmente da forma com que Eliot utilizou a descrição minuciosa da linguagem corporal do casal para construir a atmosfera aflitiva que salta das páginas e exaspera o leitor, quase como a marcação de cena em uma peça de teatro. Lembrei de que não é um recurso que surge somente nesse momento, pois, ao longo do livro, a autora descreve detalhadamente vários pequenos gestos trocados entre Mr. e Mrs. Garth que reforçam a grande intimidade e cumplicidade do casal, já sugeridas pelos diálogos.

A relação entre Will e Dorothea está rendendo um fôlego que me impulsiona a concluir quanto antes a leitura, a fim de que eu possa vê-los finalmente juntos. Ou não ficarão juntos? Hum... A ver.


✒  P.S.:  está sendo super gratificante poder reencontrar-me com a Dorothea do livro 01. Digo, ela é quase a mesma Dodo, pois houve amadurecimento e aprendizado de lições valiosas para qualquer pessoa.
"Sorrow comes in so many ways. Two years ago I had no notion of that - I mean of the unexpected way in which trouble comes, and ties our hands, and makes us silent when we long to speak. I used to despise women a little for not shaping their lives more, and doing better things. I was very fond of doing as I liked, but I have almost given it up."
Acho que essa foi uma das passagens mais incríveis que li em Middlemarch. Que personagem instigante!

P.S.2: o Will Ladislaw não lembra, mais ou menos, uma espécie de Mr. Darcy "pobretão" (por azar e por escolha)? Viajei demais? Acredito que não há como esse cara tornar-se mais orgulhoso, sinceramente. Will tem lá seus motivos, talvez ele acredite que o orgulho seja a única coisa que lhe resta, mas continua chamando muita atenção.

✒ Agora, sim, a treta do passado que inesperadamente liga Mr. Bulstrode a Will Ladislaw foi explicada em todos os seus pormenores; não apenas para o leitor, mas para o próprio Will. Deixe-me resgatar a teoria que eu havia elaborado no DL#05: "minha suposição é que Will Ladislaw teve seu patrimônio "roubado" duplamente. Parece-me que o pai dele - o Ladislaw filho da avó Julia - casara-se com uma moça que só era pobre porque tivera sua herança roubada pelo padrasto, o Mr. Bulstrode. Ou seja, minha suspeita é que o pai e a mãe de Will Ladislaw são herdeiros que, de alguma maneira, tiveram as fortunas a que tinham direito surrupiadas. Por enquanto, foi o que entendi." Ah, meu entendimento nem foi um fiasco completo. Resta tapar  buracos e acertar arestas com as minúcias disponibilizadas no livro seis.

Quando era um jovem membro de uma igreja calvinista dissidente, época em que dedicava-se avidamente à sua vocação para o trabalho missionário, Bulstrode fora convidado para trabalhar como sócio de um dos membros mais ricos da congregação, Mr. Dunkirk - o (futuro) avô materno de Will Ladislaw. A "honestidade" do negócio da família Dunkirk, no entanto, era questionável - pelo menos para os termos da comunidade religiosa - , pois tratava-se de uma casa de penhor que lucrava em cima de almas perdidas. Mesmo assim, após digladiar-se com sua consciência, Busltrode cede à tentação do dinheiro. E quando Mr. Dunkirk bate as botas, Bulstrode ainda aproveita a deixa para se casar com a rica viúva, então sozinha no mundo, visto que a filha - a (futura) mãe de Will - fugira de casa por discordar das transações comerciais da família. Posteriormente, Bulstrode consegue localizar a enteada, entretanto decide omitir a informação da esposa. Por conseguinte, depois que a avó de Will morre, é Bulstrode quem herda sozinho toda a grana dos Dunkirk. ~Dirty Business~.

E por mais inconcebível que possa soar, essa ardilosa tramoia do fervoroso religioso de Middlemarch nem foi o que mais me impressionou. Não; o que mais me abalou foi testemunhar Will Ladislaw abrir mão de toda a grana a que teria direito, e que Bulstrode o entregava (finalmente) de bom grado, porque ele decide ratificar a pregressa escolha de sua mãe. Se o dinheiro era sujo, então ele não queria tocar nele. Ou seja, Will opta por fazer aquilo que Bulstrode não tivera coragem, nem idoneidade de fazer quando jovem. Mas calma, pois Will ainda dispôs de uma outra motivação especial que me desmontou completamente:
"No one but himself then knew how everything connected with the sentiment of his own dignity had an immediate bearing for him on his relation to Dorothea and to Mr. Casaubon's treatment of him. And in the rush of impulses by which he flung back that it would have been impossible for him ever to tell Dorothea that he had accepted it."
Se aceitasse aquele dinheiro, o desgraçado acredita que não estaria digno e à altura de Dorothea que, caso estivesse naquela mesma posição, com certeza rejeitaria a oferta de Bulstrode. Como lidar com esse cara depois dessa?

P.S.: se eles não ficarem juntos no final, a Eliot terá de lidar com meu rancor. (Mentira, pois a leitura foi ótima e Dorothea está muito bem sozinha. Mas não custa nada, não é?)


✒ Aproximando-me da conclusão da leitura, alguns temas da obra deixam de ser meras hipóteses e já consolidam-se de modo mais concreto e inquestionável, portanto gostaria de organizar melhor essas ideias. Pontuando, sucintamente, em gifs ilustrativos e anotações:

1. 

Muitas questões morais discutidas nesse livro. Quase todas as personagens se veem metidas em uma situação que as coloca contra a parede da moralidade. Recapitulando passagens pregressas, percebo agora que a posição de Lydgate, lá no livro 2, tendo de votar para a escolha do novo guia espiritual do hospital, já era o primeiro (algum outro antes?) de uma sequência de pequenos testes morais de Middlemarch. Alguns exemplos de dilemas:

- Lydgate → 1. Devo votar no candidato que beneficiará minha jornada ou naquele que julgo mais preparado para a vaga? 2. É correto associar-me a um indivíduo de caráter duvidoso, em nome da conquista de um bem maior que beneficiará todos?

- Ladislaw → 1. Devo apoiar um político que votará a favor daquilo que desejo para meu país, ainda que ele seja um completo incompetente hipócrita? 2. É justo beneficiar-me de dinheiro adquirido às custas da desgraça de vidas alheias? 

- Farebrother, Fred, Bulstrode → Devo trabalhar com algo para o qual não tenho a menor vocação, simplesmente pela promessa de dinheiro relativamente fácil, mesmo sabendo que me tornarei um profissional incompetente e infeliz? Melhor ser pobre exercendo aquilo para o qual tenho vocação?

- Bulstrode → Deus é quem está garantindo este dinheiro que recebo, a fim de que eu consiga fazer valer suas vontades na Terra, certo? A desventura alheia que gera minha riqueza é um contratempo menor, diante da vontade de Deus, confere? Confere, né? Fazer o bem por aí sai caro, afinal.

- Dorothea → Devo dar seguimento ao trabalho inconcluso do meu falecido marido, ainda que eu discorde plenamente de sua relevância? O matrimônio cria esse tipo de responsabilidade após a morte do meu companheiro?

- Mary Garth → É certo queimar, na calada da noite, um dos testamentos de um doente que agoniza em seus últimos momentos? 

2. 

Eu já havia associado a frase do Brás Cubas "tantos sonhos, e não sou nada" ao Mr. Casaubon, porém percebo que ela pode ser aplicada a outras personagens do livro. A maioria almeja por algo bastante específico, traça planos ambiciosos que são perseguidos com grande afinco, contudo a vida, ironicamente, as atropela cruelmente no começo/meio/fim da jornada. Para umas, definitivamente. Para outras, não? Vamos acompanhar.

Criar sonhos é fácil, concretizá-los, por sua vez, já é uma outra história. 

3. 

Não é notável a quantidade de circunstâncias em que o Dinheiro assume o papel de vilão no meio dessas mesmas jornadas idealistas? Recorrerei àquela famigerada frase: dinheiro não traz felicidade, mas compra. Certo, pode até comprar, só que seríamos obrigados a voltar para o primeiro item da minha presente lista: vale qualquer coisa para conseguir a maldita/bendita grana? Quer dizer, todas essas questões temáticas aparecem engenhosamente interconectadas na narrativa.

4. 

Esse, eu já discuti bastante por aqui, porém vale destacar que a dinâmica estabelecida entre Lydgate e Rosamond fortalece muito a concepção de que fazer um casamento funcionar não é uma tarefa exatamente fácil. Aliás, qualquer relação, antes mesmo da fase matrimonial, impõe grandes desafios, Will e Dorothea que o digam. 

O título do livro seis chama atenção para o que eu havia comentado no DL#05, a respeito da enorme diferença de comportamento e de personalidade existente entre Rosamond e Dorothea. Ao contrário do que fez Dodo, Rosamond resiste a submeter-se passivamente às vontades do marido e não demonstra qualquer interesse pela profissão que Lydgate tão apaixonadamente exerce. Como já citei, houve praticamente uma troca de casais: Dodo deveria estar com Lydgate e Rosamond com Casaubon. Mas será que a troca daria um jeito em tudo? Existiria uma fórmula capaz de garantir o sucesso de um casamento? Aliás, a própria instituição pode estar sendo questionada, especialmente o que ela representa na vida das mulheres. 

Dessa reflexão, é igualmente possível retornar aos pontos 2 e 3 dessa minha lista. Quantos sonhos são construídos em torno de um matrimônio perfeito que não resiste à primeira dificuldade financeira? Em Middlemarch, conhecemos pelo menos um caso: Rosamond e Lydgate. Ou eles conseguirão superar a má fase e a completa dissintonia? Vamos acompanhar.

Obs.: todas essas conexões temáticas conferem enorme humanidade às personagens do livro. Pelo menos, eu acho. Sinto-me muito constrangida e desconfortável em julgá-las. Como poderia fazer isso?! (Ok, fiz um pouquinho com o Casaubon, mas ele facilitou. 😏)

✒  Para encerrar a conversa, quero só atualizar duas listas de DL's prévios.
1. Informações históricas
Como registro da leitura, destaco que Eliot novamente demonstrou a ignorância provinciana diante das inovações da época, desse vez por conta da construção de estradas de ferro interligando o país. Trabalhadores chegavam até a atacar os agentes das companhias das linhas de trem. 
"(...) as mulheres consideravam a locomoção a vapor audaciosa e arriscada, (...) nada iria convencê-las a embarcar num vagão; ao passo que os proprietários (...) eram porém unânimes na opinião de que vendendo terras (...) agências deveriam ser forçadas a pagar um preço bem alto pela permissão de fazer mal às pessoas."
Ademais, o narrador ressalva brevemente que também ocorriam os horrores da Cólera.

2. Mulher na sociedade provinciana do século XIX
O que se esperava de uma viúva em Middlemarch? Que ela se casasse de novo, claro, pois uma mulher morando sozinha inevitavelmente tornava-se psicótica. Ora, o que ela teria para fazer, sem um marido e filhos, ué? Bom, quem disse isso foi a Mrs. Cadwallader.

18/03/2017

[DL #05] Middlemarch - George Eliot (Mary Ann Evans)

* (capa meramente ilustrativa - capa da edição da record: X)
Em 2016, inicio a leitura de Middlemarch pela primeira vez e tento registrar aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada um dos oito livros que compõem a obra. Não li previamente nada sobre o livro e desconheço quase tudo sobre ele.

Postagens anteriores: DL#01, DL #02, DL #03, DL #04.
Edições adotadas: 
Programação de leitura: ritmo indefinido. ¯\_(ツ)_/¯
Início da leitura: 12/11/2016
Fim estimado: ¯\_(ツ)_/¯
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LIVRO 05
The Dead Hand


✒ E finalmente me despeço para sempre de Mr. Casaubon. Desculpo-me pelo "finalmente", mas a verdade é que o advérbio é inevitável. Além do mais, o DL#04 atesta que, com a ajuda do narrador, eu bem que tentei dar uma chance à personagem, mas ela não apenas dificultou a empreitada, como também provou que meu último "P.S." foi certeiro e premonitório. Recapitulando: "P.S.: só que... O temor que Mr. Casaubon manifesta pelo destino de Dorothea depois que ele tenha batido as botas, rechaçando um eventual casamento dela com Ladislaw, é patético demais pra mim."  Eis que o digníssimo tratante foi lá e, na prorrogação do segundo tempo, incluiu em seu testamento um codicilo que determina que Dorothea perde toda a herança, na hipótese de casar-se com Will Ladislaw. Felizmente ele papocou antes que ela tivesse prometido-lhe qualquer besteira. Para minha lembrança futura, acho que vale esclarecer que a indignação com o codicilo não relaciona-se ao receio de que ele impeça uma maior aproximação entre Dorothea e Ladislaw, mas sim às inerentes repercussões e implicações. Com esta condição, Mr. Casaubon expôs suas vis e infundadas suspeitas, induzindo todos a duvidarem da fidelidade e dedicação de Dorothea a seu esposo, ao mesmo tempo em que coloca Will na posição daquele que torce pela morte do primo para que possa aplicar o golpe do baú na viúva. Analisando retrospectivamente a jornada de Mr. Casaubon, não me resta dúvida de que a circunstância e a posição patética em que ele é encontrado morto reflete bem como foi sua passagem pela vida: indivíduo que sustenta uma postura imponente e solene, mas que não passa de um moribundo irrelevante e desprezível. (Ah!, fiquei mesmo irada com esse cara.)

A revelação do codicilo faz com que Dorothea questione toda a realidade que construíra para seu casamento, submetendo-se a uma verdadeira metamorfose na qual a memória não se ajusta aos novos fatos descobertos. Como uma espécie de despertar do coma, tudo mudava de aspecto para ela: a conduta do marido, seu senso de dever em relação a ele e sua ligação com Will Ladislaw. A constatação de que Mr. Casaubon vivia secretamente alienado em suspeitas torpes fez com que a devoção submissa dela fosse substituída pela lembrança dolorosa de que os escrúpulos do marido estavam abaixo do que Dodo havia idealizado. Quanto a Will, o golpe de Casaubon parece ter provocado nela o efeito contrário daquilo que pretendia: se antes Dorothea jamais havia pensado em Will como um possível amante, ela agora ponderava a respeito da amizade dos dois em tais termos hipotéticos. 


✒ Aproveito para já repassar algumas suposições e conclusões registradas em diários prévios, pois o prosseguimento da leitura demonstra que mandei muitas bolas pra fora. Quanto a esse aspecto, o diário de leitura está ficando até divertido.

(1) Cheguei a cogitar que Dorothea pudesse trair o marido com Will, mas isso já é claramente carta fora do baralho. Afirmei que acharia esse rumo péssimo e despropositado em relação à personalidade da personagem, portanto fico aliviada ao observar que isso não ocorrerá. Subestimei ligeiramente Eliot, uma vez que ela parece tratar suas personagens com muita reverência, de fato.

(2) Também equivoquei-me quanto à passagem do tempo ao longo do livro. Já houve dois casamentos, dois óbitos, Celia já tem um bebê e Rosamond está grávida. Resta evidente a ocorrência de breves saltos temporais a cada capítulo e/ou livro. Sendo assim, a narrativa inicia-se em 1829, ok; mas já estamos em 1831! Isso é citado explicitamente nesse livro 5.

(3) Outro deslize cometido refere-se ao Mr. Brooke. Até o livro 04, eu não havia percebido que o tio de Dorothea tinha pretensões de candidatar-se ao parlamento. A brincadeira dele com o jornalzinho não era mera militância política via textões, visto que servia de prévia campanha eleitoral, o que torna a hipocrisia estabelecida entre o discurso reformista e a posição social dele mais ridícula. De todo modo, isso já está resolvido, pois, após um discurso fracassado com direito a saraivada de ovos, ele desistiu do projeto político.

(4) A teoria dos casamentos desastrosos, contudo, parece-me seguir relativamente válida. Dorothea e Casaubon, conforme discutido, foram um fiasco completo. Os papos travados entre Lydgate e Rosamond revelam que o casal tem pouco em comum, sendo sugerido ademais que Lydgate está metendo-se em dívidas por conta do casamento. E tenho dúvidas se a enorme consideração com que Chettam trata Dorothea corresponde apenas à afeição de um cunhado preocupado.

Vale acrescentar, porém, que Will e Dorothea poderão despontar como um possível casal feliz para o final dessa história. Gosto da maneira com que Eliot está construindo o relacionamento dos dois. Vamos acompanhar.

A despeito desses equívocos, ouso registrar outra proposta temática. Especialmente por conta do conflito interno por que passa Ladislaw, só agora também me ocorreu que, na verdade, praticamente todas as personagens do livro estão simples e arduamente lutando para dar um sentido às próprias vidas. Penso que a diferença esteja apenas nos estágios em que elas se encontram e os caminhos que estão seguindo nessa busca. Isso favorece muito a empatia. 


✒ Agora, gostaria de registrar o instigante diálogo travado entre Lydgate e Ladislaw no capítulo 46.
Antes, pausa para uma especulação (mais uma). Começo a suspeitar de que a proximidade sonora entre o nome dos dois não seja mera coincidência, porém ainda não consigo elaborar a contento os significados e relações. "Lead Gate - Portão/Via de Acesso" x "Lad is Law - É a lei"??! Será que procuro cabelo em casca de ovo? É bastante possível. As contrapartidas femininas dessas personagens, Rosamond e Dorothea, também estão estabelecendo uma dinâmica interessante. Elas parecem figurar em lados opostos de um espectro, quase sugerindo que esses casais estariam trocados. Lydgate assemelha-se a uma versão masculina de Dorothea, enquanto Ladislaw parece ser a de Rosamond. Os opostos se atraem inevitavelmente? Este poderia ser um outro tema? Eu já havia lançado, em DL anterior, a ideia de que isso permite observar como os caminhos de um homem e de uma mulher, com mesmas personalidades e ambições, são traçados naquela sociedade.

Pronto, falemos daquele citado diálogo. De forma veemente, Lydgate aponta que a colaboração política que Ladislaw oferecia a Mr. Brooke era descabida, visto que o Pioneer at the Grange não tinha porte de homem público, sendo deslealdade lançá-lo como um candidato reformista messiânico capaz de resolver problemas que, na verdade, estariam muito além de suas capacidades. Em princípio, a lógica de Lydgate soa bastante pertinente, contudo Ladislaw oferece contra-argumentos que provocam e fomentam uma boa reflexão. Se Mr. Brooke representava um voto no sentido das mudanças desejadas, fazia muita diferença ele ser um papagaio incapaz de solucionar miraculosamente todos os problemas? Se o candidato garantirá, quando no parlamento, um voto a favor do que eu quero, a postura moral dele em sociedade importa? A solução dos grandes problemas não precisaria começar por pequenas, mas factíveis, medidas? Só podemos fazer o esforço para tentar mudar as coisas quando acharmos homens imaculados para assumir esse papel? Mas existiriam homens imaculados e completamente escrupulosos? É preciso começar as reformas a partir de algum ponto, não? Enfim, achei a discussão relevante e ainda atual. Particularmente, meu raciocínio político aproxima-se mais daquele compartilhado por Lydgate, entretanto reconheço que o discurso de Ladislaw, de certo modo, auxilia a combater a descrença política total, que conduz à inércia cínica.

Em certo ponto, Ladislaw foi astuto ao também colocar Lydgate contra a parede por conta da associação do médico com o banqueiro Mr. Bulstrode. Lydgate não perde o rebolado, asseverando que mantinha vínculos com aquela controversa figura apenas para conseguir as reformas médicas necessárias para toda a sociedade, não havendo na relação nenhum interesse de caráter pessoal. Ladislaw, claro, refuta igualmente vantagens particulares na sua parceria com Mr. Brooke. Esse ponto do debate amplia a reflexão em torno de conluios pessoais moralmente questionáveis para conseguirmos determinados propósitos. Se não houver ganhos pessoais, está liberado relacionar-se com qualquer um para obtermos um bem maior para todos? Os fins sempre justificam os meios? Todo esse debate poderia ser também facilmente transposto, por exemplo, para alianças políticas entre partidos. 


✒ As peripécias de Lydgate, agora um doutor casado e futuro papai, para reformar a prática médica e construir o hospital das febres em Middlemarch continuam rendendo observações históricas curiosas que atualizarão a lista do DL#02. Pontuando brevemente:

  A ideia de que exames necroscópicos ofereceriam informações valiosas sobre os mecanismos das doenças parecia tão esdrúxula aos middlemarchers, que já circulavam pela cidade teorias conspiratórias de que Lydgate cortaria e esquartejaria todos os defuntos de seu hospital. Pois é.

  A discussão acerca da prescrição de remédios avançou no livro 5. Naquela época e por aquelas bandas, um atendimento médico só prestava, caso resultasse na prescrição de algum medicamento. Inclusive os pacientes achavam que não deveriam pagar nada pela consulta, se eles não saíssem com uma receitinha na mão. Era um verdadeiro círculo vicioso estabelecido entre médicos e pacientes. E até hoje não é assim? Detalhe: estamos falando de comprimidos do tipo "Strengthening Medicine" e "Purifying Pills" capazes de curar absolutamente qualquer coisa. Quer dizer, uns placebinhos de serventia bastante questionável.
"Does he suppose that people will pay him only to come and sit with them and go away again?"
Além disso, existia a controvérsia sobre como remunerar o médico pela prescrição dos remédios. Quem o pagaria? Farmacêuticos? Pacientes? Caberia pagamento extra pelo atendimento médico com prescrição de fármacos? Sei que essa questão continua bastante atual para alguns remédios (quimioterápicos especialmente) e para órteses, próteses e materiais cirúrgicos especiais. 

  À prescrição racional de remédios, Lydgate associava uma outra inovação interessante: a conduta expectante, ou seja, o simples acompanhamento passivo da evolução natural da doença. Trata-se de outra fonte valiosa de informação médica. Quantas doenças para as quais a velha guarda tinha por hábito prescrever "purificantes" não evoluiriam satisfatoriamente independente do remédio? Gripes, por exemplo? 

  Como se isso tudo não bastasse, o Dr. Lydgate ainda saía por ali contradizendo o diagnóstico alheio. Poxa, mas como defender um sujeito que confunde contratura muscular com tumor de prognóstico reservado?! Restava criada, então, a necessidade de discutir ética médica entre os profissionais e pacientes.

Por tudo isso, não surpreende que Lydgate estivesse sendo carinhosamente apelidado de charlatão, arrogante, insolente e pretensioso. Por enquanto, ele segue elegante e firme em suas convicções e objetivos. Só que, como já referi, ele está se metendo em uma aparente enrascada financeira que, talvez, complique mais sua ligação com o banqueiro Bulstrode. Temo que a historinha que ele conta para Rosamond sobre Vesalius, um outro médico que defendeu seus princípios até o fim para morrer miseravelmente no final, possa ser uma premonição do que ocorrerá com ele. É, persisto preocupada com Lydgate. Vamos acompanhar.
"But oppositions have the illimitable range of objections at command, which need never stop short at the boundary of knowledge , but can draw forever on the vasts of ignorance."
P.S.: Dorothea aproximou-se mais dele por conta da doença de Mr. Casaubon e até concederá doações monetárias mensais ao hospital. É curioso que ela esteja envolvida com os dois personagens que mais lutam por reformas e mudanças. Ela seria um elo entre os dois? Um triângulo não amoroso desse tipo seria mais divertido.


✒ Sobre a contextualização histórica, a narrativa trouxe outros elementos. Aquele era o momento em que a House of Commons debatia as medidas propostas por Lord John Russel, as quais culminariam no Ato de Reforma de 1832, assim como discutia a pauta da emancipação dos negros e reformas no direito penal.

Sobre o futuro processo eleitoral, é relatado que aquela seria uma "Dry Election / Eleição Seca, na qual a profundidade do interesse popular poderia ser medida pela baixa quantidade de bebida ingerida." Aham, é claro que funciona assim, não é? E tive de retornar ao site do Parlamento do Reino Unido para compreender a "Dissolução do Parlamento". O termo "dissolução" me passa a ideia de algo excepcional e extremo, mas, como suspeitava, trata-se de uma denominação habitual para as regras do regime que eles adotam: "Dissolution is the official term for the end of a Parliament. Under the Fixed-term Parliaments Act 2011 a general election must be held in the UK, and a new Parliament elected, every five years."


✒ 


O gif sobre o famigerado polígono retorna, pois há um novo triângulo amoroso: Fred Vincy - Mr. Farebrother - Mary Garth. Impressiona demais a capacidade do Farebrother de se meter em situações vexatórias. Esse senhor simplesmente topa interceder em defesa de Fred (pela segunda vez!) junto à Mary e, como ela refuta o molenga paspalho, Farebrother aproveita para mandar uma indireta em causa própria de maneira completamente embaraçosa. E foi rejeitado, obviamente. Bom, "pelo menos" ele conseguiu assumir a vaga deixada por Mr. Casaubon. 


✒ Para finalizar: e não é que o passado condena Mr. Bulstrode?! Quem diria que o devoto religioso estaria metido em maracutaias moralmente questionáveis, hein? Então descobrimos que Mr. Raffles - o padrasto de Mr. Riggs -  fora um amiguinho de tempos remotos menos gloriosos de Bulstrode. Raffles já chega todo trabalhado na chantagem jocosa, disposto a trocar seu silêncio por uma boa grana.

Assumirei aqui que não sei se entendi bem as insinuações a respeito dessa treta. No momento, minha suposição é que Will Ladislaw teve seu patrimônio "roubado" duplamente. Parece-me que o pai dele - o Ladislaw filho da avó Julia - casara-se com uma moça que só era pobre porque tivera sua herança roubada pelo padrasto, o Mr. Bulstrode. Ou seja, minha suspeita é que o pai e a mãe de Will Ladislaw são herdeiros que, de alguma maneira, tiveram as fortunas a que tinham direito surrupiadas. Por enquanto, foi o que entendi. Veremos se mandei outra bola pra fora. ¯\_(ツ)_/¯

Ah, e o comentário elogioso sobre Dorothea que Ladislaw manda, hein? Curti demais.
"When one sees a perfect woman, one never thinks of her attributes - one is conscious of her presence."

25/02/2017

[DL #04] Middlemarch - George Eliot (Mary Ann Evans)

* (capa meramente ilustrativa - capa da edição da record: X)
Em 2016, inicio a leitura de Middlemarch pela primeira vez e tento registrar aqui um diário de leitura com possíveis postagens para cada um dos oito livros que compõem a obra. Não li previamente nada sobre o livro e desconheço quase tudo sobre ele.

Postagens anteriores: DL#01, DL #02, DL #03.
Edições adotadas: 
Programação de leitura: ritmo indefinido. ¯\_(ツ)_/¯
Início da leitura: 12/11/2016
Fim estimado: ¯\_(ツ)_/¯
Sobre o livro: clique aqui (1), clique aqui (2).
LIVRO 04
Three Love Problems


 Errei feio ao apostar que Fred levaria a herança de Mr. Featherstone, hein? Espere; pensando
melhor, nem mandei assim tãããoo mal, pois, durante alguns minutos, a herança ficou, sim, nas mãos
do Fred. Hum, se bem que eu sabia da encrenca relacionada aos três testamentos... Ok, mandei mal
mesmo. Fui muito ingênua por não ter antecipado que Eliot, evidentemente, aproveitaria a ocasião
para quê? Isto mesmo: introduzir uma nova personagem. Avaliando retrospectivamente minha breve
jornada literária, Middlemarch desponta como o livro com a maior densidade demográfica de
personagens que já li. É realmente impressionante. Ressalto que não tenho enfrentado
dificuldades para orientar-me no meio de tanta gente, visto que a narrativa de Eliot dá conta do
recado bastante bem. Porém, ainda assim, enalteço o auxílio providencial do meu caderninho de
anotações das personagens. (*^-‘) 乃

Mas, afinal, quem seria esse tal Joshua Riggs? Por que justamente ele, um cara que materializou-se
do nada (para o leitor e personagens), é o sortudo que leva para casa o cobiçado prêmio? Por
enquanto, pouca coisa foi esclarecida a respeito desse mistério, porém a narrativa já depositou
muitas pulgas atrás da minha orelha:

1. Onde e como Featherstone arrumou, na última hora, esse pimpolho desconhecido?
2. Por que, antes de morrer, Featherstone insistiu para que Mary Garth queimasse o último
testamento, exatamente aquele que desfazia todos os anteriores e garantia Riggs como
herdeiro? Mary poderia ter evitado algo? O quê?! Alguma catástrofe futura?
3. O que significa aquele papo do Riggs com seu padrasto pidão (cap. 41)?
4. E qual seria a implicação daquele pedaço de papel que o padrasto surrupia do enteado, no
qual consta o nome de... Bulstrode?! (O banqueirão protagonizará a temática da burguesia
que apropriava-se da posição social, relevância e posses da nobreza decadente?)

MUCH CONSPIRACY!!

Destaco que essa passagem da revelação do conteúdo do testamento foi, até aqui, a parte mais
engraçada do livro. Li durante a madrugada e é possível que eu tenha acordado o vizinho com
minhas gargalhadas. Como se não bastasse redigir três testamentos, o filho da puta - não há outro
termo, desculpe - do Mr. Featherstone ainda teve a pachorra de sacanear os urubus da família
reservando parte considerável da sua herança para a construção de um asilo para velhos pobres, a
fim de “agradar a Deus”. Mr. Featherstone (R.I.P.) fará muita falta nessa narrativa. Tremenda
personagem.

As manifestações da parentada foram espetaculares:
– "Inconcebível!"
– "Excêntrico!"
– "Hipócrita!"
– "E a despesa que a gente fez com a viagem, (…)!"
– "Para ele, o lugar para onde foi não vai fazer diferença"
 (= foi pro inferno.)
– "Não tenho a menor vontade de pôr meus pés aqui de novo. Tenho minha própria terra e meus bens para legar aos outros." (= versão pomposa do “Eu nem queria essa bosta mesmo. Eu sou “rycoh!”)
– "Um testamento de doido numa família já basta."
- Narrativa finíssima, Eliot. Parabéns.

Fred Vincy, agora que não pode mais contar com nenhuma herança caída do céu, terá de tentar
tomar vergonha na cara e retomar os estudos. Por enquanto, Mary escapa desse sujeito (o que
também destruiria outra teoria minha); enquanto um novo pretendente surge no horizonte dela: Mr
Farebrother! Mais um religioso. Que dó. Nas palavras da Mary (falando para Fred Vincy):
“(...) (você) seria um desses pastores ridículos que contribuem para tornar o próprio clero ridículo.”
Eu já havia registrado suspeita similar, mas aproveito a recorrência do tema para ratificar a
impressão de que o clero inglês do século XIX era composto, em sua maioria, por um bando de
ridículos sem vocação, interessados no pragmatismo financeiro da posição.

Por falar em Mary Garth (que persiste como minha personagem favorita), o narrador ofereceu uma
nova descrição dela que fez com que eu elaborasse outra hipótese: Mary Garth poderia ser uma
espécie de alter ego da... George Eliot?! Transcrevo o trecho suspeito a seguir:
"Se você quiser saber mais exatamente como era Mary na aparência, há uma chance em dez de que veja um rosto como o dela na rua cheia amanhã, se lá se puser à espreita: (...) ponha os olhos numa pessoinha amorenada e roliça, de postura firme e serena, que olha à volta de si mas não supõe que haja alguém olhando-a. Se ela tiver o rosto grande e a testa quadrada, sobrancelhas bem marcadas, o cabelo preto e crespo, certa expressão de regozijo no olhar, o segredo do qual sua boca guarda, e no mais uns traços totalmente insignificantes - tome essa pessoa comum mas não desinteressante como um retrato de Mary Garth. Caso você a faça rir, ela há de lhe mostrar que tem dentinhos perfeitos; caso a ponha zangada, não há de erguer a voz, mas é provável que diga uma das coisas mais amargas que você já tenha provado; caso lhe faça uma gentileza, ela nunca esquecerá."
Será? (Tópico para pesquisa posterior.)


 Acredito que, até este ponto da leitura, o livro 4 foi o mais denso do ponto de vista histórico,
expondo muitos elementos narrativos que retratam de maneira bastante interessante o cenário
político-social e a tendência para reformas liberais (inevitáveis) que predominavam na Inglaterra
durante o começo do século XIX. Como registrado em DL anterior, os eventos de Middlemarch
ocorrem durante o ano de 1829, momento imediatamente anterior ao início da concretização das
maiores reformas inglesas (= 1831). Segundo o site do parlamento do Reino Unido, houve, por
nenhuma surpresa deparar-me com a aristocracia provinciana de Middlemarch completamente em
polvorosa e morrendo de medo de perder seus privilégios (baseados principalmente na
posse de terra) para a "ralé" social.

Naquele momento, também discutia-se a necessidade de reformas eleitorais amplas na Inglaterra, as
quais concretizaram-se em 1832. Assim, também quanto a esse aspecto, aquele era o período
em que políticos de Middlemarch (e de outras províncias inglesas, estou certa) estavam soltando
fumaça pelo nariz diante das possibilidades projetadas para o futuro próximo: perda de
prerrogativas, maior cerco contra a corrupção eleitoral, extensão do direito de voto a não nobres e
novas regras eleitorais e de financiamento político que, possivelmente, aumentariam os custos de
campanha dos candidatos das províncias ao parlamento inglês.

Claro, tive de fazer uma breve pesquisa para compreender melhor esse contexto histórico, mas a
narrativa da Eliot é bastante generosa – e divertida! - na forma com que ilustra a panela de pressão
em que o país parece ter se transformado naquele ano. No livro 4, ela utilizou especialmente o Mr.
Brooke, “The Pioneer at the Grange” (apelido irônico que recebeu dos conterrâneos), para
protagonizar os fatos principais. Se entendi direito, Mr. Brooke, ao comprar um jornal de linha
editorial liberal que pretendia atirar pedra no telhado de vidro dos colegas aristocratas de
Middlemarch, acabou esquecendo-se de que as pedras que ele atirava atingiriam seu próprio telhado
de vidro. Enquanto Mr. Brooke brincava de editor de jornal liberal, contando com a ajuda oportuna
de Ladislaw, seus rendeiros viviam em situação de extrema dificuldade e miséria, trabalhando em
terras que necessitavam urgentemente de investimentos de infraestrutura que Mr. Brooke
displicentemente negava-se a fazer. A forma com que Eliot descreve um dos rendeiros dele acabou remetendo-me diretamente ao retrato que Tchekhov constrói, em seus contos, da vida
sofrida dos mujiques russos daquele mesmo século. Os privilégios sociais baseados na propriedade
eram, de fato, bastante concentrados em uma pequena aristocracia conservadora que tornava
bastante difícil a vida da maioria da população inglesa.

Mr. Chettam, o sogro, é quem acaba liderando o grupo dos nobres coleguinhas da cidade que
alertam Mr. Brooke de como a conduta dele era arriscada e hipócrita. Foram necessárias diversas
advertências e conselhos do sogro, dos Cadwallader's e da Dorothea para que Mr. Brooke
percebesse, quase mediante epifania assustadora, que ele precisava reestruturar suas terras e
melhorar as condições de vida de seus rendeiros, caso não quisesse permanecer como alvo das
próprias criticas que ele propagava em seu jornal.

Aproveito o tema para resgatar a relevante cena que inicia o livro 4 e que me pareceu bastante simbólica para esse cenário social. Posicionados em uma janela no alto de um solar, Mrs. Cadwallader, os Chettam's, Dorothea, Mr. Brooke e o Reitor assistem ao funeral de Featherstone e, à exceção de Dodo, fazem chacota dos "estranhos animais" presentes. A morte de Featherstone parece simbolizar a morte da nobreza inglesa que, idiota do alto de seu castelinho de areia, nem percebia que seu legado chegava ao fim.
"A pequena nobreza rural dos velhos tempos vivia numa atmosfera social rarefeita: encastelada à parte em seus postos de observação na montanha, olhava para baixo sem distinguir muito bem os cinturões de vida aglomerada no plano."
E a sugestão de que exatamente Bulstrode, o banqueirão da cidade, possa abocanhar as terras do falecido Featherstone apenas reforça isso. 

Cabe registrar que, por conta disso, essa foi uma passagem em que os Garth finalmente se deram bem na história (no thanks to Fred Vincy, all right), uma vez que Caleb foi contratado por Mr. Brooke e Mr. Chettam para administrar as propriedades de ambos. A intenção dos contratantes era “demonstrar” que estavam investindo em suas terras e beneficiando seus rendeiros, de modo que "não havia nenhuma necessidade de Reformas".

P.S.: Ah, e por conta dessa grana extra para o pai, Mary escapa de tornar-se professora, permanecendo em Middlemarch.



Quando avistei o título do livro 4, fiquei empolgada diante da suposta evidência de que eu havia
acertado na mosca com a minha teoria registrada no DL#03, contudo logo percebi que aquele
“Três” não refere-se a casais distintos, mas aos vértices de um complicado triângulo amoroso:
Dorothea - Casaubon - Ladislaw.

O mais fascinante desse imbróglio triangular é que Dorothea ignora absolutamente o papel que
assume na relação conturbada entre os primos. Ela não nutre (pelo menos não demonstrou até
aqui) nenhum interesse romântico por Ladislaw, nem mesmo percebe o efeito que sua presença
provoca no mancebo. De outro lado, suspeito poder afirmar que ela não possui esse tipo de interesse
sequer pelo marido, visto que casara-se para ser o braço direito de um grande estudioso que
ilusoriamente transformaria o mundo. Ou seja, a mulher do triângulo não está nem aí para os dois
paspalhos, estando muito mais preocupada em encontrar um sentido para a própria vida. E, ainda
assim, os bocós se metem em uma briga boba com direito a troca de insultos requintados em
cartinhas pomposas (≈ “Sai daqui!” x “Saio nada!”); cada um convicto da estima que o “oponente”
sentia por Dorothea, quem representava o único vértice que ignorava fazer parte de um triângulo amoroso. Bom, pelo menos os dois tontos não duvidam da inocência da Dorothea.


 No capítulo 38, quando Dodo volta a socializar longe de Lowick e do marido, pude perceber de
maneira mais contundente e explícita como a personagem havia, de fato, mudado muito depois do
casamento com Mr. Casaubon. Lendo o discurso eloquente que ela profere ao tio e a Ladislaw,
lançando argumentos enfáticos, minha reação imediata foi: “caramba; essa, sim, é a Dorothea do
livro 01!”. Ocorre que essa mesma Dorothea do livro 01 é desconhecida de Ladislaw e, curiosamente,
foi recebida por ele com certa aversão:
“For the moment, Will's admiration was accompanied with a chilling sense of remoteness. A man is seldom ashamed of feeling that he cannot love a woman so well when he sees a certain greatness in her: nature having intended greatness for men.”
Sei que vou repetir-me, mas expresso novamente a tristeza de observar o destino cruel de uma
mulher como Dorothea. O livro 4 expôs mais explicitamente o medo que ela sentia de expor suas
opiniões e o constrangimento causado pelo desinteresse de um marido que não tinha paciência para
lidar com as colaborações dela. De qualquer jeito, destaco que a personagem reforça não almejar
um papel social de protagonismo, tencionando somente o exercício do braço direito de um
“revolucionário”, digamos. Ela é uma personagem peculiar, sem qualquer dúvida. (→ Acho que me
repeti aqui também, mas aí está.)


 Por outro lado, enfatizo o tratamento particular que o narrador destina a Casaubon.
Reiteradamente, nosso narrador embarca em uma espécie de defesa dele, esforçando-se ao máximo
para que o leitor compreenda também o lado do marido e perceba que não é assim tão fácil criticá-lo.
Há tanta dedicação em expor honestamente Casaubon (no livro 4, foram muitas páginas
dedicadas a tal propósito), que começo a desconfiar que Eliot tenha se inspirado em algum
conhecido quando criou essa personagem. Ademais, só agora me dei conta de que minhas suspeitas
em relação aos reais propósitos do narrador aumentam justamente quando a narrativa trata de
Casaubon. O objetivo deste que narra é mesmo a imparcialidade histórica - para fatos e personagens
- ou ele está sendo irônico e tentando me ludibriar?

Bom, com o auxílio desse escrupuloso narrador, pude compreender que Casaubon também não
estava feliz em sua vida de casado e que, assim como Dorothea, constatava o equívoco de suas
expectativas matrimoniais. É uma personagem que aparenta representar o indivíduo que sempre foi cheio de ambições e desejos (exatamente como a jovem Dorothea!), mas que, chegando na idade em que a ceifadora pode ser observada espreitando na esquina, percebe que falhou em tudo e que não há mais tempo para concertar as coisas. Ele fez ressurgir na memória aquela ótima frase do Brás Cubas: “(...) tantos sonhos, e não sou nada.”

Nesse contexto, as presenças de Dorothea e Ladislaw lembram-no, sem piedade, de seu fracasso e
de sua irrelevância, e criticam implicitamente toda a vida dele. Até então, Casaubon conseguia
convencer a si mesmo de que a vida seguia bem, contudo, encurralado pela doença e pela
jovialidade da esposa e do primo, essa empreitada torna-se bem mais difícil.
“When the commonplace 'we must all die' transforms itself suddenly into the acute consciousness 'I must die-and soon'(...)”
Ah, e acertei o diagnóstico dele! ↴
“I believe that you are suffering from what is called fatty degeneration of the heart, a disease which was first divined and explored by Laennec, (…)"
Complementando, a descrição que Lydgate faz de seu paciente realmente demonstra como Mr.
Casaubon havia colocado o pé na cova cedo demais:
“(...) the figure (…) showed more markedly than ever the signs of premature age – the student's bent shoulders, the emaciated limbs, and the melancholy lines of the mouth. 'Poor fellow', he thought, 'some men with his years are like lions; one can tell nothing of their age except that they are full grown'.”
Certo, certo, entendo por que o narrador o trata como “Poor Mr. Casaubon (...)”.

P.S.: só que... O temor que Mr. Casaubon manifesta pelo destino de Dorothea depois que ele tenha
batido as botas, rechaçando um eventual casamento dela com Ladislaw, é patético demais pra
mim.

P.S. 2: que final enigmático, aquele na escada, não? Achei bastante suspeito e simbólico, só não saberia dizer do que, ainda.


 E surgiram novas informações sobre o tal ~mau casamento~ da tia Julia: ela inventou de casar-se
com um polonês refugiado e foi excluída da herança da família! E é por conta disso, portanto, que
Casaubon sentiu-se moralmente obrigado a ajudar financeiramente o primo – contudo segue
indisposto a dividir patrimônio com ele. Ladislaw acabou sofrendo duras consequências por essa
escolha da avó, sempre vivendo em dificuldade financeira. E eu achando que Casaubon estava
sendo generoso demais com o priminho... Veja só.


 Por fim, as informações sobre os preparativos do casamento entre Lydgate e Rosamond seguiram
reforçando minha teoria do DL#3 - ainda que ela aplique-se apenas a dois casais. As expectativas do
noivo e da noiva quanto à vida matrimonial parecem estar divergentes demais para que as coisas
deem certo. O pai, pelo menos, bem que fez tudo que pôde para evitar um potencial estrago. Vamos
acompanhar.


 Primeira metade de Middlemarch concluída; rumo à segunda! 😎