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02/01/2017

The Enchanted April - Elizabeth Von Arnim

(Sobre o livro: info, sinopse etc.)
"And here she was going off, spending precious money on going off, simply and solely to be happy. One woman. One woman being happy, and these piteous multitudes..."


Então duas mulheres inglesas do início do século XX levam vidas lazarentas no interior do país e decidem mandar um (paráfrase, claro:) “foda-se essa merda e, principalmente, fodam-se nossos maridos”, picar as mulas e curtir adoidado o verão em um castelo medieval na Itália?! Eita, mas então essa preciosidade de 1922 é, praticamente, uma versão literária do filme Thelma e Louise! Pensando bem, talvez seja mais apropriado, por razões temporais óbvias, elaborar essa alusão em sentido inverso: Thelma e Louise é a versão cinematográfica modernizada de The Enchanted April! Calma, as narrativas não são lá completamente iguaizinhas, mas pareceu-me, de fato, que há uma espécie de espírito similar entre ambas. De qualquer jeito, não preciso forçar comparações, pois posso recorrer diretamente à adaptação específica do livro para o cinema (que não vi) como sinopse da história. Segue o trailer do filme de 1991 (recebeu três indicações ao Oscar, inclusive a de melhor roteiro adaptado):



Como é possível perceber pelo vídeo, na verdade não são apenas duas, e sim quatro mulheres que convivem juntas no retiro veranil em San Salvatore. Na minha percepção, é durante a primeira metade do livro, quando essas mulheres desconhecidas não apenas ao leitor, mas também umas às outras, são apresentadas e reunidas na singela aventura, que a prosa de Von Arnim exibe suas máximas qualidades. Valendo-se de um humor despretensioso e mediante abordagem que me pareceu feminista, a autora britânica – prima da Katherine Mansfield! - apresenta com precisão, ainda que de maneira leve, as realidades pessoais de cada uma das quatro protagonistas, as quais servem como panorama diversificado da condição assumida em sociedade por parte das mulheres inglesas daquele período. Tentando esquematizar nossas heroínas, teríamos:

Mrs. Lotty Wilkins - Trinta e poucos anos, habitante de Hampstead, casada com um marido controlador que sempre impunha-lhe o esforço de economizar dinheiro - desde que não afetasse a qualidade das comidinhas dele, obviamente, as quais deveriam estar sempre muito bem preparadas pela esposa. Lotty era o tipo de pessoa que ninguém notava, vestida sempre com suas roupinhas usadas, adquiridas nas lojas de caridade. Nas palavras da própria irmã, ela era alguém que "deveria permanecer em casa". Pois é justamente ela quem, ao ler o anúncio de aluguel do castelo italiano, toma a iniciativa para concretizar a viagem, tentando convencer a si própria de que suas economias financeiras existiam precisamente para a felicidade que um verão na Itália poderia proporcionar. Na cara dura, Lotty aborda e convida uma desconhecida que, coincidentemente, encarava sonhadoramente o mesmo anúncio e que também parecia compartilhar com ela do mesmo olhar de pessoa infeliz.

Mrs. Rose Arbuthnot - Trinta e poucos anos, casada, também habitante de Hampstead e intensamente envolvida nos trabalhos da igreja local. Seu marido era muito distante, não se interessando por nada relacionado à vida da esposa. A atuação dele como escritor de romances históricos eróticos acabava colidindo com as convicções religiosas de Rose e contribuía para o afastamento entre os dois. Ela era uma mulher que havia perdido um filho e, aparentemente, despistava a mordaz solidão dedicando-se avidamente à liderança de trabalhos filantrópicos e religiosos na cidade. 

Quando Lotty, pessoa com quem nunca antes havia trocado uma palavra sequer, a aborda para instigar-lhe o espírito aventureiro, Rose é lançada em um árduo conflito interno moral. De certa maneira, essa protagonista tende a representar aquelas mulheres cujas mentes estão bastante moldadas por certa ideologia religiosa que as faz acreditarem que a fé e o serviço à Igreja são suficientes para garantir a felicidade plena - se infelizes, é porque estão falhando em suas dedicações. Confrontada pelo convite inusitado de Lotty, Rose inicialmente resiste em admitir para si mesma que sua devoção fervorosa à tétrade "Deus, Marido, Lar e Obrigações" não estava sendo capaz de afastar o sentimento de frustração e insatisfação com a própria vida. 
 “For years she had been able to be happy only by forgetting happiness. She wanted to stay like that. She wanted to shout out everything that would remind her of beautiful things, that might set her off again, desiring...”
Nesse ponto em que Lotty e Rose confabulam a respeito da possibilidade de tornar a fantasia em realidade, Von Arnim igualmente explora, com muita delicadeza, o famigerado sentimento aviltante de não sermos dignas de momentos de prazer exclusivamente pessoal; de não termos o direito, ainda que por um mês apenas, de sermos "egoístas" a ponto de nos concedermos férias das ocupações domésticas, religiosas e/ou laborais, em troca de um tempo feliz. Quando a chance dessa escapadela surge, a aspiração justa delas esbarra contra a sensação de culpa, a despeito da vida de completa abnegação que ambas conduziam; surgindo ainda incertezas quanto à conveniência de gastar dinheiro em algo que, em princípio, aparentava-lhes tão mesquinho.

Nesse contexto, portanto, Lotty e Rose são duas mulheres unidades pela infelicidade em comum. Isso pode soar desolador, contudo o laço entre ambas rapidamente se fortalece, evoluindo para uma revigorante e alegre amizade patrocinada pela empreitada que seguiriam juntas (sem que os maridos soubessem): um verão encantado no mediterrâneo italiano.
“She looked so unhappy. Why couldn't two unhappy people refresh each other on their way trough this dusty business of life by a little talk – real, natural talk, about what they felt, what they would have liked, what they still tried to hope?”
Para reduzir os custos com a viagem, e dado que o castelo dispunha de quartos sobrando, Lotty e Rose decidem anunciar vagas para outras mulheres; momento em que entram em cena as outras duas protagonistas.

Lady Caroline Dester - Jovem solteira de vinte e oito anos, rica e pertencente à alta sociedade londrina. Caroline, proveniente de um meio totalmente diferente daquele habitado por Rose e Lotty, lança-se naquela jornada por razões bem distintas. Scrap, como era apelidada por seus pares, é propelida pelo anseio de partir para um lugar onde ninguém a conhecesse, longe das futilidades sociais e dos homens que a sufocavam por conta de sua beleza estonteante. Caroline estava de saco cheio das atenções e das falsas bajulações do meio social no qual era obrigada a circular e, principalmente, atravessava aquele momento em que o jovem adulto questiona o sentido da sua própria existência. Com tal motivação, é quase lógico descobrir que Caroline não queria saber de papo com nenhuma das colegas de viagem.

Parte do conflito dessa personagem pode tornar-se ligeiramente engraçado, uma vez que relaciona-se enormemente com o martírio (?) de ser extraordinariamente linda. Bom, cada qual com seus problemas, não é mesmo?* Além disso, pela maneira como é descrito, parece mesmo ser insuportável ter um bando de homens chatos aporrinhando os pacová, simplesmente por não saberem lidar com uma mulher bonita. Ainda mais para alguém como Caroline, que não buscava um marido, especialmente após ter perdido o homem que amava durante a primeira guerra mundial.
(Sim, é isso mesmo: não sou bonita e não faço ideia de como deve ser, na prática, carregar aquele tipo de beleza capaz de constranger vizinhos.)

Mrs. Fisher - Senhora sexagenária, viúva há 11 anos e respeitada por figuras importantes de Londres. Por conta do convívio com muitos artistas, já que o pai atuara como renomado crítico de artes, poderia ser considerada uma "metida a intelectual" (para ilustrar, registro que o narrador comicamente afirma que ela só falava "o italiano de Dante" - que, veja só, não era útil em quase nada). Claramente distinta das outras três, Mrs. Fisher interessava-se apenas em ser deixada quieta em um canto, sob o sol, para rememorar - seja lá o que isso signifique -, pois o verdadeiro valor das coisas pertencia ao passado, em tudo superior ao presente. O que Mrs. Fischer mais almejava naquele castelo era estabelecer uma distância segura das outras três mais jovens.

Curiosamente, a narrativa sugere que ela retrata as mulheres idosas da época que detinham um pensamento mais conservador, retrógrado e, por que não, até mesmo machista. Ela só conseguia enxergar grandeza de pensamento em homens, e uma das breves pérolas que ela declara, por exemplo, é esta: "Well, at least he was a man, and therefore not quite so annoying (...)". Simultaneamente, ao tentar confortar as angústias de Caroline, Mrs. Fisher só consegue desembuchar este conselho:
"I should say that what a young woman like you wants is a husband and children. (...) I shouldn't trouble my head if I were you with considerings and conclusions. Women's heads weren't made for thinking, I assure you."
Pois é, Mrs Fischer não conseguia compreender por que Caroline queria muito mais da vida, além de ser admirada por olhares masculinos embasbacados; afinal as mulheres existiriam apenas para isto: serem contempladas. Oportunamente, ocorre-me agora que a repercussão midiática em torno da atual primeira-dama brasileira indica que parte considerável dos cidadãos do país, quase um século mais velhos que Mrs. Fischer, pensam do mesmo jeitinho que ela. Interessante. Enfim, não surpreende que, por diversas vezes, Arnim utiliza essa protagonista para expor o choque de pensamento entre os grupos etários femininos.

Por outro lado, a mesma viúva ~deliciosamente~ chega a comparar o falecido marido a um prato de macarrão! (Há passagens que permitem subentender que ela tinha sido traída pelo esposo.)
"He had, during their married life behaved very much like maccaroni. He had slipped, he had wriggled, he had made her feel undignified, and when at last she had got him safe, as she thought, there had invaribly been little bits of him that still, as it were, hung out."
Pelo jeito, os maridos daquele presente continuavam meio parecidos com os maridos do passado, de modo que seria possível supor que as diferentes gerações de mulheres seguiam vivenciando dificuldades matrimoniais correlatas.

***
À medida que a narrativa avança, percebemos claramente que não houve nenhuma aleatoriedade quando Arnim adotara a palavra "Encantado" para adjetivar o "Abril" que intitula a obra. O cenário deslumbrante de San Salvatore assume poderes praticamente mágicos, capazes de operar milagres nas vidas daquelas inglesas infelizes, cada uma a sua maneira (Oi, Tolstói!). Por desvencilharem-se das rotinas mecanizadas que as oprimiam, e inspiradas pelo belíssimo cenário italiano, essas mulheres recebem a oportunidade de finalmente conhecerem-se verdadeiramente, descobrindo o prazer que é possível encontrar estando sozinhas, mas não solitárias, com seus próprios pensamentos. Lotty, por exemplo, surpreende-se com o efeito que a felicidade no castelo opera em Rose, e em si mesma, visto que ela sempre havia nutrido a certeza de que o ser humano conquistaria a bondade enlevada apenas mediante dor e sofrimento. Todas as personagens iniciam a história desejando isolamento e, por ação miraculosa italiana, aproximam-se cada vez mais; contestando a máxima "a primeira impressão é a que fica". Elas desconectam-se por completo das realidades que deixam para trás e, quase como encanto, têm suas vidas e personalidades transformadas por completo  - até mesmo os homens que, como o trailer indica, eventualmente acabam dando as caras por lá.

Para corações um tanto empedrados e cínicos como o meu, acredito que, nesse ponto da narrativa, as coisas degringolam um pouquinho. Um mês de férias pode ser realmente assim tão conveniente e extraordinariamente milagroso?! Penso que não tenho otimismo suficiente para engolir, sem pestanejar, a magnitude das mudanças por que todos passam. Acrescentaria, também, uma outra pequena crítica fabulosa compartilhada por uma leitora no Goodreads (usuária Elli) e com a qual concordo plenamente (tradução livre minha): "Até o ponto anterior à chegada dos homens, tudo estava ótimo e eu realmente curtia o livro. Então os homens chegam no castelo, um por um, e eu passei a gostar cada vez menos do livro."  Homens estragando tudo; tsc, tsc. ¯\_(ツ)_/¯

Apesar dessas pequenas alfinetadas típicas de chatonilda, trata-se de uma leitura deliciosa, típica daqueles livros que abraçam de modo aconchegante o leitor. Gostei bastante e ganhei mais uma autora para minha lista de britânicas do século XX favoritas.

Ah, e a mensagem que o livro deixa comigo, em um gif, é esta:

27/11/2016

The Door - Magda Szabó

(Sobre o livro: info, sinopse, etc.) (Edição NYRB, Tradução para inglês por Len Rix)

     
Dando mera largada na minha tentativa de processamento dessa leitura, ousarei adaptá-la, com admitida leviandade, a uma hipotética parábola:

“Após tomar dolorosos socos desferidos por circunstâncias atrozes e por pessoas estimadas que apenas a desapontaram, uma honrada senhora opta pelo único meio de defesa de que dispunha: isolar-se de tudo e de todos, trancafiando-se em seu castelo. A despeito da severa solidão, a estratégia adotada transcorre com absoluto êxito e sem perturbações, até que uma desconhecida jovem genuinamente bem-intencionada bate à porta. Com comedida cautela, a encastelada decide abrir uma brechinha da entrada para a inesperada visitante, e as duas acabam tornando-se cada vez mais íntimas com o passar dos dias. Gradativamente a visitante desperta na honrada senhora uma afeição esperançosa que há tempos não experimentava, a qual era demonstrada por formas pouco convencionais que recorrentemente confundiam a estranha. Não tardou para que a encastelada adquirisse coragem de escancarar a pequena brecha, contudo infelizmente também não demorou para que a convidada, com um impensado e cruel golpe, revelasse ser indigna da generosa confiança recebida. A velha senhora não resiste finalmente à derradeira pancada, e os muros do castelo começam a ruir lamuriosamente."

Qual seria a moral dessa história? Mais vale amargar uma vida de solidão, do que tomar soco na cara? Mesmo que haja fatídico arrependimento, as alegrias propiciadas pelo convívio com outras pessoas, ainda que breves e inconstantes, justificam os riscos inerentes? Se vai bater na porta de alguém, esteja completamente seguro de que fará jus à benevolência recebida? Questões, questões (como sempre, tratando-se do presente blog, não respondo nada).

Ratificando o que já reconheci, explicito que meu resumo acaba sendo exageradamente negligente, pois as circunstâncias da trama em que estão envolvidas as duas protagonistas desse livro – Emerence (a “encastelada”) e Narradora Protagonista Inominada (a “visitante”) – são muito mais complicadas. Como melhores pistas do enredo, deixo o trailer da respectiva adaptação do livro para o cinema (Atrás da Porta - 2012):


Um usuário disponibilizou o filme inteiro no YouTube aqui: x.

Boa parte da complexidade da obra pode ser atribuída à fácil constatação de que a relação entre as personagens principais e os eventos de The Door (1987) retratam e simbolizam bastante daquilo que efetivamente ocorreu à população da Hungria durante o século XX; notadamente as duas guerras e a posterior ocupação russa, sob o regime comunista (a história do livro transcorre durante o pós-segunda guerra). Assim como Magda Szabó, por exemplo, a narradora personagem é uma escritora cujos livros haviam sido alvo de severa censura política no passado (entre 1949 e 1956, a publicação dos livros de Szabó foi proibida pelo regime stalinista). Lendo um artigo no site Hungarian Literature Online, pude constatar que os críticos oferecem algumas distintas chaves de interpretação para este livro, com foco especial sobre a relação estabelecida entre Emerence (empregada) e Narradora Personagem (escritora e patroa). Listo-as a seguir:

- Conflito entre classes, um tema que parece ter sido comumente explorado pelos intelectuais da Hungria durante a década de 60;
- Feudalismo húngaro perpétuo, com a lealdade dos servos sendo traída;
- Conflitos e dinâmicas sociais firmadas entre os intelectuais e os trabalhadores braçais da sociedade húngara;
- Companheirismo entre mulheres, as quais oferecem ajuda e suporte mútuos;
- Solidariedade como meio de transpor as barreiras sociais;
- Topos do reencontro simbólico com uma família perdida; aqui destacando-se as posições de mãe e filha;
- Questões morais em escala individual e nacional relacionadas à perseguição de judeus e comunistas, anarquismo político.

A despeito de todas essas opções interpretativas, admito que, durante a leitura, as minhas atenções voltaram-se muito mais para os “tipos de pancadas” (voltando à minha fábula) sofridas por Emerence e suas respectivas sequelas, pois esse aspecto do livro, de fato, me tocou profundamente. Desejei, acima de tudo, tentar compreender Emerence. Essa tarefa não é nada fácil, mas humildemente dispus-me a arriscar.

Encontrava-me incerta de como começar essa exploração da personagem, até que, através de uma resenha do livro "A guerra não tem rosto de mulher", da Svetlana Aleksiévitch, cruzei com uma citação que me ajudou enormemente:
Assim que a li, pensei em sobressalto: “Acho que é isso! Minha impressão é que Emerence simboliza exatamente isso!”

Calculo que, com algumas ressalvas (?), Emerence (★ 1905) possa representar amplamente as pessoas dos países europeus (principalmente a Hungria, claro) que foram forçadas a tomar parte de duas grandes guerras, testemunhando antissemitismo e genocídios, bem como padecendo severamente da miséria que tais barbáries patrocinaram. É possível passar por tudo isso e sair ileso? Como pessoa, sair do mesmo jeito com que se entrou? Quem conseguiu escapar (testemunhas inclusive), foi obrigado a carregar cicatrizes mais ou menos profundas, visíveis ou não. Nas palavras da própria narradora, passando por uma espécie de epifania:
“I stood gazing at the tress lined up in rows like soldiers, contemplating the memories the land must hold, with so much blood, so many dead, and all their dreams, all that failure and defeat. How could it bear to go on producing, with a burden like that?”
Aos poucos, junto com a narradora, o leitor descobre que não foram poucas as enormes atrocidades testemunhadas e vividas por Emerence durante as duas grandes guerras. A narrativa lentamente nos revela, além disso, que a personagem havia arriscado a vida por mais de uma vez para salvar pessoas da morte, ao mesmo tempo em que perdera outras em circunstâncias tremendamente penosas.

Ao embarcar na empreitada de desvendar (ou quase) Emerence, surgem ensinamentos pertinentes e a imposição de reflexões que podem ser desconfortáveis:

1. A dinâmica estabelecida entre as duas protagonistas é peculiar, tratando-se de uma amizade que desenvolve-se de maneira intrincada. Com Emerence, a narradora aprende esta lição valiosa para todos – (embora ela tenha deixado de aprender outras, na minha opinião):
“I know now what I didn't then, that affection can't always be expressed in calm, orderly, articulate ways; and that one cannot prescribe the form it should take for anyone else.”
Ou seja, é insensato esperar que as pessoas expressem seus sentimentos de forma igual, todas seguindo uma fórmula preestabelecida. É preciso exercer a sensibilidade e a empatia para compreender e aceitar a complexidade dos outros.

2. A solidão é inerente, de maneira irremediável, à vida humana? Sobre isso, creio que concordo com Emerence:
“Who isn't lonely, I'd like to know? And that includes people who do have someone but just haven't noticed. (…)”
Persistindo no tema, li recentemente este artigo interessante no The Washington Post: "Loneliness can be depressing, but it may have helped humans survive."

3.
“If someone can't be helped, then they don't want help. If she'd had enough of life, no one had the right to hold her back. (…) Try to understand. When the sands run out for someone, don't stop them going. You can't give them anything to replace life. (…) It's just that, as well as love, you also have to know how to kill. (…) If I hadn't loved her, I would have stopped her.”

A passagem de onde extraí a citação acima é uma das mais impressionantes: Emerence ajuda uma amiga a cometer suicídio, explicando à narradora o seu ponto de vista marcado por desconcertante pragmatismo.

Por extensão, fiquei refletindo que Emerence, de certo modo, manifesta uma defesa que é relativamente apropriada ao caso de Yeong-hye, a protagonista do livro A Vegetariana, escrito pela coreana Han Kang. Caso tal personagem tivesse apresentado à Emerence a mesma pergunta que ela lançara à irmã - “- Estou agindo desse jeito porque tenho medo de que você morra!  - Por quêMorrer é algo assim tão ruim?” - , suponho que Emerence não vacilaria em responder “-Não, morrer não é assim tão ruim."

E apenas como complemento dessa discussão, de novo Svetlana Aleksiévitch me auxilia. Do mesmo "A Guerra não tem rosto de mulher" ("War’s Unwomanly Face"), trombei com uma outra frase que pode, talvez, ajudar a explicar o pensamento de Emerence: “Suffering justifies our hard and bitter life. For us, pain is an art.”

4. Por conta das "pancadas", algumas “cicatrizes possíveis”: incredulidade - em instituições políticos ou religiosas, por exemplo -, desconfiança, perda da esperança.
(Emerence:) They want peace. Do you believe that? I don't, because who then will buy the guns, and what pretext will they have for hanging and looting? And anyway, if there's never been world peace before, why should it happen now?”
5. Por fim, junto-me à narradora na revelação garantida por Emerence:
“At that moment I understood our recent history as I never had before.”

E apenas neste instante, ao final do post, percebo que, em vez de “cicatrizes”, talvez eu pudesse ter escolhido uma outra palavra: memórias (sempre elas). Hum, e surge o gancho para outra postagem...
... 

↪ P.S.: é mandatório destacar que, em The Door,  Magda Szabó constrói absurdamente bem um cachorro como personagem, o Viola. Sem surpresas, talvez o singelo bichinho seja superior a todos os outros humanos que passam pelas páginas do livro.

03/01/2016

The lonely passion of Judith Hearne - Brian Moore

(Sobre o livro: info, sinopse, etc.)
       
 - Paul, ainda não sei de onde vêm todas, mas já tenho a resposta (objetiva) para uma delas: segundo o Brian Moore, a Eleanor Rigby Judith Hearne vem da Irlanda. 

Sem que eu planejasse, essa acabou sendo a segunda leitura do ano envolvendo a história de uma ~solteirona~ (spinster); porém creio que a trilha sonora que elegi para cada uma delas deixa claro como as abordagens de ambos os livros são diferentes. Enquanto o livro da Barbara Pym ganhou a música Spinster, da Joan Jett, o do Moore ficou com Eleanor Rigby, dos Beatles. De forma explícita: o que o Excellent Women tem de cômico e irônico, o TLPJH tem de triste e depressivo.
Judith Hearne não está simplesmente solteira; mas sim completa e desconsoladamente solitária. Essa constatação torna-se ainda mais dramática ao leitor porque o encontro com a personagem ocorre no momento em que ela dá-se conta de que "vai ser só aquilo mesmo"; de que não adianta mais iludir-se com falsas fantasias e esperanças sobre uma reviravolta miraculosa na vida. Também especialmente cruéis são os breves trechos em que o autor muda o foco narrativo para o ponto de vista das personagens que orbitam a vida de Judith, pois, diante do que lemos, somos cerceados do direito de supor que Judith estava sendo exagerada ou melodramática; quero dizer, o autor remove quaisquer margens para o discurso "calma, amiga, também não é para tanto." Era para tanto, sim, pois absolutamente ninguém dava a mínima para ela. E caso a intenção da pergunta do Paul McCartney seja mais subjetiva - "Como tornaram-se tão sozinhas? Quais as conjunturas?" -, também não há problemas, pois Moore não nos deixa no escuro e delineia muitíssimo bem os percursos que levaram Hearne àquela situação. 

Em tal circunstância, ela, uma mulher criada como parte da minoria católica da Irlanda do Norte, começa também a questionar aquele Deus a quem sempre seguiu fervorosamente. Tantas regras, tantos mandamentos, tantos sacrifícios... Em troca de quê? Judith pergunta-se e não encontra nenhuma resposta - até ele parecia abandoná-la. De fato, o autor explora e, de certo modo, impõe questionamentos acerca do binômio "culpa/pecado" sobre o qual essa religião é construída.

O livro já foi adaptado para o cinema em 1989,
com a excelente Maggie Smith no papel de Judith Hearne. 

Por ter provocado um momento de memória involuntária, uma cena foi particularmente enternecedora:
"Quickly, Father Quigley strode past the line of boys and reached his half-door...looked the line of little girls. (...) Didn't she know these were children's confession? (...) Penance-giver, he prepared for the penance of listening. (...) He shot the little slot open with a plock! on the first quivering boy who waited in the darkness on his knees, his small story rehearsing in his mind."
... Minha primeira confissão católica, antes da minha primeira comunhão!... Ao ler essa passagem, fui catapultada para o instante do passado: a pequena capela da escola católica apinhada de outras crianças, minhas mãos suando frio e eu de-ses-pe-ra-da a respeito do que diabos (ops!) deveria dizer pro padre. Eu tinha, afinal, pecado? Como? Quando? Por quê? Enfim... 

Moore tem uma prosa bem enxuta e direta, mas que é extremamente eficaz em transmitir a dimensão avassaladora do desalento pelo qual Judith passava. Sério, o livro é muito, muito triste mesmo, mas exatamente por isso achei tão bom.       

08/10/2015

Angel - Elizabeth Taylor

(info, sinopse, etc.)
Esse foi mais um livro sacado dos excelentes catálogos da NYRB e da Virago; embora eu tenha lido a edição brasileira traduzida por Aulyde Soares Rodrigues, publicada em 98 pela editora Mandarim. Agrupei acima imagens das múltiplas capas disponíveis no mercado para ressalvar que a disparidade preliminarmente confusa que despertam resta completamente dissipada após a leitura do livro que, de fato, é bem peculiar (no muito bom sentido, adianto).

Elizabeth Taylor
De antemão, seguem duas notas relevantes sobre a obra:
1. essa  Elizabeth Taylor não é a famosa atriz dos olhos violetas; mas sim a escritora britânica homônima que publicara entre as décadas de 40 e 70. Angel, especificamente, foi publicado em 1957;
2. ao contrário do que o título e a capa brasileira (em especial) sugerem, também não se trata de um daqueles ~romanções~ de banca. Ou trata-se? Bem, eis aí uma interessante questão, a qual retomarei adiante.

Inspirando-se em grande parte na vida de Marie Corelli, famosa romancista inglesa das eras Vitoriana e Eduardiana, Taylor cria a personagem epônima Angélica Deverell; a Angel, cuja trajetória  parece recriar em grande extensão aquela de Corelli.

No início do livro, Angel é uma adolescente de 15 anos que vive sufocada entre dois mundos: de um lado, a pobreza do bairro e casa em que mora com a mãe viúva; do outro, os mistérios sedutores da rica família da Casa Paraíso, de cujas histórias a tia, criada daquela casa, é porta-voz. Aliás, a sombra daquela mansão parece ter-lhe roubado até mesmo o direito a um nome próprio, considerando-se que ela fora batizada de Angélica como uma deturpada homenagem à herdeira homônima da Casa Paraíso.

Como escapismo da realidade considerada degradante, Angel tinha por hábito sonhar acordada, recorrendo a realidades paralelas idealizadas com o glamour digno (na sua concepção) dos muros da Casa Paraíso. Logo no início do livro, ela tem a fascinante ideia, quase uma epifania, de canalizar toda essa imaginação fértil para a escrita de um livro que, ainda em sua fantasia, a tornaria rica e famosa. Por mais improvável que isso possa parecer, o fato é que sua artimanha dá certo: ainda adolescente, Angélica Deverell consegue o feito de publicar seu primeiro livro - Lady Irania - que torna-se um estrondoso e imediato sucesso, catapultando-a à posição de grande escritora best-seller.

Mediante tal premissa, Elizabeth Taylor explora, em tom muitas vezes cômico e quase de paródia, o mercado editorial dos romances populares do final do século XIX e primeira metade do século XX (então publicados por editoras precursoras da atual Harlequin). Algumas passagens do livro ilustram bem a, digamos, comédia por trás daquele universo literário*:

Quanto ao perfil da escritora:
"(...) prosa ornamental, com tantos crescendos e aliterações (...), composição era vulgarmente rebuscada (..). a linguagem empolada, a extravagância, extremamente tedioso, (...)"
"- Você lê muito, Angélica?
- Não, eu nunca leio. (...) Não acho interessante."
 "Poderia perfeitamente, ela pensou, imaginar o que acontecia lá dentro, nos bares, no teatro e na prisão. A experiência era um recurso da imaginação, jamais seria, Angel estava certa, tão bela nem tão terrível." (lembrando que ela começa a escrever ainda adolescente, sem nenhuma experiência de vida.)
Quanto aos editores:
"Nós publicamos para eles, infelizmente, para o "exército do ganha-pão", como diz meu sócio. Eles decidem. (...) Para eles, encobrimos o que é real demais, minimizamos o que é por demais vívido e retiramos uma boa parte do que, de acordo com nosso gosto, preferíamos deixar. "
Quanto à dinâmica crítica x leitores x escritores de tais romances:
"Quanto mais os críticos riam, maiores eram as filas nas livrarias para comprar os livros de Angel; a força de seu romantismo capturava as mentes simples; as situações absurdas encantavam os sofisticados; sua indignação fervente quando uma fúria passageira a fazia afastar-se da história, com denúncias e irrelevâncias, levava alguns leitores a uma concordância solene e outros a acessos de riso."
"Seu ressentimento mórbido com a menor crítica era uma carga penosa para a autora de uma obra tão sujeita a constantes zombarias e ofensas. (...) da legião dos que ridicularizavam seus livros, "os macacos confusos", como ela chamava, "aqueles que zombariam de Shakespeare por serem incapazes de escrever outro Hamlet."
 "(...) parte do estado de excitação dentro do qual o livro fora criado parecia saltar das páginas (...) os leitores menos sofisticados eram transportados para muito além da crítica das inexatidões e das improbabilidades."
* Ou seja: Taylor direciona seu olhar ao mercado editorial do início do século XX e ainda acaba acertando, com pequena margem de erro, igualmente o cenário literário atual.
...

Porém, extrapolando ainda mais essa excitante paródia literária, acho que pode-se dizer que a verdadeira essência do livro é mesmo a protagonista que, não à toa, intitula ironicamente a obra, visto que, de angelical, ela não tem nada (adendo: se admitirmos que a capa brasileira não tenta ludibriar o leitor quanto a proposta da obra, mas sim reforçar essa ironia do título; fica mais fácil aceitá-la). Taylor narra toda a vida de Angélica Deverell, uma espécie de anti-heroína tão detestável quanto fascinante, e que efetivamente desperta sentimentos bastante dúbios no leitor. Angel é uma precoce escritora que habita permanentemente, como já mencionado, uma realidade delirante que ela própria cria a fim de satisfazer as necessidades de sua imaginação megalomaníaca e de proteger-se das brutalidades reais da vida. Sua personalidade é do tipo tóxica, arrogante, narcisista e histriônica. Esta passagem ilustra bem o efeito que a presença de Angel causava nas pessoas:
"Não estou mais rindo dela (de Angel) (...). Na verdade tenho um pouco de medo. Hermione a imaginava sentada no fundo do mar, fazendo encantamentos, contando os corpos dos afogados. Pediu a uma criada para acender mais velas, pois a sala, de repente, pareceu tristonha. Faltava alegria e ela sentia-se gelada."
Ao mesmo tempo, como não admirar uma mulher confiante e determinada que, com uma inegável dedicação ao seu trabalho, consegue mudar para uma direção muito melhor o rumo de sua própria vida em pleno final de século XIX? Voltando à questão inicial desse post: o livro é um romance de banca? Acho que, em consonância com o tom cômico, pode-se dizer que Taylor parece propor um "romance de banca às avessas", no qual a trajetória de uma heroína execrável, mas também admirável, presta-se como metalinguagem crítica para o gênero satirizado.

Através da personagem Angel, a autora também levanta uma série de questões bastante provocativas sobre a relação "escritor x escrita":

      - O tipo de literatura produzida por escritores como Angel é menor? É imprestável e irrelevante?

      - O quanto de Angélica Deverell existe em todo e qualquer escritor? 

      - A escrita é uma arte cujo exercício exige, inevitavelmente, um pouco de paranoia, obsessão,                     excentricidade, vaidade, arrogância, solidão? 

      - E, como o final do livro parece questionar: para o escritor, vale a pena o sacrifício?

Em sentido correlato, a premiada escritora britânica Hilary Mantel, grande admiradora do livro, assim já o descreveu: "Elizabeth Taylor’s tender, funny, exquisitely stylish novel keeps us on Angel’s side, even though we are appalled by her narcissism and shocked into laughter by her self-delusion. She is a monster, but a delicious monster, and the novel poses, for writers, questions that don’t date. That’s why I’m so drawn to the book and have loved it for years; there’s a bit of Angel in every writer, I fear."  

Enfim, foi um livro que me surpreendeu muito positivamente. 
...

Em 2007, a obra foi adaptada para o cinema por François Ozon, mas creio que nem o Fassbender fez compensar o tempo que despendi assistindo ao filme. Achei o roteiro péssimo, a atuação da Romola ficou bem pouco convincente (para quem leu o livro, pelo menos) e, de modo indefensável, o filme é inegavelmente chato. ¯\_(ツ)_/¯

Segue o trailer:


14/09/2015

Lolly Willowes (Sylvia Warner) & The Vet's Daughter (Barbara Comyns)

(sobre Lolly Willowes)    (sobre The Vet's Daughter)
Descobri esses títulos através da NYRB - New York Review Books, editora de cujo catálogo gosto e no qual confio bastante; e, sem que eu tivesse antecipado o íntimo diálogo que travariam, afortunadamente os li em sequencia. Foi possível identificar inúmeras e interessantes semelhanças entre eles, mas também algumas diferenças cruciais.

Tentando traçar um paralelo pontual e sumário, mencionaria o seguinte:

  Certa proximidade surge a partir das próprias autoras. Barbara Comyns (1909 - 1992) e Sylvia Townsend Warner (1893 - 1978) são britânicas, e acho que não seria extrapolação considerá-las relativamente contemporâneas entre si. Pelo pouco que consegui descobrir,  as duas escritoras parecem ter sido mulheres fascinantes. 

(fonte das informações: Goodreads)
  Quanto à narrativa, alguns elementos:


 A vida das duas protagonistas caracteriza-se por certas circunstâncias que, em suas bases e essências, podem ser consideradas algo próximas:

  The Vet's Daughter: Alice vive sob a sombra de um pai que aparece como uma figura masculina extremamanete violenta, autoritária, fria e amedrontadora. A mãe, mera empregada dentro de sua própria casa, chega a confessar-lhe que o marido casou-se com ela simplesmente pelo dinheiro. As duas vivem em um permanente clima de terror e medo, o qual Barbara Comyns constrói em sua prosa de modo bastante singular. O livro lembra uma espécie de conto de fadas gótico, no qual o trabalho do pai como veterinário - a casa da família apresenta-se com caveiras de macacos, cachorros deformados, um papagaio que ri nas situações mais inapropriadas - contribui para criar uma atmosfera meio ~David Lynchiana~ (existe isso?). Não sei apontar exatamente o segredo, mas o fato é que lê-se o livro com a certeza constante de que uma merda enorme vai acontecer na próxima virada de página. 


  Lolly Willowes: Quando o pai falece, o irmão de Laura - um advogado casado, conservador, religioso, pai de família - faz com que ela abandone a vida plenamente realizada que levava no interior para ir morar com sua família em Londres  - afinal, como poderia uma digníssima representante dos Willowes viver solteira e sozinha em uma casa do interior? Fora de qualquer cogitação. 
Laura passa a viver em um ambiente sufocante, no qual tentam casá-la a todo custo, mas sem sucesso. Ela vê-se obrigada a adaptar-se a uma rotina que não lhe pertence e a aceitar resignadamente a violência contra sua liberdade e individualidade: ela não é mais a Laura Willowes, mas sim a Tia Lolly, um mero agregado familiar acolhido no puxadinho da casa. 


→  No decorrer de ambas as narrativas, elementos mágicos e sobrenaturais surgem nas vidas das duas personagens. Observando algumas opções de capas desses livros, é possível inferir de quais fenômenos estou falando:


   (RESPOSTA: bruxaria, pacto com o diabo - gato como mensageiro - , levitação!)


  E é a partir desse ponto que os livros se distanciam de modo bastante relevante.

Laura não se assusta com a novidade sobrenatural. Ela mostra-se capaz de acolher aquele elemento mágico como algo que a distingue de modo especial; algo que a fortalece para a retomada das rédeas da própria vida; da sua independência e identidade.

Alice, por sua vez, não sabe lidar com a estranha habilidade. Talvez por ser muita mais nova que Laura - tendo a mente ainda plenamente lapidada pela sociedade/pai quanto ao papel que lhe "cabe" -, ela não consegue enxergar a distinta aptidão como algo positivo ou vantajoso para confrontar quem quer que fosse, até mesmo o pai. 


→  Há  uma   frase  de  Alice que   delineia  muito  bem  esse   ponto  em  que  as duas protagonistas se separam por caminhos diferentes (tradução livre minha):
(Alice) "Por favor, Deus, não deixe que isso aconteça comigo. Pai, não me obrigue a fazer isso. Eu não quero ser peculiar e diferente. Eu quero ser uma pessoa ordinária. Eu me caso com Henry Peebles e parto para que nunca mais você tenha que me ver - mas não me obrigue a fazer essa coisa terrível."
Embora não apareça explicitamente no livro de Sylvia Warner, é fácil deduzir, com mínima margem de erro, que Laura Willowes mandaria a seguinte contrapartida:

(Laura):  Eu não quero ser ordinária e normal, eu quero ser peculiar.


  Concluo refletindo a respeito de uma proposta que  pode  ser  assimilada  a  partir dessas leituras: que tal lutarmos contra o patriarcado com uma bruxaria e levitação de cada vez?